Expectativa
Martha não percebeu a chegada de passantes para ajudá-la, tentar levantar a tampa do bueiro e chamar a ambulância. Ela estava ocupada demais observando a nova cidade que nascia para ela. A escura, nebulosa, fria e vazia São Paulo das quatro horas da manhã tornou-se aquela explosão de luz e vida. Quando finalmente a tampa do bueiro foi aberta, Martha pôde tirar seu pé do buraco e sentou-se em um banco com a ajuda dos passantes. Martha fechou os olhos e sentiu o sol queimando suas bochechas. Ela conseguira agarrar a vida que lhe escapara pelos dedos, e agora não a soltaria mais. O som da chegada da ambulância a despertou de seus devaneios. Ela sorriu.
Texto de Juliana Carvalho
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