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Annabelle 2 - A Criação do mal (Creation)
#LendoIT - parte 5 (FINAL)
Nota: 4/5
A última parte da coisa reúne a conclusão do último confronto com A Coisa, 27 anos atrás e o confronto atual. Novos elementos são adicionados à trama e há momentos de tensão quando os amigos fazem o ritual que chamam de Chüd, bem nas profundezas de Derry. Enquanto lia percebi que “A coisa” é, na verdade, uma representação do que é o mal para o autor. King vê e retrata o mal em suas histórias como se fosse algo externo e não inerente ao ser humano: assim como a feiticeira chegou em Narnia depois da criação desse mundo por Aslam, a coisa também chegou ao mundo depoisé é mais antiga do que os seres humanos. A Coisa é o mal sem explicação, o mal puro, e pode influenciar as pessoas ao seu redor, aqueles que estão vazios, e levá-los a atos horríveis ou atitudes de indiferença frente ao absurdo. Derry está contaminada por essa coisa, por esse mal e todos os habitantes parecem ser mais ou menos influenciados por ela (é por isso que tantas coisas ruins acontecem em Derry). “A Coisa”, o externalização do mal, se alimenta de crianças, literal e metaforicamente: é a fé das crianças que o monstro do mal quer, uma fé que é capaz de acreditar em coisas que os adultos esqueceram faz tempo. Mas essa fé também pode ser um poder: é necessária certa dose de fé para encarar o mal nos olhos e não enlouquecer de vez e isso falta nos adultos. Stan, que sempre foi adulto para sua idade, enlouqueceu frente ao mal puro que é a coisa. E os amigos, se quiserem realmente derrotar esse mal, terão que recuperar esse algo infantil de 27 anos atrás.
Não quero dar Spoiler nesse final e ainda estou refletindo sobre tudo o que esse livro me causou. Há certamente muitos pontos positivos e que dialogaram comigo: no fundo é uma história sobre o bem e o mal, sobre amor, amizade e infância. Há também aquela nostalgia melancólica das histórias do autor, aquela sensação de que as coisas jamais serão como antes. Isso é triste mas também é muito bonito. Eu senti tudo isso nesse final porém a parte racional dentro de mim, continua dizendo que essa história levou páginas demais para ser contada, que King passou dos limites, que X ou Y não poderia ter acontecido. A hiper utilização dA Coisa quase atrapalha o desfecho - chega um ponto em que paramos de sentir medo de suas ilusões. Felizmente o autor conseguiu reverter um pouco disso, mas ainda fica a sensação de exagero. Talvez essa reclamação toda tenha certa rá, ao de ser e vou me debruçar sobre isso qndo escrever a resenha do livro para o blog. No momento quero apenas finalizar essa história e pensar nos personagens incríveis que conheci aqui.
P.S.: ainda dá tempo de dizer que amo a meta linguagem nesse livro? A forma como o narrador e os personagens dizem coisa do tipo “se isso fosse uma história…” ou “isso não é um livro ou um filme”. Faz com que a história pareça mais real.
#LendoIT - parte 3 (comentários)
Nota: 2,5 /5 A terceira parte de IT conta a história dos 7 amigos, agora adultos, e de seu retorno a Derry após cerca de 25 anos. No último final dessa parte há um interludio, em que mais uma parte da história de Derry é revelada. Não há muito a dizer sobre essa parte, é mais o reencontro daqueles que fizeram a promessa a tanto tempo atrás (ao menos 6 deles) e suas histórias sobre andar por Derry mesmo depois de tanto tempo. Acontece que, para quem acabou de ler sobre a infância desses personagens, ler sobre eles relembrando (quase) tudo pode parecer um pouco repetitivo. Percebi durante a leitura de IT que essa história também perde um pouco de sua força quando seus protagonistas crescem: há algo na figura dA Coisa que só faz sentido quando nos colocamos na pele ou observamos sob o ponto de vista de uma criança. Dito tudo isso, não é de se surpreender eu não ter gostado muito dessa parte. A escrita de Stephen King continua muito boa mas, pela primeira vez, me questionei sobre a necessidade de uma história dessa envergadura: Acho que se o enfoque fosse só no passado, a história seria muito mais incrível. Infelizmente, com todas essas "camadas" (o presente, os diários, as manchetes de jornal) a história de Derry acabou se tornando um pouco maçante. Talvez por esse motivo, todas as aparições de Pennywise nessa parte tiveram algo de ridículo: perde a graça quando você vê o monstro toda hora. Acho que vou dar um tempo antes da parte 4, estou um pouco cansada de Derry. Mas, assim como os protagonistas quando finalmente retornam a cidade, percebo que é muito tarde para voltar atrás. Não se trata aqui de nenhum pacto fáustico ou necessidade de enfrentar uma criatura que vive nos esgotos: não posso abandonar IT porque já li mais de 600 das suas 1100 páginas (e também porque quero ver onde isso vai dar).
#LendoIT - parte 2 (comentários)
Nota: 4/5 A parte dois de IT se concentrou na infância dos seis amigos em Derry. Embora ainda não tenha contado os fatos principais daquele verão, King se encarregou de mostrar aqui como essas pessoas se juntaram e o que eles viram de tão assustador naqueles tempos. Eu tinha tido antes que tinha algo de Stranger Things nessas narrativas sobre o passado dos amigos e, embora ainda não tenha visto a série completa, essa impressão se acentuou ainda mais nessa parte. Gostei muito dessa segunda parte, há algo de nostálgico na forma como os acontecimentos aqui são narrados - mesmo com o medo cercando tudo. Alguns medos dos meninos (e menina) me assustaram também outros nem tanto, mas foi legal acompanhar esses momentos. No Skoob coloquei que os livros que já li até hoje do Stephen King, tinham dois elementos principais: 1- Há sempre um elemento fantástico muito forte que exige do leitor não só que deixe de pensar no quanto tudo aquilo é irreal, mas que também releve o absurdo da situação. Os leitores que gostam de King normalmente são aqueles que se deixam levar sem ficar se perguntando se essa ou aquela cena poderia mesmo acontecer ou sobre realismo. 2- por mais que seja uma história de terror, há sempre um elemento de tristeza, pesar e melancolia no texto. Os livros desse autor de assustam em um momento e em outro de levam lágrimas aos olhos. Em IT, a nostalgia de alguns momentos foi bem melancólica mas uma das cenas que eu achei mais tristes e, ao mesmo tempo, mais assustadoras, foi quando Richie e Bill vão conferir o que há numa casa abandonada. Não posso realmente colocar em palavras mas a adoração que Richie e os garotos tinham sobre Bill me emocionou. Imagino que, com eles adultos, isso tenha se perdido, mas gostei de ver essa inocência deles na juventude. Quando eu pensei que essa segunda parte não poderia ficar melhor, eis que surge Dick Halloween, o cozinheiro do hotel Overlook, do livro O Iluminado. Dick aparece em uma recordação de um dos personagens mas gostei de vê-lo em ação, exercendo seu lado Iluminado novamente. Me faz pensar se todos os livros de Stephen King não se passam no mesmo universo - se sim, mal posso esperar pelas referências que terei futuramente lendo os livros dele. Só não dei a nota máxima pq coisas melhores ainda podem acontecer. Mas estou amando esse livro.