Beautiful Mess | Charity & Caradoc | March 78
Os deuses gregos nãopoderiam estar mais certos quando escolheram o hidromel como sua bebida preferida, pensava enquanto caminhava sem rumo, escorando uma das mãos nas paredes e a outra segurando uma garrafa de hidromel recém afanada de mais uma das entediantes festas oferecidas pelo mestre de poções aos seus alunos preferidos. A festa já havia finalizado fazia algum tempo e restavam exatos vinte e seis minutos para chegar aos aposentos da Ravenclaw e se livrar de mais uma possível detenção. Seu consciente (embora afetado devido a quantidade de hidromel ingerida) alertava para que voltasse ao dormitório antes que Filch ou qualquer monitor a encontrasse, porém, era ignorado pela euforia atípica resultada pelo seu estado de embriaguez. Sentir a cabeça livre de preocupações era uma experiência nova e demasiadamente prazerosa para a franco-inglesa que costumava gastar mais da metade de seu tempo se preocupando por antecipação pelas coisas mais banais possíveis.
– C'est fichu! – Exclamou ao mesmo tempo em que sorria tolamente em frente ao primeiro degrau da escada que dava para o andar debaixo. A visão duplicada e a coordenação motora afetada tornava a simples tarefa de descer as escadas em um verdadeiro desafio. Ameaçou descer o primeiro degrau mais vezes do que poderia se lembrar recuando todas as vezes e rindo de si mesma a cada tentativa frustrada. A movimentação da escada também não ajudava em nada para que conseguisse descê-la, não a ajudava quando sóbria e ajudava ainda menos bêbada. De maneira que foram os dedos que seguravam o corrimão com relativa força os responsáveis por evitar o acidente que quase aconteceu ao se assustar com a presença de mais alguém no local. – Hullo? – Cumprimentou em tom de dúvida para o recém chegado ao mesmo tempo em que retomava o próprio equilíbrio. A visão alterada e a distância do lance de escadas eram suficiente para que precisasse espremer os olhos azuis a reconhecer a pessoa parada no último degrau da mesma escada que tentava descer.
Imediatamente sentiu as bochechas corarem intensamente ao reconhece-lo. Não era o melhor momento para encontrar Caradoc Dearborn, afinal.
Embora tivesse a ajudado durante seu primeiro mês de aula, Dearborn não parecia alguém que seria conivente com aquela situação. Não o conhecia muito bem, porém, por tudo o que ouvira sobre ele e por tudo o que pudera observar, tinha certeza que o rapaz não era alguém muito tolerante com os deslizes alheios, ainda mais na posição de monitor da casa de brasão azul e cobre. No mais, a embriaguez não permitiu que Charity desse muitas atenções para analisar profundamente a posição delicada que se encontrava. – Heey, Dear... D-Dearborn. Como va-vai? – Perguntou com a voz mole típica de alguém embriagado. Acenava eufórica para o garoto a poucos metros de distância, como se fossem realmente próximos para justificar sua alegria em encontra-lo. – V-vo-você estava na f-festa do Slhu... Slughorn? – Sim, ele estava. Havia avistado o garoto durante a festa e, assim como a maioria dos alunos, também não parecia estar apreciando o evento. – F-foi a me-melhor feesta até ag-gora, n-não acha? – Levantou os braços numa demonstração visual de sua animação enquanto tentava um rodopio amador e perigoso demais para alguém no topo de uma escada.
O tombo que tomara caindo ainda no primeiro degrau poderia ter sido pior, caso tivesse rolado até o último degrau, e provavelmente seria mais dolorido se não estivesse sob efeito do álcool.











