Fazia um ano da morte do meu pai, nessa época eu aproveitava para dormir nos lugares e tentar encontrar a presença dele. Já haviam acontecido diversas experiências nas quais consegui conversar com ele, outra apenas o abraçava e percebia que ele não tinha total compreensão de onde se encontrava.. naquele momento eu já acreditava que ele estava buscando algum tipo de entendimento, então acreditei que talvez eu poderia visitá-lo.
Pois bem, quando percebi lá estava eu assistindo a um show de tv, acontecia em um teatro, o apresentador se vestia como mágico e fazia diversos truques, a plateia estava super empolgada e me perguntei o que eu estava fazendo naquele local. Minha presença ainda não tinha sido percebida, e isso também não importava muito quando não se tem esse conhecimento. Ao meu ver, aquilo era apenas um sonho comum, e sempre que eu estava em sonhos comuns, aproveitava ao máximo pra fazer o que quisesse.
Quando o show acabou fui a um lobby que ficava por trás das cortinas, onde encontrei minha tia, ela estava seduzida pelo mágico, ele passava a mão no cabelo dela enquanto olhava em seus olhos, o “bicho” tinha unhas grandes da cor de sangue, seu rosto oscilava entre uma máscara e um homem sorrindo com os cabelos penteados para trás, foi quando percebi o rosto que ele tinha e como se apresentava. Quando ele saiu para pegar uma bebida me aproveitei da situação e tentei despertar a minha tia daquela hipnose profunda, não consegui. Ela estava presa naquele abismo, foi então que abri uma saída e criei um corredor para fugir daquele ambiente, logo a entidade transvestida de mágico percebeu a minha presença (Não posso usar o nome das entidades, mas vou dar apelidos a elas). Logo cheguei a um salão onde tinha diversas oferendas, todas para ele e as outras 3 que o acompanhavam, mas ainda não haviam se apresentado, criei portas por todo o trajeto que fiz, assim levaria mais tempo até chegarem a minha presença. Aquele não era o meu ambiente, eu precisava sair de lá e ao mesmo tempo tirar um dos corpos da minha tia que estava preso naquela hipnose, foi quando entendi o motivo de estar naquele lugar. Mas ao mesmo tempo quis aproveitar a oportunidade, pois estava cego pela ideia de procurar o meu pai.
Decidi tomar a pior das decisões, absorvi a oferenda para mim, decidi pagar o preço de imediato e depois eu me resolvia, eles abririam mão dela e viriam por mim. Então o fiz, certas atitudes funcionam apenas como certezas, você não pode duvidar, deve querer que aquilo aconteça e simplesmente aceitar a mudança. Quando senti a alteração e o acordo de livrar ela por mim, já era tarde, todas as entidades estavam na última porta que criei, as fechaduras estavam quebrando e eu estava fraco por ter feito aquilo. Então virei para a parede vermelha que estava atrás de mim e abri uma janela para um lugar de acolhimento parecido com o “Nosso lar”, eu não tinha autorização para ir em ambientes assim fazer qualquer coisa, mas essa foi a minha decisão, se eu sei fazer, porque não fazer? não tinha o critério do peso das minhas escolhas.
Não sou a melhor pessoa em detalhar as coisas, tanto que não dei importância aos detalhes sombrios e a mobília rustica do ambiente tenebroso que me encontrava, mas quando abri a janela viva para a cidade de luz as coisas foram bem diferentes, não pensei duas vezes e atravessei flutuando para o outro lado, lá as entidades não teriam como me seguir, o padrão vibratório era o primeiro a limitar essa experiência para eles.
Ao entrar na cidade, estive na sobrevoando uma grande quantidade de pessoas, mas tentando me concentrar na energia de meu pai, acreditei que por ter aberto a janela naquela cidade em especial, possivelmente ele estaria lá, só que a cidade tinha uma barreira e estava me expulsando, a minha vontade não era a correta e eu não deveria estar naquele lugar. Eu sabia que meu tempo era pouco, se fosse passar para os nosso relógios, seriam algo como 5 minutos, 4 voando e 1 descendo. estava indo em direção e uma grande flor branca, ou pelo menos me parece isso, era um monumento aberto, onde todos podiam passar pela frente, era quase que central na cidade, na parte de trás dele tinha um pequeno lago, na sua frente um espaço aberto de circulação e na sua redondeza alguns campos como se fossem praças que compunham a paisagem daquela magnífica cidade.
Foi isso, não sou o melhor em dar detalhes, e tem alguns que nem posso escrever, mas acabei sendo puxado pra fora e acordei da pior maneira possível. Tossindo como se fosse um turbeculoso em estado terminal, minha garganta estava cheia de agulhas, cheia, tudo da magia que engoli. As entidades estavam no meu quarto, e naquele período o louvor era meu maior companheiro em batalhas. Foi assim que afastei a presença delas e pude me limpar depois.