uh... look what you just made...
A primeira melodia ambientou todo o cenário da floresta em mistério, como se algo estivesse a espreita nas árvores e se aproximava um pouco mais a cada vez que uma nova melodia tocava, seguida de outra e mais outra, moldando a composição sonora da canção que se iniciava. Sobre o palco haviam dois pedestais e dois feches de luz descendo sobre eles — toda o restante estava imerso na escuridão.
Em um dos pedestais, posicionado de forma dramática ao se sustentar com o apoio da haste de ferro que segurava o microfone, estava o anjo. O corpo era magricelo e haviam traços sinuosos aqui e ali, como na curva da cintura, abaixo do peitoral, na altura das costelas e no abdômen. Havia muita pele exposta. A falta de algo lhe cobrindo o busto e o tom muito próximo de sua pele que prevalecia na meia-calça estilo bailarino brincava com a nudez. A única coisa que lhe vestia eram um par de longas asas de anjo. Majestosas. Curvadas para baixo até a altura das panturrilhas, em um degradê confuso de cores que oscilavam do branco ao azul e o marrom, como as asas de alguma criatura exótica demais. Os cabelos estavam arrumados em ondulações bagunçadas, como as de alguém que enfrentara ventos fortes no caminho. A face, mais pálida que o normal, destacando bem as linhas vermelhas que delineavam os olhos e as gotas de lágrimas brilhantes que congelaram em sua pele.
Taylor Wright era um anjo caído naquela noite de Halloween.
E honestamente, ele estava tentado a sucumbir mais aos pecados dos homens enquanto estivesse naquela festa. Ele já havia caído de qualquer forma.
A melodia da canção sentenciou-o a confessar com a voz rouca e compassada as palavras que acompanhavam os primeiros versos — estava na hora de cantar, e daquela vez ele não estava sozinho ali.
“I don't like your little games, don't like your tilted stage... The role you made me play, of the fool, no, I don't like you!”
A primeira batida da canção e as luzes se acenderam, trazendo-o a imagem mais nítida de @mayamanwani no pedestal ao lado. Ele serpenteou na direção da garota, reconhecendo nela um alvo imediato para as palavras que proferia por ali, com disciplina e pura apatia proposta ao cantar as consequências de um jogo sujo.
Look What You Made Us Do...
“I don't like your perfect crime, how you laugh when you lie. You said the gun was mine, isn't cool, no, I don't like you!”















