11/05/1996.
Pouco antes de eu nascer foi decidido que eu me chamaria Amanda. Esse nome que meus pais me deram, mais especificamente minha mãe me deu, vem do latim e significa literalmente "digna de ser amada" mas, mal sabem eles que eu dificilmente me sinto assim. Não que ela tenha escolhido esse nome por causa de sua origem e significado, na verdade foi apenas um nome escolhido de última hora sugerido por uma conhecida pra que combinasse com o da minha irmã, nascida 4 anos antes de mim. Ela não foi tão a fundo em busca do significado por trás disso, pra ela é apenas um nome que soa bem e familiar, nada mais, nada menos.
Mas, mesmo assim, é tragicamente cômico que eu tenha recebido esse nome e me sinta tão distante do significado que ele carrega.
sempre que alguém demonstra afeto por mim, mesmo que mínimo, eu sinto que não mereço, que não sou uma pessoa digna de tal. Esse tipo de sentimento é bastante nocivo porque me afasta das pessoas, de possíveis conexões. Afinal, apesar de estar plenamente bem com minha companhia, com a solitude (inclusive tatuei essa palavra em meu corpo) ainda assim, querendo ou não, a vida é feita de laços com os outros. são os laços genuínos que criamos que fazem essa estadia aqui valer a pena.
embora eu não morra de amores pelo meu nome eu reconheço que ele faz parte da minha identidade como indivíduo.
A maior prova disso é que tenho um segundo nome ( que foi dado a mim por mim mesmo, olá @amaelart ) mas é de se notar que ele ainda referencia o meu nome de batismo, fica claro pelo uso preferencial das 3 primeiras letras iniciais. Eu poderia ter escolhido qualquer outro nome, um nome totalmente diferente e sem ligação com o anterior mas escolhi esse por não conseguir me desvencilhar. É por isso que não chamo meu nome feminino de "dead name" como a comunidade a qual pertenço costuma se referir. Nem os vejo como "old name" e "new name" é mais como "first name" e "second name" ou "alternative name". eu atendo por ambos.
Voltando ao meu nome, pra alguns, pode ser apenas um conjunto de letras aleatórias formando uma palavra sonora que rima com aquele urso chinês grande com marcas escuras ao redor dos olhos. Um nome comum que você acha em qualquer esquina (e de fato acha mesmo, dado o quão popular é)
e eu não deveria estar pensando e divagando tanto sobre isso.
Talvez eu devesse assumir apenas o segundo nome e agir como se sempre tivesse sido assim e o nome que minha mãe me deu fosse apenas um delírio coletivo já que não me identifico tanto com ele.
Ou então talvez, se eu me sentisse uma pessoa digna do amor dos outros eu estaria ocupada demais recebendo-o e dando-o de volta e não me sentiria desconfortável com a escolha do meu nome e por não corresponder a seu significado, não estaria aqui escrevendo sobre isso.
O significado desse nome não pode ser mudado, só quem pode sofrer mudanças e alterações sou eu, o modo como encaro as pessoas, eu mesmo e a vida.
E eu espero que um dia eu consiga mudar isso, que tudo se alinhe e a Amanda que habita em mim se sinta realmente digna de ser amada.
Como é, sem tirar ou pôr. assim como é pra ser.
Eu sei que é difícil, mas você consegue. Ainda há muito por vir e muito o que viver.
Feliz 28, Mandy. ou melhor, Amanda. E Amael também.







