Sempre escrevi. Até quando eu não escrevia eu já escrevia, contando estórias ...
A pergunta que não quer calar: por que deixamos de fazer as coisas que tanto gostamos? Por que eu parei de escrever? Por que eu parei de fazer artesanato? Por que? Por que?
Tenho uma pasta com “zilhões” de papéis preciosos. Cada um de um momento, com diferentes datas e todos, com muita originalidade.
Também escrevia contos quando era mais jovem. Sabe aquelas “porcarias” estilo revista “Sabrina”? Então ... parecido com aquilo, só que rápidos. Eu tinha uma professora de português que vivia dizendo para publica-los, mas eu morria de vergonha. Vou procura-los, e, caso encontre algum eu posto.
A gente fala que a adolescência é a fase mais complicada da existência humana, mas confesso que acredito que todas são. Cada um com sua particularidade.
Quando chegamos na vida adulta e começamos a nos deparar com as verdadeiras responsabilidades, aquele brilho no olhar, aquela vontade de mudar o mundo, desvendar o universo vai adormecendo ... as brigas são outras nessa fase, os leões são maiores e mais robustos e matá-los requer muito mais pé no chão do que quando éramos adolescentes.
Isso deveria ser proibido. Definitivamente.
Quando perdemos um pouco desse brilho pela vida, quando perdemos o “tesão” pela descoberta morremos um pouco.
Aliás, viver é morrer um pouco à cada dia. Cada dia à mais na verdade é um dia à menos. Por isso considero essa “evolução” meio criminosa.
Eu nunca quis ser uma pessoa de extremo sucesso (profissionalmente falando). Gosto do simples. Gosto de passar despercebido. Eu deveria ter ouvido minha mãe e optado pelo magistrado. Teria me tornado professora (apesar de não ser uma profissão com o reconhecimento merecido) e a situação atual da educação do brasil (sim, letra minúscula mesmo, não foi um erro) justificaria minha frustração.
Porque frustração? Porque sim. Explicações só pra mim mesma.
No auge dos meus 40 anos já caminhei por inúmeros caminhos. Já me reinventei milhões de vezes. Já dei nó em pingo d’água, vi as situações de diversos ângulos e hoje, consigo ser expectadora da minha vida, realizar uma auto analise e tento buscar algumas respostas no meu passado e, principalmente, dentro de mim.
Não que eu consiga mas, de alguma forma eu tento (e como sempre digo – faço meu melhor).
Pois eu parei de escrever gradativamente. Fui deixando esse prazer de lado assim como outros prazeres. Aquela velha pasta com os elásticos já frouxos e sem funcionalidade alguma ficou trancafiado dentro do armário por anos e anos à fio. Eu nem sequer lembrava mais o que tinha ali dentro.
O livro que escrevi então ... coitado. Esquecido.
Mas a alma grita. Uma hora ou outra ela grita e bem alto. Nos envolvemos tanto com a rotina, nos distanciamos tanto da nossa própria essência que, antes de sucumbir, recebemos um pedido de resgate (interno).
Não me lembro ao certo quem comentou que a fase adulta é “esquecível”.
Você está tão preso à obrigações, à preparar-se para sua aposentadoria (ou estava, porque agora, esquece!), à pensar no que será melhor pro seu filho(a), à pagar contas, conquistar uma casa, um carro, um emprego estável, em manter a casa em ordem, em falar inglês, espanhol, francês, mandarim ... que você trabalha, trabalha e trabalha. Então, quando se dá conta ... o tempo passou ...
Caso não tenha sofrido um infarto fulminante no meio do caminho ou tido outra situação que interrompeu a jornada, você finalmente chega à tal terceira idade e ... não viu a vida passar.
Você tem as incríveis lembranças da adolescência/juventude e então ... então ...
Pois bem, caso tenha feito a coisa certa (?), agora é hora de aproveitar.
Será que é isso que quero pra mim?
Essa balela de que “faça o que ama e nunca terá que trabalhar na vida” é frase de quem nasceu em berço de ouro. Ninguém sobrevive só com amor.
Eu quis ser socióloga. Dá dinheiro? Não. Então próximo.
Quis cursar filosofia. Dá dinheiro? Claro que não!! Então próximo.
Eu quis ser médica (neuropsiquiatra – desde pequena). Dá dinheiro? Depende. Passou em universidade pública? Não. Meu pai tinha dinheiro pra me bancar? Também não. Próximo.
Então eu quis ser psicóloga. Dá dinheiro? Não. O mercado está precisando do profissional da área? Não. Próximo.
Cara, que absurdo um jovem ter que submeter-se à tamanha pressão como se isso fosse definir seu sucesso pelo o resto da sua vida ...
Por fim ... “nossa, você é tão criativa, escreve bem, tem idéias boas ... vai fazer publicidade e propaganda” ... e eu fui.
Valeu à pena só por ter conhecido o Henrique ... (olha eu aqui denovo falando dele) ... e para que, caso necessário, eu fique em cela especial (nem sei se ainda é válida essa regra).
Anos se passaram. Meu expertise com pessoas nunca veio por conta da faculdade. Ou você tem, ou você não tem. Ponto.
Fui atendente de telemarketing. Fui analista. Fui cabeleireira. Fui faxineira. Vendedora (odiei). Fui chefiada e já liderei (são coisas diferentes, pode acreditar). Deixei legado por onde passei, fiz amigos. Fui esquecida. Fui (sou lembrada). Já elogiei e fui elogiada. Me senti a pior mas também já me senti bem (nunca a melhor, porque ninguém é melhor do que ninguém).
Estou feliz que tenha tido a oportunidade de ouvir meus berros internos ainda aos 40. Tenho metade ou pouco menos da metade ainda pela frente e não quero chegar no fim da vida pensando que tive uma fase “esquecível”.
Quero lembrar de cada evolução do crescimento da minha filha. Quero pensar que fiz coisas que eu gosto porque as resgatei à tempo.
Não tem problema se deixei de comprar um quadro de XXXX reais e comprei um similar de X reais porque o dinheiro não alcançou, o importante é que o de X reais desempenhou o mesmo papel do outro e o melhor, eu tive o prazer de desfrutar de muitas horas a mais com pessoas que eu amo, fazendo coisas que eu gosto.
Não quero perder minha paz de espírito. Não mais uma vez.
Vou me reinventar (denovo). Estou tentando. Volto a dar nó em pingo d’água se necessário. Quero lidar com pessoas como sempre fiz, mas quero faze-las feliz. E ser feliz ...
E então eu resgatei aquela velha pasta esquecida no armário.
Coloquei meus dotes de datilografia em xeque, resolvi fazer os dedos trabalharem na velocidade dos meus pensamentos ...
- pausa aqui para um agradecimento especial ao amigo Rodrigo Bueno, dono do Coluna Torta do 15, que me redespertou a paixão pela escrita e me fez perceber o quanto isso me fazia falta –
... estou buscando uma plataforma para publicar meu livro (sim, mesmo tendo sido escrito há mais de 20 anos eu vou publica-lo) e preciso descobrir também uma plataforma que permita leitores não cadastrados comentar as postagens e contabilize os acessos (antigamente isso era possível – vou entrar de cabeça e reaprender html).
Uma coisa que amo de verdade é moda. Gostaria muito de entrar pro mundo da moda. Moda Plus Size, claro. Acho que as opções são péssimas e o preço é abusivo. Acredito no estilo e estou estudando carinhosamente a possibilidade de começar a prestar coaching. Quem sabe ... vou usar da minha experiência para fazer as pessoas felizes e claro, ser feliz !!