Mata fechada
Nos meus rascunhos
Esse amontoado de folhas
Tem meus passos
Feito de leves rabiscos
Arrastados pelo relevo dos amassados
É ilegível
É intenso
Planalto hoje
Depressão amanhã
Assim anda
A linha torta com fim abrupto
Um penhasco silencioso
É um rasgado inesperado
Vítima do inevitável
Alguns traços apagaram
Esvaiu-se a tinta
Não recarreguei
Ou ela estourou
Não cuidei
Estava na minha mão
Agora ela se encontra suja
Cheia de erros negros
Nada que eu faça apagará
Meu trilho rabiscado
Nesse manto branco
De folhas mortas
Uma floresta enigmática
Bagunçada
Versos tortos
Estrofes inacabadas
Títulos inexistentes
Finais insuportáveis
Rimas inalcançáveis
Palavras irremediáveis
Letras enterradas
Um livro fechado
Capa dura
Alguém está na procura...
HUGO BORGES













