Barcelos, 22 de Maio de 2025
Estamos num ponto de virada. Eu sei que tem sido difícil . É muito difícil olhar tudo e se sentir perdido. É difícil se abrir e querer algo em troca. Mas eu tenho que me abrir de alguma forma.
Eu tenho que escrever de alguma forma. Qualquer forma. Eu estou cansado de tentar achar a forma perfeita. A busca pela forma perfeita é infrutífera e desnecessária. É uma contradição. É uma falsa profecia. Eu preciso identificar a diferença entre satisfação e achar que eu tô no caminho certo com esse objetivo da perfeição em mente.
Eu quero me apaixonar com a forma de fazer criação. Eu quero me fundir com as coisas que eu consumo. Com os resultados de criação de outras pessoas.
Marc, eu sinto muito medo. Eu tenho medo de não saber. Tenho medo do mundo. Medo dos outros. Da reação dos outros. É um trauma. Eu preciso aprender a lidar com isso sem que isso me atrapalhe. Eu preciso cantar.
Eu preciso gritar. Eu quero berrar bem alto. Um grito tão limpo e tão alto que tire todo o ar dos meus pulmões.
Espero que sim. Mesmo que seja um grito de dor. Eu acho que pelo menos, não vou morrer calado.
Eu sempre pensei sobre qual música que eu vou ouvir antes de morrer? Eu penso muito na morte. Diariamente. Espero que com o tempo, eu pense mais na vida. Porém, volta lá no trauma.
Eu desejo muito amor na sua vida, muita paixão, muita satisfação, muita música, muita arte, muita escrita. Escovar os dentes, passar fio dental, tomar banho quando precisar, comida gostosa, companhia feliz e o que quer que seja "o contrário da dor".
Desejo que você descubra por nós qual o nome disso. Eu desejo para mim, escrever mais cartas assim para você. Que nem quero escrever para várias pessoas na minha vida.
Eu te amo. Fica bem. Se cuida.