Talvez em algum momento tudo isso seja parte fundamental de uma história de superação, mas, por enquanto, é parte presente, real, de uma dor que vêm de um interior ainda incompreendido. Acesso somente a dor, invisíveis estão as razões e verdadeiras motivações. Tento cavar, mas, ao menor sinal de compreensão, fecho os olhos e de forma reativa finjo não me ver na causa. Difícil seria se eu acabasse com essa concreta parede que me separa das razões. Parte de mim deseja incessantemente deixar passar, noutrora quero bater e, sem esquivar-me, arcar com tudo o que possa sair desse poço - quase que - sem fundo. Flocos de neve tentam me avisar da avalanche que retornará a qualquer segundo, porém, parecem mais confortáveis as sombrinhas perante os pequenos sinais. Quando o pior vêm, só me resta fechar os olhos e implorar pelo fim. Pouco posso reclamar: não me armei contra, não procurei entender o motivo e resolver a raiz do problema, não procurei abrigo e muito menos apoio. E então espero a avalanche passar, para que, talvez, na próxima neve que eu ver se formar na minha frente, eu tenha força para evitar mais uma tragédia.