E foi assistindo um filme clichê e ridículo como “A culpa é das estrelas” que eu vi a bobagem que eu estava fazendo com o que eu sou. Enquanto o filme passava e a minha crise de riso aumentava, não só pela falta de compreensão do o que eu estava fazendo ali, mas também, pelas falsas descrições da dor de um coração partido. Uma sensação ruim me esfaqueou e, caramba, como doeu. Acho que depois que toda aquela nossa bagunça acabou eu nunca fiquei tanto tempo sozinha, nunca parei pra pensar e, você sabe da minha implicância doentia com romances melodramáticos, e percebi que eu nunca fui feliz e nunca fiquei satisfeita comigo mesma.
Amava quem eu era com você mas sem você eu me tornei muito menos do que eu era antes de te conhecer. Eu nunca fui completa. Essa é a verdade. Não que me falte um braço ou uma perna, nem os dentes (Deus me livre da falta de dentes!) mas, me falta alma, me falta felicidade, me falta vida.
A opacidade da morte, da plena escuridão, do nada em que vivo e do que vivo, tenha sido chocante demais pra tudo que eu consigo suportar. Aonde foi que nos perdemos? Eu fui tão completa, tão inteira; fui toda sua. TODA SUA. Sem restrições, censuras, exageros, máscaras eu fui inteiramente você. Talvez esse tenha sido meu maior erro: eu fui muito você e pouco eu. Eu amei e esperei ser amada também mas, só eu amei. Era só eu, sempre eu. Mas eu fui cega demais pra ver que nunca foi você, ai tive que partir. Parti porque me perdi de você; não estávamos mais lado a lado, você estava bem a frente. Agora? Agora, não importa pra onde eu olhe, não te vejo, não te encontro, não te rastreio.