OUTRO PREFÁCIO
Em duas semanas eu mergulhei em um mar que fazia tempos que não mergulhava, as vezes eu passava por cima com meu pequeno e frágil barco, e ia embora. Mas o vento e a correnteza me queriam lá, ali. Estou há meses, longos meses, estagnado-imerso sobre essas águas que eu encontrei e achei que poderia ficar. Me afundei, mas em menos de quatro meses eu infelizmente morri, me perdi em seres que me levaram ao declínio, demorei, porém eu pude ver que neste mar além de pescador, eu sou o leviatã. Causando o mal e medo ao franzino pescador, que as vezes tentou se aventurar na onda do amor.
Encontrei um ser lindo e desejado, sereia! Cai sob o encanto de seu canto, hoje sou uma tangente no canto, apenas uma roupa suja de molho no tanque. Enfim, machuquei a sereia, porém quem se perdeu foi eu. Enfeitiçado, sem papo de magia negra, odeio a ideia que isso seja karma, entretanto feri alguém.
Okay, de volta na superfície, fiquei em coma, mas voltei a respirar, fui pra praia. Dez anos longe da areia. Seria eu o capitão do holandês voador? Não, sou muito fraco até pra contar histórias e ser um pescador.
Fui surfar, sem hype. Com uma cicatriz no peito, aventurar de ser surfista, peguei uma grande onda do amor. Antes disso eu não conseguia nadar. Porém surfei, achei uma garota real demais pra mim, não sou nada, queria ter tirado ela da zona, mas não ofereço conforto. Machuquei ela também, o melhor foi deixá-la.
Egoísta? fui. Pois havia meses que eu estava já sendo assombrando, por um velho caso, ali em cima citado. Em meio a isso, conheci a paixão, ela não me quis. Só bastava eu voltar ao mar com meu barco, deixar a correnteza e a brisa me levar. Levou, aqui estou.
Novamente ela cantou, e eu fraco coloquei minha cabeça sob a água, merda, achei que eu deveria ir com corpo e alma, mas fui até onde tenho a velha cicatriz, de peito. Eu quero concertar o que fiz, curar machucados e ver se some as nossas cicatrizes. Mesmo meu corpo sendo marcado e condenado. Porém eu ainda tinha esperança e, ela consolo.
Duas semanas e eu novamente nadava tão bem em velhas profundezas, ela me mostrou alguns do seus segredos, me conduziu loucamente, sem toque, só questão de química e olhar. O pior é que sempre fui ruim nessa matéria, então as minhas fórmulas não batiam, confesso o desejo de querer me aprofundar, não só me afundar, amar não era o verbo que esperava conjugar, mas tenho o substantivo amor <por ela> ocultei e mesmo assim... aaaaaaaah me afoguei, pois pensei que iria mais longe e, só me afoguei.
Afobado, agora preciso tentar chegar na superfície, porém isso tudo é um grande círculo de repetição, eu tento subir, você me puxa, eu te machuquei e, você é quem ainda me machuca, me tem, me faz refém, porque está no seu ambiente. Eu deveria aceitar que meu elemento é Terra, curto fogo, talvez água não seja meu lugar. Não deveria tentar nadar, surfar, pois no fim, só me afogo e me perco. Obssecado por sua cauda, porém sou eu o peixe no anzol, você brinca, se sente culpada, mas parece que não entendeu nada daquela página do seu livro sobre ser egoísta. Agora eu sofro, porque sou o aventureiro que queria nadar, o pescador que queria surfar e deixou a emoção me levar.
Foram tantos "fim" e "até mais"
Agora é necessário deixar esse amor na caixa postal
Pra ver se eu esqueço e paro com essa pira de enlouquecer, meu coração já é seu, não quero perder a cabeça também. Vou fingir que tudo tá bem, assim em algum momento vou ficar bem. Isso não é drama, daria uma bela trama, é sempre bom escrever "chamo isso de prefácio" mas não é fácil, ainda mais quando dói. O processo sempre é doloroso e, talvez o substantivo masculino amor já dito, entre nós deve morrer.
DESCULPA QUEM EU MAGOEI.
Ainda não consegui escrever tudo o que acontece e sinto, sentir machuca.













