Ouvi o barulho da água e perguntei pra Deus (de olhos fechados): Afinal, por que as pessoas existem? Por um momento, ouvi um silêncio vindo dos céu, e logo depois, ouvi o rugido do vento, mas não entendi a sua resposta. Abri meus olhos, olhei ao redor e não vi ninguém. Aquela praia parecia um lugar tão calmo, e a cidade, ao contrário dela, tão turbulenta. Minha vida poderia ser igualzinha a uma praia: bonita, solitária e rara (vezes, calmaria, vezes, turbulência). Eu seria a única responsável por me fazer feliz; a única responsável, se caso, eu quisesse estar triste. As pessoas jamais poderiam vir a intervir nas minhas decisões, nos meus sentimentos, no meu cotidiano.Tudo ficaria mais fácil, não acha? Eu me livraria do maldito relógio que ditam as horas. Não ficaria presa a horários. O meu piano teria como acompanhante a orquestra do oceano. Eu amaria o mar, e o mar, nunca me decepcionaria. Minha melhor amiga seria a lua e eu saberia quando ela estivesse brava comigo, caso ela não quisesse aparecer para mim. Teria de estudar, sozinha, cada astro que brilha no céu, sendo estrela ou não. Sentiria todos os dias os grãozinhos de areia nos meus pés e a água me puxando para trás. Viajaria para longe dali, caso eu enjoasse de lá, com os golfinhos descobrindo ilhas que, talvez, você não faça ideia de possam existir. E viveria bem. Mas, não seria nada demais se você não estivesse lá. A praia não seria apenas uma praia e as horas fariam sentido, porque passariam tão rápidas ao seu lado, como a brisa noturna gelada que toca na minha pele (quando ela passa ela deixa marcas e suspiros arrebatadores). O meu piano tocaria tão rapidamente a sinfonia dos nossos corações quando nos visse beijar tão enlouquecidamente (seus acordes ganhariam mais sentido). E o mar teria ciúmes da sua bravura e coragem, teria ciúmes, também, por ser humano, por ter braços para me abraçar quando eu me sentisse perdida no mundo, ou sozinha, como na maioria das vezes estou. Não estudaríamos os astros, passaríamos a apenas contempla-los e analisarmos o brilho, a intensidade e a distância de cada um. Matematizaríamos o universo de uma forma totalmente inovadora. Sentiria que haveria alguém contra a maré, me puxando para frente, quando eu tivesse medo de recomeçar. Viajaria contigo para todos os lugares, e até os mesmos, e sempre encontraríamos coisas diferentes para colocar no nosso livro de descobertas. E usaríamos a lua como referência, quando você não estivesse perto de mim, ela seria a mesma e eu teria certeza que você estaria olhando para ela, onde quer que nós estivéssemos. Mas, eu tenho medo. Eu não sei se você me ama. E eu não entendo porque você não está aqui, quando o que eu mais quero era que você estivesse. Então, depois de indagar tudo isso, eu senti o sol quase me cegar e ouvi uma voz ao longe dizer: Ele não é o certo para você.”
Texto redigido e recitado por: A voz da arte, Livia Gualberto.