“Cheguei em casa. Coloquei meu sobretudo em cima da mesa, junto com meu óculos de sol. E estava em Paris. A cidade luz, onde os sonhos realizavam e respirávamos amor. Eu queria estar em Verona, mas eu cismava em ficar naquela cidade. O por quê eu não sabia, mas algo me dizia que pertencia àquela cidade. Quando andava na rua, via aqueles poetas no barzinhos da esquina. Todos olhavam para mim, mas eu seguia em frente. Talvez eles nunca se atreveriam a me amar, por eu ser uma típica cidadã que não é fácil de conquistar. Quando algum homem tentava me passar para trás, eu roubava todos seus sentidos, forças e desejos. Roubava e jogava fora. Então, seu coração quebrava e eles continuavam apaixonados por mim. Respirava um pseudo ar amorizado, mas nunca o verdadeiro. Acho que não é hora. Acho que não agora. Talvez. Talvez quando eu terminar meu primeiro livro. Talvez quando eu conseguir me amar por completo. Talvez quando eu conseguir viver ao lado da solidão. Por enquanto fico aqui, arranjando motivos para reencontrar Julieta em Verona, quem sabe, ela possa me consolar e trazer esperança ao meu modo de pensar. Já dizia a lenda, que quando abrimos o coração para ela, o amor bate a porta quando nós menos esperamos. Enquanto isso, fico nessa cidade. Estudando a filosofia do amor. Estudando a matemática do compromisso. Estudando a métrica da conquista. Estudando a química dos beijos apaixonados. Estudando a física que atrai os corpos dos amantes. E tentando entender geografia, para saber em qual lugar, fuso, dia, hemisférico encontra-se o amor verdadeiro. Mas, Verona agora não. Quem sabe ano que vem."
Texto redigido e recitado por: A voz da arte, Livia Gualberto.

















