Eleanor poderia ser obtusa ao ponto de não perceber flertes discretos, mas sabia, como ninguém, notificar olhares apaixonados. Era a sua grande especialidade! Junto de, é claro, irritar qualquer pessoa que esteja a menos de dois metros de si. Fazia um tempo considerável desde a última vez que conversara com Meliora — tinha sua parcela de culpa, mas, em seu âmago, acreditava ser total da outra —, mas sentia que a conhecia perfeitamente, ainda. Foi com esse pensamento que se pegou observando a ex-amiga conversando com sua atual (e antiga) amiga, Linda. Reconhecia aquele olhar. Já havia o visto inúmeras vezes em outras pessoas e, embora não soubesse se ela o portava na companhia do próprio namorado, ela tinha certeza que estava estampado no rosto da ruiva. Foi assim que, ao esperar Linda adentrar os jardins, não demorou para chegar perto da Dunbroch, um sorrisinho pairando em seus lábios. “Você sempre gostou dela e eu era muito cega ou é algo recente?” Foi seu modo de afirmar a própria presença, os braços cruzados num arquear de sobrancelha, forjando uma expressão desconfiada. “E eu sei que você me conhece o suficiente para não tentar me enganar, espero. Posso ter menos espinhas do que da última vez que fizemos um sleepover, mas a insistência é a mesma, ou pior.” Não perdeu a chance de alfinetá-la, o rancor ainda guardado no peito.