eu não posso mais. eu não quero mais te ver. e dizer isso aqui pra você é totalmente hipócrita porque eu o faço na esperança de que você me convença a ficar. porque aí eu vou achar que você se importa, quando, na verdade, eu também vou achar que não passa de pura manutenção de ego. manutenção de egoísmo. será? eu nunca sei. eu nunca sei se você me mantém porque massageio o seu ego ou porque você realmente se importa e me quer por perto. mas é que eu não consigo. mesmo que seja moderno. mesmo que todo o mundo faça. tá em alta hoje em dia, ne. ter um relacionamento aberto. eu, sinceramente, acho fantástico! até que eu vejo você dançando um pouco perto demais de alguma outra garota. sabe aquele dia que eu dormi aí? eu fui toda feliz porque a gente ia passar uma noite inteirinha junto. eu sei que a casa é sua, a cama é sua, a vida é sua e que eu não sou nada sua, mas aquele cheiro de perfume que tava no seu travesseiro e que não era meu, me fez querer te matar. eu queria pedir a Deus coragem e toda a força do mundo pra meter o cotovelo bem no meio das suas costelas toda vez que você vinha me abraçar durante a noite. ou pra quebrar seus dedos quando você segurou minha mão com força e finalmente dormiu. mas eu sou adulta e acho super descolado ter um relacionamento aberto e casual. tão mais prático! tão simples seria essa vida, meu Deus. mas aí entra aquele se. o se de se eu não fosse complicada. gente complicada como eu, tem que complicar tudo, porque senão, perde a graça. na verdade, é só porque a gente é maluco mesmo e às vezes tem preguiça de ir a terapia enquanto a receita do benzo estiver em dia. salvem os benzos! salve a farmacoterapia! mas então eu poderia simplesmente seguir em frente. te ignorar o resto da vida. talvez sorrir quando te encontrar pelas esquinas e bater aquele papo furado. ou eu podia te ignorar completamente, como se você não tivesse significado nada pra mim, o que me faz pensar que em qualquer uma dessas situações, no final das contas, sou eu que me fodo. porque enquanto você passa com a sua cerveja cara, ri e recebe atenção de todos a sua volta, sou eu que me descabelo por dentro. porque por um bom tempo eu vou morrer com os seus olhares, porque eu sei que por mais que a gente separe e o tempo passe, você sempre vai me comer com esses seus olhos loucos e dissimulados. coitada de Capitu se achou que era a única a tê-los. você dá de dez a zero nela. e então eu, usuária de benzos, vou ficar a analisar minhas indecisões, se todo esse seu olhar seria porque você sente minha falta ou se seria apenas porque eu sou só mais um rabo de saia passando por aí, aleatória como todas as outras que você olha do jeito que eu achava que era só pra mim
amantelar


















