Eu queria dizer que tá chovendo e eu não gosto daqueles pingos pesados que caem do nada, eu prefiro aquela chuva fininha que cai em constância. Te molha e te molha por inteira, mas é tão gostosa que não é um incômodo. Então, eu não corro. E observo os outros correrem, se esconderem debaixo da primeira marquise. Às pressas e sem cuidado algum de esbarrarem a ponta do guarda chuva em alguém. E doi. Eu continuo observando. Tá ventando. Possíveis desastres em dias como este que tornam tudo mais caótico. Desastres que soam como brincadeira para a garotinha ao meu lado. Ela ri e a risada dela é tão gostosa que tenho vontade de gravar e colocar numa playlist secreta do spotify. De repente, ela e a chuva se tornam harmônicas e eu não sei diferenciar mais o que é o que. Eu não ligo. A composição é linda. A mãe dela a chama de dentro da padaria e ela me dá um largo sorriso de despedida e sai correndo... A gente nem havia trocado uma palavra. O sorriso dela é daqueles que dá esperanças. Ela tá sem os dois dentes da frente e tava segurando outro na mão. Tava sangrando, mas ela tá bem, pq a mãe comprou sorvete de côco. Eram 6:30 da manhã. O dia tinha tudo pra ser uma merda, mas foi um dos melhores.













