Com a ajuda de vocês, conseguimos tornar esse pequeno projeto em um lar confortável para diversos personagens, assim como seus respectivos jogadores. Nada poderia nos fazer mais feliz do que saber que o nosso esforço atingiu seu objetivo, e por isso viemos através de algumas palavras agradecê-los pelo esforço, tempo e amor que dedicaram ao nosso RPG. Gumyoji foi fruto de meses de muito trabalho para finalmente sair do papel e pular mundo afora, e não nos arrependemos de nada. Infelizmente, devido a múltiplos fatores, nós da moderação chegamos a conclusão de que nosso cantinho precisa de um descanso. Estaremos entrando em HIATUS a partir de hoje, 19/06, sem previsão de retorno.
Aos que gostam de participar de jogos ou até mesmo de moderar, pedimos que fiquem atentos, pois temos muitos planos futuros e adoraríamos tê-los conosco. Assim que tivermos boas notícias, faremos questão de atualizá-los por aqui e pelo Twitter, para que possamos assim nos divertirmos ainda mais no futuro.
O tumblr é usado pra checagem de atividade, né? Se for assim, eu teria a sugestão de migrar pro yoble. É algo cabível?
Boa noite, anon. Então, o Yoble é um site ótimo, mas como todos sabem, ele frequentemente sai do ar e como o nosso sistema precisa estar sempre em movimento, é muito arriscado. Já o Tumblr é mais confiável, assim como também tem ferramentas mais conhecidas pela maioria. Gosto muito do Yoble por ser nostálgico, mas realmente não seria possível fazer uma mudança dessas.
O que vocês pensam sobre esse racebending que ocorre na comunidade? Assim, dá pra entender que muita gente não conhece fc japonês, mas apagar completamente a nacionalidade original do fc não é até meio desrespeitoso?
Nós já discutimos muito esse assunto, inclusive temos um post AQUI para aqueles que desejam conhecer mais FC japoneses, já que recomendamos sempre o uso destes para ilustrar os personagens de origem nipônica, mas respeitamos a decisão de alguns players quanto a utilização de faceclaims de outras etnias, visto que muitas vezes é escolhida uma face com base em seu rosto e senso de moda, e não na sua raça, cor ou etnia. Por fim, devemos informar que apenas 5.64% dos nossos personagens utilizam FC coreanos/chineses/etc para representar personagens inteiramente nipônicos.
Um grupo/trio de amigos que não acredita na semana de luto combina de fazer jogos assustadores na floresta, para assim comprovar a existência de espíritos.
Um som estridente assusta seu animalzinho de estimação, que acaba fugindo e se escondendo na floresta durante a noite. Você chama ajuda, mas fica impaciente e acaba decidindo que deve salvá-lo sozinho.
Desde muito cedo sempre teve medo da semana de luto, por isso, é quase tradição que você tranque as portas e acenda velas, esperando que a proteção dos Deuses funcione.
Você não é acostumado com a cultura local, então fica realmente assustado com as histórias e acaba chamando alguns amigos para um jantar coletivo. Infelizmente, apenas alguns amigos aparecem, e coisas estranhas parecem estar acontecendo lá fora.
Você adora histórias assustadoras e a época não poderia ser mais divertida para si. Com uma maquiagem assustadora e roupas características, decide que irá distribuir sustos e pegadinhas pelas ruas.
Você bebe demais e isso torna muito duvidoso as coisas que começa a ver ao anoitecer. Seriam todos esses vultos reais ou apenas frutos da bebedeira?
Você não leva a época muito a sério, mas é responsável por uma criança pequena que morre de medo das histórias. Por mais que quisesse passar as noites livres com os amigos, acaba ficando em casa para confortar a criança.
Você fica preso pra fora de casa e acaba tendo que dormir dentro do carro. Com toda a chuva e o tempo frio, será que teria como piorar?
Você não acredita em espíritos, mas seus amigos tentam de toda forma provar que eles existem, alertando sobre as maldições daqueles que não acendem velas. Você então decide contrariar todas essas histórias, negando seguir os passos de todos os outros.
Quem não conhece YASHIRO? ELE vive em SHIRO e é delegado na KOBAN STATION. As más línguas dizem que ele se parece com TAKASHIMA KOUYOU, mas os bons olhos dizem que não. Ficou curioso? Siga-o no twitter e tumblr.
INFO!
Katsumasa Yashiro.
09/07/1981.
Naceu em Sagamihara, província de Kanagawa, Japão.
Buzen, Shiro.
Delegado da divisão de homicídios na Koban Station.
Se mudou logo depois de um incidente em Tóquio em 2015.
CURIOSIDADES!
· Desde a época de escola, Yashiro era do clube de xadrez. Para si a lógica é tudo.
· Ele detesta crianças; acha que todas são barulhentas e irão fazer bagunça.
· Costuma sair com sua noiva em algumas noites para procurar por pessoas que apimentem a relação deles.
· Ele fuma, no mínimo, uma carteira de cigarros por dia.
· O animal favorito de Yashiro é o hamster. Ele tem um casal dos animais em seu apartamento.
· Não fale aos berros com Katsumasa. As aulas de etiqueta que frequentou lhe ensinaram que isso é algo de muito mal gosto.
· Seu maior vício é café.
· Por ter estudado no Quebec é fluente em inglês, e em função da cidadania de sua esposa, tem conhecimentos básicos em francês.
· Seu tipo favorito de comida é a italiana.
· Se considera um ser notívago.
PERSONALIDADE!
· dissimulação (substantivo feminino)
1. ação ou resultado de dissimular(-se).
2. ocultação, por um indivíduo, de suas verdadeiras intenções e sentimentos; hipocrisia, fingimento.
Em algum momento todos se deparam com aquela pessoa que cativa a todos com poucas palavras. Yashiro era exatamente esse tipo de indivíduo, não precisando de muitas frases para conseguir a atenção de quem o cercava. As histórias, sempre distintas, mostravam um Katsumasa que mais se adequava à situação. Desde os episódios mais tristes até os mais divertidos, o delegado sabia como atuar diante da plateia que eram seus conhecidos. Uma de suas maiores características era a capacidade que tinha de usar as palavras ao seu favor, dissimulando a sua verdadeira essência.
"Which mask do you wanna see on me?"
· controle (substantivo masculino)
1. ato ou efeito de controlar(-se).
2. função que estabelece o curso das operações ou do sistema de processamento de dados.
Independente da situação, Yashiro eram quem mandava. Sequer precisava fazer grande esforço para manipular os acontecimentos, assim como seus resultados. E mesmo que fosse uma característica gritante na personalidade do delegado, ela era muito bem camuflada por sugestões imperativas que resultavam sempre da maneira que ele esperava.
"You shouldn't do it. You will do it. "
· ironia (substantivo feminino)
1. figura por meio da qual se diz o contrário do que se quer dar a entender; uso de palavra ou frase de sentido diverso ou oposto ao que deveria ser empr., para definir ou denominar algo.
Era difícil saber quando Yashiro estava realmente sendo honesto, mas afinal, quem era honesto naquela cidade? As falas irônicas podiam gerar a descontração que todos procuravam, assim como podia estabelecer o mais tenso dos ambientes, fosse na delegacia onde trabalhava ou na mercearia onde comprava seu tão perigoso cigarro. Um bom entendedor iria entender a verdade - ou a mentira - por detrás das palavras tão falsamente verdadeiras de Katsumasa.
"Don't take life too seriously. You will never get out of it alive."
· sexualidade (substantivo feminino)
1. qualidade do que é sexual.
2. conjunto de caracteres especiais, externos ou internos, determinados pelo sexo do indivíduo.
A sexualidade remetia Yashiro à um universo relativo e cheio das mais diversas possibilidades. A busca por prazer não tinha limites. Mesmo sendo noivo de uma bela mulher, as mais diferentes pessoas atraíam o olhar nada casto do delegado que não tinha pudor algum em analisar afundo os corpos que passavam por si na rua. Distinção entre gêneros? Isso não passava de uma mera limitação para aqueles que não entendiam o quão diversificado o prazer poderia ser, mesmo que guardasse tal opinião para si mesmo. Tenha muito cuidado com Katsumasa; quando menos esperar alguém pode acabar caindo nas mais diversas máscaras que o delegado possuía - ou então na cama dele.
"Should we talk in a more reserved place?"
BIOGRAFIA!
First card: クレージー XXII, the fool.
"Esta carta significa a excentricidade e simboliza a descoberta de um mundo novo. Quando já aprendemos tudo o que havia para aprender é tempo de recomeçar. Ela traz a novidade, a insegurança dos novos começos, a incerteza porque ainda não sabemos o que vai acontecer, mas traz em si a promessa de que tudo pode acontecer."
A vida, no fundo, se tratava de uma roleta russa. Qualquer ação poderia resultar na mais inesperada das consequências, ainda mais quando existia um leque de possibilidades tão grande. Depois de uma infância pacata, onde a vida era movimentada apenas pelo clube de xadrez e pela aula de história, não sendo o filho exemplar que os pais tanto queriam, mas sendo comportado o suficiente para ser admirado, a rotina como Yashiro Katsumasa conhecia passou a não existir mais. Como em qualquer escola repleta de adolescentes idiotas, as brincadeiras de mal gosto não demoraram muito tempo para se transformarem em agressões. Uma delas, a que Yashiro mais se lembrava, tinha terminado no banheiro do vestiário, sendo espancado por alguns colegas ante de ter a cabeça imersa na água podre da privada.
O gosto dos dejetos se misturava ao sabor metálico e férreo do sangue que parecia contribuir para que um possível afogamento fosse ainda mais doloroso. Seria sorte se não acabasse vomitando e piorando ainda mais a situação. Talvez soasse clichê, mas o toque sonoro do início das aulas soou como a mais doce das melodia que havia trazido sua vida de volta. No mínimo, um milagre. Ou, no caso de Katsumasa, uma maldição. Ele não era do tipo que ficava se lamentando pelos acontecimentos fatídicos e ruins que aconteciam, tão pouco procurava por uma ajuda ou lutava contra. Sabia que seria estúpido lutar sozinho contra um grupo de retardados, por isso apenas aceitava e esperava que as agressões terminassem. Talvez um pouco doente, mas a mente do jovem, enquanto lidava com a dor dos golpes, já trabalhava em uma vingança dez vezes pior.
Ninguém poderia imaginar que o garoto tão quieto e educado escondia o mais maligno dos comportamentos quando estava longe de seus pais, ou melhor, longe de qualquer um. Diferente dos colegas que gostavam de mostrar seu poder físico e ganhar popularidade com o falso respeito que tentavam impor a cada vez que torturavam alguém, Yashiro era discreto. Esperava o momento exato, calculava e planejava como o mais frio dos psicopatas faria. Nem mesmo o pequeno garoto que era seu vizinho e era deficiente escapava ileso quando a mente de Katsumasa tramava algo insano. Um dia, depois de ser novamente pego nos vestiários, ele decidiu levar seus planos para outro nível. O pai, delegado, gostava de colecionar armas. Uma delas estava cuidadosamente escondida na mochila do jovem que seguiu um de seus agressores na volta do caminho para casa. Ele não queria nada além de brincar. Brincar de roleta russa.
Second card: 判決 XX, the judgment.
"Esta carta alerta para a necessidade de pormos a mão na nossa própria consciência. Estaremos agindo bem? Podemos ser julgados também pelos que nos rodeiam, por isso é muito importante que sejamos sinceros e demos sempre o nosso melhor. O julgamento pode anunciar mudanças na nossa vida, a nível de estrutura e de bases. Esta carta indica que chegou o fim de um ciclo que será avaliado e, conforme o seu desempenho, passará a um novo ciclo."
O que aconteceu naquele dia é um grande mistério até mesmo para Yashiro, que com o bom comportamento que mantinha perto das pessoas certas, conseguiu manipular completamente a situação até que todos se esquecessem por completo das suspeitas que tinham. Com o ensino médio finalizado ele optou por cursar uma faculdade no exterior, pesquisando cuidadosamente o destino que iria escolher. Decidiu passar os próximos anos em uma universidade no Quebec, recebendo grande apoio dos pais que estavam felizes pela escolha do filho em seguir os passos do pai. Estudaria em uma das melhores instituições canadenses, faria sua adaptação e especialização no Japão e, no futuro, ocuparia um cargo alto e de grande influência.
No fundo ele pouco se importava com o local ou a posição. A única coisa que realmente despertava seu interesse era o dinheiro que a profissão poderia trazer. Depois dos anos que passou vivendo naquela maldita província com uma vida humilde, ele acabava quase cego pela promessa de altos lucros que seus mais novos colegas faziam. Mesmo dentro da universidade, as parcerias para que o saldo na conta bancária crescesse rapidamente. Ele vivia em uma dualidade perfeita, se dividindo entre manter a excelência de suas notas e função no trabalho, assim como dedicava boa parte de seu tempo para que cada esquema montado não falhasse. Algumas poucas vezes ele se remetia ao passado agressivo da escola, inclusive pelo fato de ter outros meios para chegar onde desejava e ter sua vingança, quando necessário.
No final da graduação ele conheceu uma jovem tão bela e com uma mente tão maligna quanto a própria. Juntos, iriam longe. As tramas envolvendo desvios junto aos casos que eram rapidamente solucionados envolviam uma boa dose de sexo que não muito tempo depois os levou até um noivado que só seria concretizado em matrimônio quando estivessem de volta ao Japão, em um cargo que trouxessem ainda mais benefícios para ambos.
Third card: 死 XIII, the death.
"Esta carta indica que uma fase na sua vida chegou ao fim, mas ela é positiva, pois lembra que o velho dará lugar ao novo. Muitas pessoas têm receio desta carta, mas a sua mensagem é positiva, pois ela não indica a morte física, mas sim a "morte" de tudo aquilo que já não nos serve, que já não nos faz bem, e que por isso já não tem lugar na nossa vida."
Com a promessa de retorno ao país natal, Yashiro não demorou muito para chegar ao Japão e se integrar ao corpo de polícia da cidade de Tóquio, estando na divisão de homicídios mais movimentada do local. E tal agito tinha um motivo que muitos sequer podiam imaginar. Nem todo esquema de corrupção era bem sucedido. Muito desvio de dinheiro tinha um final trágico, mesmo que na maioria das vezes Katsumasa não estivesse realmente envolvido. Poucas mortes foram por suas mãos, e as que tinham sido de sua autoria eram acobertadas pelo cargo de influência e pela experiência que tinha para esconder cada uma das provas. Porém, assim como o bom delegado que era, nem todas as provas podiam ser apagadas.
Ninguém podia negar que o trabalho que exercia na delegacia era exemplar. Os casos eram rapidamente solucionados, os relatórios eram os mais detalhados possível e eram entregues no menor espaço de tempo. Seu futuro era promissor na área, talvez tivesse herdado a habilidade que o pai tinha para tal função. Mesmo assim existia um único caso que não chegava em suas mãos. A pasta estava com o delegado de narcotráfico, e por algum motivo completamente inacessível a Katsumasa que já sabia o motivo pelo qual não podia chegar aos documentos. Como iria ter acesso as provas que ele mesmo tinha criado, junto com sua noiva e tantos outros que estavam envolvidos na fraude e na morte de três homens?
O pior caso em que estava envolvido, com as piores consequências e piores pessoas estava sendo julgado e analisado. Dessa vez não teria atuações e mentiras que fossem boas o suficiente pra que saísse ileso das acusações. Mas se fosse para acabar ferrado, ele não estaria sozinho. Não só ele como a própria noiva que também integrava a perícia, como todos os outros acusados, receberam punições severas. A sua, além de todas as honrarias perdidas, dinheiro e bens apreendidos, ele tinha perdido seu posto e sido expulso da delegacia. Caso quisesse continuar com o trabalho que exercia ele teria que aceitar um posto bem mais baixo, fora da cidade que tanto gostava. Ao menos pode contar com tal pena que considerava leve, graças a boa fama que mantinha.
Para agravar ainda mais a situação, um caso não tão grave tinha sido entregue ao delegado. Nada além de uma posse de drogas, com a exceção de que não se tratava de um viciado qualquer. Ao ler a ficha, Yashiro se viu impressionado com o acusado. Famoso, talentoso e reconhecido. Porquê diabos ele estava envolto em um mundo tão podre como o das drogas? Tudo teria terminado bem se tivesse se afastado assim que o caso foi encerrado. O vínculo que criaram com a acusação ultrapassava o limite do profissional, beirando o antiético para alguém que tanto se dedicava à carreira. Ele sentia que precisava ajudar aquele estilista. Acima de tudo, ele precisava daquele homem ao seu lado.
Depois de ter sido enviado a cidade de Gumyoji, a dedicação que manteve por diversos anos foi novamente sua prioridade. A excelência que manteve nos anos que trabalhou em Osaka se mostrou presente e começou a impressionar a todos que, junto da boa lábia de Yashiro, começaram a desconfiar das provas cada vez mais escassas que aquele relatório tinha contra si. Não demorou muito para que as fraudes fossem novamente articuladas na nova cidade, dando a Katsumasa a rotina da qual tanto sentia falta.
Quem não conhece KAORU? ELE vive em SHIRO e é DESIGNER. As más línguas dizem que ele se parece com MATSUMOTO TAKANORI, mas os bons olhos dizem que não. Ficou curioso? Siga-o no twitter e tumblr.
INFO!
Nakamura Kaoru.
01/02/1982.
Nasceu em Gumyoji, Japão.
Buzen, Shiro.
Yoshida Palace, apt. 700
Dono da loja de roupas MELT
CURIOSIDADES!
Está em constante tratamento para se manter limpo do vício de ópio.
Desenha desde os seus 9 anos de idade.
Gosta de participar ativamente em sua loja, ou seja, se ele tiver que sentar e costurar, ele vai fazer isso.
É workholic.
Acabou se acostumando em ser modelo de suas próprias roupas que faz isso até hoje e tem mais repercussão assim do que quando usa modelos.
Apesar da loja ser comercial, Kaoru se dedica à moda conceitual para desfiles e eventos.
É fraco para bebidas, mas fuma bastante.
Fez sua primeira tatuagem há poucos anos e não para mais.
PERSONALIDADE!
Simpático: Kaoru, desde que se entende por gente, é um rapaz comunicativo e que gosta de conhecer pessoas, estilos e gostos. É daquele tipo de pessoa que adora conversar e, mesmo que tenha ganhado certa fama e dinheiro, não perdeu aquela característica. Senta e conversa com qualquer um que esteja disposto à trocar idéias.
Dedicado: Tudo o que ele puder fazer para cumprir suas metas, ele vai fazer. Kaoru não é do tipo que desiste de algo só porque é difícil ou complicado. É bom e ruim por um lado, por acumular diversas feridas antes da vitória. Mas assume os riscos e não se arrepende.
Teimosia: Nunca tente mudar a idéia de Kaoru, isso é uma missão impossível. O rapaz é completamente teimoso, o que ele fala é lei e não tem nada que vá fazer ele mudar isso. Odeia ser contrariado e qualquer coisa parecida com "eu te avisei" faz ele querer morrer. Dificilmente pede desculpas por algo explicitamente, nas raras vezes que admite estar errado, procura consertar bem devagar e demonstrar com pequenos atos que se arrependeu.
Acidez: Da mesma maneira que é uma pessoa simpática e comunicativa, Kaoru também pode ser acidez pura. É debochado e adora provocar as pessoas que não sabem lidar com isso. Não tem a menor paciência para pessoas com muito "mimimi", não suporta o estilo kawaii desu, acha tudo muito forçado e às vezes tende a ser grosso por perder a cabeça.
Sexualidade: Quando foi pra Tokyo, experimentou de tudo um pouco. Homens, mulheres. Saiu dos padrões e gostou de conhecer o mundo fora do padrão hétero normativo. Fala de sexo explicitamente, alias, é seu assunto favorito e ama provocar quem está à sua volta, é, de fato, uma pessoa maliciosa e não tem vergonha disso.
BIOGRAFIA!
Quem não conhecia Kaoru? Um homem bem sucedido e famoso no mundo da moda, conceituado no Japão e fora dele por suas criações, não imaginava que sua origem era realmente tão simples quanto os textos da Wikipédia exibiam. Filho de um vendedor de verduras e uma costureira, seus pais trabalhavam muito para dar a educação que não tiveram ao único filho. Sonhavam com o dia em que Kaoru terminasse o Ensino Médio e, com ainda mais esforço, entrasse em uma faculdade. Talvez o diploma melhorasse as coisas, torciam para Kaoru ser advogado como o filho da vizinha, mas as inspirações do menino estavam muito longe de serem reconhecidas em um tribunal.
Seus pais nunca apoiaram o sonho de se tornar um estilista e foi em uma briga durante o segundo ano do Ensino Médio que Kaoru deixou a cidade de Gumyoji para ir à Tokyo somente com a cara e a coragem. Trabalhou de tudo um pouco, dormiu na rua algumas noites, mas como era muito comunicativo, fazia amizades fácil e sempre dava um jeito. O sonho de se tornar um renomado estilista era massacrado pela capital japonesa, que só não era mais teimosa que o próprio Kaoru. Depois de muitos "nãos", quando recebeu seu primeiro "sim", agarrou a oportunidade com unhas e dentes. Primeiro começou como auxiliar de produção em uma marca. Conheceu todo o processo, desde o momento da criação, as partes técnicas, modelagem e costura. Passou anos naquele emprego, sem se comunicar com os pais, até decidir criar sua própria marca, MELT, com as economias que havia juntado.
Com pouco dinheiro, mas muita criatividade e conhecimento, Kaoru na maioria das vezes era o próprio modelo de suas criações e se dobrava quase sozinho para tocar o projeto para frente. Era ele quem desenhava, cortava, costurava, montava vitrine, modelava e fazia o marketing. Só conseguiu contratar o primeiro empregado depois de alguns meses e ainda assim, ele se desdobrava em vários. Foram três anos de luta até Kaoru começar a ascender no mundo da moda e suas criações se tornarem tendência. Daquele ponto em diante, a carreira decolou.
Dez anos depois, Kaoru era dono de 30 lojas de alta costura espalhadas no Japão, Hong-Kong, Coréia do Sul, Tailândia, Estados Unidos e Alemanha. Sua carreira cada dia se tornava mais promissora, até se envolver com quem não deveria. No começo, dizia que era apenas por diversão, depois veio a necessidade e quando se deu conta, estava na primeira clínica de reabilitação depois de uma quase overdose. Aquilo se repetiu pelo menos uma duas vezes, fazendo Kaoru perder alguns contratos e amizades influentes.
Trinta segundos sem vida, após uma parada cardíaca, foram o suficiente para fazer o homem entender que precisava de ajuda. Daquela vez ele mesmo se internou, determinado a largar o vício em ópio, e decidiu se afastar daquele antro que havia se enfiado, quase como se estivesse recomeçando. Voltou à Gumyoji, poderia tocar seu negócio de lá com mais calma, continuar o tratamento com o N.A. e recuperar a carreira que sentia estar perdendo. Abriu a trigésima primeira loja em seu local de origem, mas encarou como se fosse a primeira da carreira. A reconciliação com os pais foi ainda mais difícil, especialmente por saberem o motivo que levou Kaoru à voltar, mas o rapaz estava determinado a corrigir seus erros.
Centenas de anos atrás, as terras, que hoje são conhecidas como Floresta da Tortura, eram o abrigo dos refugiados que se escondiam das tropas sanguinárias do tenebroso Imperador Iehiko. Dizem os mais antigos que os deuses da floresta acompanhavam cada passo daqueles que precisavam de proteção, tornando os dias mais curtos e as noites mais escuras, para que nenhum soldado conseguisse achar os moradores que fugiam da escravidão e crueldade, mas nem eles foram fortes o suficiente para combater o derramamento de sangue que aconteceu naquele local.
Após tanto sangue ter sido derramado injustamente, o solo da floresta é atualmente visto como sagrado, mas para muitos, a região é terrivelmente assombrada durante a noite. Diante de tal crença, o local foi popularmente nomeado como “Floresta da Tortura”, e poucos são os que ousam desafiar as lendas que se passam em meio a lama fria. Acredita-se que na semana de aniversário da morte dos antigos moradores, que ocorreu na época em que a cidade era apenas uma singela vila, os espíritos rancorosos, que ainda agonizando na dor, vagam pela floresta em busca de suas casas, entes queridos, ou simplesmente uma vingança pela morte violenta que sofreram.
Segundo relatos de historiadores, a próxima semana é datada como aniversário de morte das pessoas que foram injustamente assassinadas durante as batalhas por poder, e ainda que o acontecimento tenha sido trágico, é anualmente lembrado por todos aqueles que vivem em Gumyoji como “semana de luto”. Os mais crentes usam esses sete dias para rezar pelas almas que ainda não descansaram, fazendo oferendas aos deuses e pedindo proteção para as suas famílias. Todos os anos, os santuários purificam a entrada da floresta como uma forma de selar o mal lá dentro, impedindo que ele chegue até nossas casas, também sendo comum que acendam velas e incensos ao redor dos templos e casas de toda a cidade. Ainda que a data nos relembre uma triste tragédia, é comum que jovens se reúnam para pregar peças na vizinhança, amigos ou apenas para testar a coragem dos colegas.
Após alguns casos de desaparecimento e até morte na região durantes os últimos anos, pedimos que dobrem o cuidado quanto à amigos ou familiares que possam estar participando de atividades suspeitas durante a semana de luto. Não é recomendado a visitação à floresta durante a próxima semana, principalmente no turno da noite, onde as terras amaldiçoadas e escuras se tornam morada dos atormentados. Considere-se avisado.
OOC INFO!
Devemos lembrar que, na vida real, a existência de espíritos e outras coisas do tipo não são confirmadas, mas não deixam de existir crenças e experiências envolvendo esse tipo de assunto, então devemos tomar muito cuidado com o cunho dos jogos que serão feitos. Seu personagem pode jogar algo que envolva ver, escutar, sentir a presença do sobrenatural, ou simplesmente acontecer algo estranho que ele culpe os espíritos, mas pedimos muito cuidado para que os jogos não fiquem irrealísticos. Desde que só ele veja algo, e que no jogo não seja realmente confirmado de o que ele viu foi de fato um espírito, é permitido fazer um jogo mais “assustador”. Mas nada de fazer uma rodinha com amigos e todos dizerem que estão vendo uma assombração real, que está contando sobre seu passado na guerra, hein?
Os jogos serão de tema livre, seu personagem tanto pode ter medo da “semana de luto” e ficar em casa rezando, quanto pregar peças, ou acampar na floresta para testar os limites. Desde que não ultrapasse nenhum limite.
Lembrem-se que vandalismo e outras coisas do tipo, mesmo que seja uma peça pregada por conta da semana, ainda vale para descontar os pontos dos bairros e pode até mesmo levar o seu personagem para uma delegacia.
Os jogos valerão pontos para todos aqueles que participarem, fazendo algo a respeito da “semana de luto”, a participação também valerá como LOG, ou seja, aqueles que participarem serão isentados.
Não sinta vergonha de mandar uma ask ou dm para a base pedindo sugestões de jogos, estaremos prontos para receber todos vocês!
Quem não conhece KAZUKI? ELE vive em SAN e é Investigador Particular . As más línguas dizem que ele se parece com KENTARO SAKAGUCHI, mas os bons olhos dizem que não. Ficou curioso? Siga-o no twitter e tumblr.
INFO!
Sumeragi Kazuki.
13/01/1990.
Nasceu em Gumyoji, Japão.
Hakusan, San.
Investigador Particular e responsável pela organização e limpeza do Ryokan da família Sumeragi.
Nascido e criado em Gumyoji.
CURIOSIDADES!
1. Possui o costume de comer quando nervoso ou ansioso, também costuma se tornar sarcástico quando se vê desafiado ou perdido.
2. Se incomoda imensamente com objetos tortos ou fora de lugar, assim como cômodos desorganizados e sujos.
3. Já teve muitas namoradas e frequentemente se envolve com mulheres que pouco conhece, sendo considerado mulherengo por alguns amigos próximos.
4. Rejeita possibilidades de erro e, sempre que lida com uma situação de risco ou simplesmente complicada, costuma pensar por muitas horas após solucionar o caso, maneiras de como poderia ter agido para que as coisas obtivessem maior sucesso.
5. É extremamente paranoico e beira o obsessivo, já que se vê frequentemente em posição de guardar e proteger aqueles que ama.
6. Desenvolveu bronquite ainda jovem, mas o problema se agravou com o passar dos anos e Kazuki dificilmente fala sobre o assunto.
7. O japonês procura manter em segredo o fato de ter perdido quatro anos na cadeia, erroneamente indiciado à prisão perpétua.
8. Seu maior medo é o abandono.
9. Adora temperos fortes e apimentados, assim como carne vermelha e fritura.
10. Pratica airsoft e tem um enorme interesse em tudo que envolve tiro, ainda que o posse de armas seja proibida no país.
PERSONALIDADE!
Cítrico. Não é amargo e muito menos doce, mas pode vir a ser dependendo de como for utilizado. Ainda que seja um homem silencioso e na maioria das vezes introspectivo, sabe como utilizar do humor para uma boa comunicação, as vezes vindo a ser sarcástico, por puro hábito. Por fora, não leva as coisas a sério e muito dificilmente é surpreendido, sendo também pouco impressionável. Para aqueles que olham de longe, Kazuki parece ser rígido e distante, ou talvez, mimado e grosseiro. Diferente do que transparece, o japonês possui uma enorme tolerância e um humor quase inabalável, mantendo sempre uma boa postura para que, dessa forma, um ambiente agradável seja preservado. Sua citricidade se mostra muitas vezes doce, servindo para “quebrar o gelo” em situações de tensão ou ansiedade, sendo Kazuki na maioria das vezes o responsável por tranquilizar o ambiente dentro da própria casa ou roda de amigos.
Controlador. Desde muito novo, sempre foi o responsável por cuidar e supervisionar a casa, assim como vigiar os irmãos e primos menores. Com pais ausentes, cresceu aprendendo que tinha tudo nas próprias mãos e se não fosse responsável o suficiente, decepcionaria toda a família. Com esse enorme senso de responsabilidade nas costas, é comum que seja controlador ou até mesmo obsessivo, dando ordens por aí, ainda que desnecessariamente. O fato de trabalhar com investigações apenas fortalece sua paranoia de que o mundo é um lugar perigoso, fazendo que seja super protetor com aqueles que ama, já que, na própria cabeça, todos são muitos ingênuos e descuidados.
Galante. Tudo que faz é lidar com pessoas, e essa experiência é muito bem convertida para a vida pessoal. Tem lábia e sabe como manter uma conversa, principalmente quando possui um interesse além de amizade. Gosta de flertar e acredita ser bom no que faz, já que dificilmente falha. Quando jovem, costumava ser quieto e reservado, o que acabou por mudar rapidamente assim que atingiu a idade adulta. É sexual e não tem papas na língua quando algo lhe atrai, afinal, sua parte preferida é a “arte da conquista”, e não o resultado final. Ainda que tenha crescido com muita etiqueta e educação, se torna um homem completamente diferente na hora de desenvolver um relacionamento físico ou romântico, chegando a ser vulgar.
Se entedia com facilidade. É internamente agitado e gosta de manter a mente sempre à todo gás, o que torna o Japonês uma pessoalmente muito organizada e trabalhadora. Pelo outro lado da moeda, também é algo que faz com que dificilmente consiga ficar parado, relaxar e aproveitar o silêncio. O fato de ter passado anos na prisão faz com que tenha pavor da quietude e um enorme costume de ter uma rotina, e isso se mantém até os dias de hoje. Quando não está trabalhando, pratica airsoft, escreve ou dá uma volta para fotografar, odiando ficar em casa executando tarefas pequenas.
BIOGRAFIA!
Capítulo Um: Aurora.
O encontro de Chieko com Masazumi fora natural, como se há muito tempo se conhecessem. Não eram colegas de turma, mas sempre se esbarravam pelos corredores e o mistério de apenas se encontrarem nesses momentos é que alimentava a curiosidade do futuro casal. Com o tempo, os encontros acidentais não eram mais tão acidentais assim, e logo se tornavam em encontros oficiais. O mais novo casal adolescente era apenas mais um aos olhos dos outros, mas isso apenas até que descobrissem as atividades feitas nos seus encontros. Sempre que podiam, a dupla fugia para o centro de Okaya para executar todos os tipos de ideias malucas. Pequenos furtos, invasões em prédios abandonados, até o uso de algumas drogas, quando se encontravam entediados demais. Segredos, assim como mentiras, têm pernas curtas e é claro que com o tempo as marcas daqueles abusos se tornariam visíveis. Desde manchas na pele e lábios, mais e mais boatos começaram a surgir da boca daqueles que avistavam os dois, de lá para cá nas ruas do tão conhecido bairro luminoso. Quando a notícia chegara aos ouvidos dos pais da garota, era tarde demais. A mais jovem filha do casal estava deslumbrada pelos encantos do errado, do perigoso e do homem que havia lhe proporcionado tudo aquilo que ela jamais imaginou que teria. Infelizmente, com os Sumeragi a história fora diferente. Os pais de Masazumi eram bem conhecidos pela região e muitos comentavam o quão rígidos os mesmo eram com seus filhos. Quando os boatos começaram, os velhos foram um dos primeiros a saber. Masazumi poderia ter feito de tudo até ali, mas certamente não teria mais chance alguma de estender sua má conduta.
Os Sumeragi detestavam os Azuma, e ambas as famílias frequentemente criavam motivos para desavenças, sempre culpabilizando uns aos outros ao que se tratava do casal. Para os Sumeragi, a persistência da relação vinha ao fato de que os Azuma não tinham pulso firme para controlar a filha, enquanto para os Azuma, todo o problema se resumia ao fato de que Masazumi furtava dos próprios pais para embebedar a garota. As discussões eram indiretas e fluíam por meio de boatos pela boca da vizinhança curiosa, e o casal passava a ser visto como piada e mau exemplo. O alívio dos velhos era a consciência de que o casal estava no seu terceiro ano do colégio e que após a formatura seria fácil separá-los, mas o “pesadelo” deles só começava ali. A gravidez de Chieko chocou até mesmo aqueles que apoiavam o casal. Com a vida e futuro de uma criança em jogo, a história do casal deixou de ser uma brincadeira para se tornar uma tragédia local. A mais nova dos Azuma não fazia ideia de como lidar com o problema, e o desespero fez com que fugisse de tudo aquilo que conhecia para se isolar dentro do próprio quarto. Nem mesmo Masazumi tinha notícias da garota, e aquilo para as duas famílias fora um alívio de curto prazo. Com o passar das semanas, a saúde de Chieko passou a ser preocupante e sua mãe fora a primeira a procurar saber dos sintomas. Ainda que fosse sua mãe legítima, a velha pouco podia olhar para a filha com os mesmos olhos de antes. Para uma mulher tão tradicional, todo aquele enjoo, juntamente das mudanças de humor e a expressão cansada, era fruto do abuso de drogas e foi dessa forma que a gravidez fora erroneamente comunicada para o marido. Sem que tivessem qualquer consciência da atual condição da filha, o casal passava a rejeitar a própria filha, imaginando que a mesma estava em um estado tão grave que não havia qualquer chance de recuperação. As discussões eram frequentes, já que Chieko não conseguia contar a verdade e a presunção dos pais lhe ofendia. Em mais uma daquelas noites agitadas, Chieko fora colocada para fora de casa. Para a família, ela era como uma ofensa e seu comportamento frequentemente inapropriado manchava o nome de toda a respeitosa linhagem dos Azuma.
Em questão de algumas semanas, ninguém mais fazia ideia de onde estava Azuma Chieko. Masazumi passou a se preocupar, mas aquilo também lhe tranquilizou. Chieko era como uma fera e, para si, era saudável que seus pais lhe impusesse controle. Por algum tempo, aquele pensamento lhe tranquilizou a mente e fez com que se acostumasse com a ausência da garota, mas isso apenas até o dia em que decidiu, por conta própria, dar uma voltinha pelas ruas nostálgicas de Okaya. Encontrar Chieko encolhida, com frio e fome na frente de uma pequena loja abandonada que costumavam “frequentar”, fora um dos momentos que Masazumi jamais se esqueceu. O desespero em ajudá-la só não fora maior do que a revolta em não ser o primeiro a saber da sua situação, ou até mesmo por não ter sido procurado. A notícia da gravidez fora um choque, já que àquele ponto, seu corpo estava desgastado e um bebê não nasceria saudável se gerado daquela forma. Ainda que fosse o irmão mais velho e carregasse grande consciência das próprias responsabilidades, o garoto não tinha qualquer preparo para ser pai. As mãos tremiam e suavam frio, enquanto Chieko, já conformada com a morte, lhe pedia desculpas. Sem muito pensar ou questionar, Masazumi carregou a garota no colo por todo o caminho até que encontrasse uma carona até a própria casa. Para os Sumeragi, a imagem do próprio filho com aquela garota em mãos, naquela condição, fora desesperadora. Todos os tipos de situações se passaram na cabeça dos pais enraivecidos, mas a seriedade de Masazumi fez com que os mesmos parassem para ouvir o que este tinha a dizer. Naquele momento, a vida de todos naquela sala era uma verdadeira novela.
Capítulo Dois: Florescente.
O fim de ano passou vagarosamente e em clima de tensão, mas em Janeiro de 1990, a bolsa de Chieko finalmente estourava, anunciando o nascimento da nova geração dos Sumeragi. O casarão era preenchido com vozes que se misturavam em agitação enquanto Masazumi guiava a namorada porta afora, para que chegassem no hospital o mais rápido possível. O caminho fora complicado, os gritos de dor anunciavam para todos que passassem que, dentro daquele carro, uma mulher estava prestes a dar a luz. Masazumi quase em desespero agarrava as mãos de Chieko, que gritava como uma criança, enquanto os velhos dirigiam em alta velocidade. Felizmente, o corpo de Chieko mantivera o processo lento, dando tempo para que chegassem ao hospital sem oferecer qualquer risco à vida da criança. Após algumas horas de muita força e espera, o bebê chorava pela primeira vez. Os gritos estridentes anunciavam a chegada de uma criança grande e saudável no andar pediátrico, que poderia ser escutado por qualquer um que estivesse nas proximidades. A mais nova dos Azuma agora era mãe, mas sua feição apavorada apenas mostrava o quão aterrorizante a experiência havia sido. Recusou segurar a criança pela primeira vez, julgando estar com dores demais para tal, e a decisão acabou por assustar Masazumi. O mais novo pai sentia toda a pressão e responsabilidade de um adulto lhe cair, de uma só vez, sobre os ombros. Não era casado, há muito tempo não trocava qualquer afeto ou carinho com Chieko, mas o tempo não iria mais esperar que se preparasse. Aquela criança pouco sabia da vida, mas trazia um choque de realidade para seus pais.
Kazuki fora um bebê barulhento, acordava há cada meia hora em busca e alimento e não relaxava até que estivesse devidamente embalado em lençóis quentinhos, mas há quem diga que esses bebês é que se tornam adultos focados. Para fortalecer o dito popular, o garoto se tornava uma criança cada vez mais quieta com o passar dos anos, sem dar muito trabalho ou causar rebuliço. Comia pouco, dizia pouco, mas adorava liderar. Com o tempo passando, a família cresci e o menino ganhava primos e irmãos, e todos eram muito próximos. Sempre que toda a criançada se reunia, Kazuki era aquele que dizia o que podia ou não ser feito, o que devia ou não ser comido e quando é que todos deveriam estar na cama. Adorava inventar histórias assustadoras para botar todos aqueles pés de meia debaixo dos cobertores, assim como apreciava acordar os menores para tomar o café da manhã. Kazuki era precoce, adorava regras, segredos, histórias e costumes normalmente mais apreciados pelos mais velhos. Alguns diziam que o comportamento calado do garoto era um reflexo da rejeição que havia sofrido pela mãe, já que a mesma, morando no quintal do casarão, dificilmente buscava ou perguntava pelo filho, que vivia com o pai. Desde o primeiro momento em que viu o filho, sentiu que não era aquilo o que buscava para a vida. Era jovem e sequer gostava de crianças, mas ter passado por todos os traumas fez com que acabasse por ligar a gravidez à sensações negativas, que faziam com que se sentisse deprimida. Por causa disso, Chieko evitava ir de encontro com o menor, ainda que não o odiasse, pouco fazia questão de sua presença.
Durante todo o tempo após o parto, os velhos permitiram que a mulher ficasse no quintal do casarão para que pudesse cuidar da criança, até que arrumasse condições para arranjar um lugar por conta própria. Ainda que a mulher rejeitasse o filho, em alguns meses pareceu se recompor, arrumar algum dinheiro, voltar a se arrumar. Era comum que vissem Chieko com cachos no cabelo, vezes loira, vezes morena, andando de lá para cá, como se completamente estável, tanto emocionalmente quanto financeiramente. Ninguém ousava perguntar de onde aquele dinheiro via, mas não havia quem não desconfiasse. A vizinhança observava cada passo dado pela jovem mãe, e Masazumi começava a se incomodar com tal silêncio. Ainda que estivesse muito ocupado com os negócios do pai, tinha um filho para cuidar e pouco era dito por Chieko quanto a isso, e sabia bem reconhecer a garota quando muito álcool estava envolvido. Muitas tentativas de conversar foram falhas, sem que conseguisse tirar qualquer coisa útil da mulher. Nervosa, não queria lidar com nada que se tratasse do filho, mas não podia negar as recaídas que tinha por Masazumi. Frequentemente os dois eram vistos trocando carinhos ou longas conversas, mas com o passar do tempo, as brigas foram consumindo a relação daqueles dois. Masazumi pouco dizia sobre o assunto, mas sua mãe era uma boa observadora e sabia que a culpa era da Chieko, que estava completamente desestabilizada. Uma mulher sábia como Yuko sabia reconhecer quando uma garota estava perdida, e sabia bem em qual meio a pequena Azuma estava envolvida. O cheiro de álcool sempre indicava a presença de dinheiro e homens, era o que Yuko sempre dizia. Assim que suspeitara do envolvimento da mulher com prostituição, tratou de jogar as cartas na mesa. Masazumi já suspeitava, mas ouvir tal coisa da própria mãe fora a gota d’água para que surtasse, correndo para que convencesse a garota a desistir da “carreira”, onde impulsivamente a pediu em casamento, como uma maneira de trazê-la de volta. A mulher, sem muito o que dizer, ou qualquer força para tal, apenas aceitou. Em comemoração, uma casinha fora comprada no distrito de San, em Hakusan, para que o casal pudesse viver ao lado do Ryokan da família Sumeragi, onde podiam sempre entrar e sair livremente.
O garoto era inteligente, afinal, era criado mais pelos avós do que pelos próprios pais. Masazumi se tornava um homem ocupado com o passar do tempo, e Chieko era um mistério pra si. Ainda que os pais fossem casados, raramente os via juntos e o mais próximo que tinha da mãe, era o cheiro do seu perfume ao que esta entrava e saía de casa durante as manhãs e noites. Os anos se passaram daquela maneira quase tranquila, até que uma notícia repentina mudasse toda a realidade da casa. Aos quatro anos de idade, Kazuki ganhava o primeiro irmão, sem qualquer preparo, sem uma explicação ou um barrigão para acariciar. Não havia visto Chieko grávida e não conseguia entender como é que Hideo havia vindo ao mundo sem que uma enorme barriga fizesse parte do processo. Com o passar dos anos lhe fora explicado o que um “meio irmão” significava, mas lhe custou muita maturidade para descobrir que o garoto era fruto de uma traição por parte de Masazumi. O pai, tão cansado, já pouco honrava o pedido de casamento que havia feito muitos anos atrás. A tentativa de tirar a mulher da sua realidade fora falha, e agora o mesmo era condenado a sustentar uma mulher que já pouco amava, enquanto a mesma passava noites fora, em total segredo. Hideo não tinha culpa alguma da realidade em que era colocado, mas Chieko o rejeitava com todas as forças, lutando para que a guarda daquela criança fosse disputada por alguém mais disposto, mas Masazumi era como o pai e era correto demais para abandonar frutos das próprias escolhas.
Muitos anos de recaída depois, vinha Tomoyo, a caçula e segunda criança de Chieko. Kazuki sempre gostou de cuidar dos irmãos, principalmente por saber que suas realidades sempre foram tão distintas. Ainda que os três fossem irmãos, era como se fossem completamente diferentes. Assistir os mais novos procurando se adaptar àquela realidade tão confusa dentre a casa era, para si, massacrante. Sabia o quão difícil era mas pouco conseguia dizer para os pequenos, então acabava por muitas vezes apenas distraí-los com um pouco de música, histórias e filmes até duas da madrugada. Gostava de crianças e se sentia bem em servir de porto seguro para os irmãos, ainda que as discussões dos pais acabasse por “quebrá-los” mais uma vez na próxima noite, fazendo que fosse necessário mais muitas horas de cuidados para que estes se tranquilizassem novamente. Tomoyo, especificamente, era uma garota de ouro para si. A menina possuía muitos problemas de saúde e seu emocional era afetado com facilidade, portanto acabava por mimá-la ainda mais do que o normal, criando um laço de muita proximidade com a menina, ainda depois que a mesma passava da fase da infância.
Hideo era muitas vezes visto como bastardo e Kazuki naturalmente era quem estava ali para dar uma bronca em quem brincasse com o assunto, mas pouco podia impedir que os problemas se desenvolvessem quando a própria irmã, Tomoyo, discutia com a prima, Yukiyo, que maltratava a irmã mas, por sua vez, adorava Hideo, que detestava Tohru. Por aí a história vai, sem nenhum controle. Chiyo era a única da família que parecia ser pacífica, mas provavelmente o único motivo para tal era o fato de que Kazuki jamais a conhecera a fundo. Por outro lado, conhecia Tohru e possuía uma relação conturbada com o primo, que com uma personalidade forte e silenciosa como a própria, costumava ser dono de opiniões fortes mas, na maioria das vezes, precipitadas. Não era de se envolver nas discussões, mas pouco conseguia evitar a vontade de controlar os menores aos berros, até que os mesmos se respeitassem e guardassem todas aquelas opiniões. Sendo o mais velho da geração, se via em posição de manter a ordem, ainda que muitas vezes acabasse em meio toda a confusão.
Sendo fruto de uma gravidez precoce, Kazuki era muito mais velho do que os outros dois irmãos e nunca se importou em carregar toda a responsabilidade do título nas costas. Cumpria o próprio papel com muita honra, mas o apego que tinha pelos irmãos e avós o tornava em uma pessoa explosiva. Tudo aquilo que parecia botar sua família em risco, ainda que fosse apenas o nome, fazia com que suas reações fossem muito além do que o normal aceitável. Tinha dentro de si uma enorme vontade de proteger e amar os familiares que pouco podia explicar, via naquelas pessoas almas que precisavam de cuidados, e que poucos pareciam ter condição ou disposição para oferecer. Eram poucos os que conheciam Kazuki, afinal, nem mesmo o garoto se conhecia bem. Para si, apenas tinha um forte desejo de ser útil, mas sempre fora uma pessoa muito forte, ainda que estivesse tão acostumado a estocar os próprios sentimentos tão fundo no peito, que pouco tinha conhecimento dos mesmos. Ao que aprendia a soltar o que sentia para os amigos e familiares mais próximos, uma aura mais tranquila e falante passou a se fazer presente em sua personalidade, mas também, em consequência, tornou-se alguém com muita fúria e necessidades constantes. Tinha costume de tomar tudo aquilo que queria, e a mistura das duas explosões em sua personalidade fazia com que esta se chocasse contra si mesma.
Capítulo Três: Catalisador.
Ao que terminava o colégio e tinha a cara no mundo, Kazuki passava a estimular pontos do próprio ser que jamais havia imaginado possuir. Diferente da maioria dos jovens que afogavam as mágoas no álcool, o garoto gostava de andar por aí analisando rostos, cenas e cenários, pensando em momentos e refletindo sobre situações. Era um pensador nato e o que fazia de melhor era botar a cabeça para funcionar. Já que fazia alguns bicos durante toda a adolescência, ao que atingia maior maturidade já tinha fundos para que pudesse sustentar algumas vontades, uma destas sendo a sua primeira câmera fotográfica. Tudo aquilo que costumava apenas observar, agora era capturado pelas lentes da máquina, para que pudesse mais tarde contemplar em total silêncio, em meio a floresta. O interesse pelo oculto sempre fora um traço muito forte da própria personalidade, mas que não sabia bem botar em palavras ou em um pensamento só. Simplesmente se interessava por aquilo que não podia explicar, o desconhecido e inexplicável.
Acabava por se apegar pela fotografia e o interesse fazia com que iniciasse um curso de fotografia aos dezoito anos, onde a fotografia foi o assunto secundário. Por coincidência, naquelas salas de aula o único interesse que tinha era Aya, uma garota muito calada que costumava gostar durante os tempos do colégio. Nunca havia tomado partido sobre a situação ou sequer trocado meia dúzia de palavras com a garota, mas ao que a encontrava fora dos muros do colégio, as coisas pareciam fluir com muito mais facilidade. Aya era quieta e isso se vinha ao fato de que a garota era complicada demais para a maior parte das pessoas. Com muita mágoa e muito rancor, preferia dizer pouco à dizer demais, e a fotografia a ajudava a expressar tudo aquilo que sentia de maneira pacífica. De início, todo o conceito de sua personalidade parecia mágico para o garoto, que tão interessado pelo oculto, não conseguia tirar os olhos nem por um segundo da mulher, que mais parecia um quebra cabeças. Aos poucos, as caminhadas que costumava fazer sozinho pela cidade ou floresta, recebia a companhia silenciosa de Aya. Para si, tudo aquilo era satisfatório, mas não durou muito para que os mistérios passassem a se tornar rotina, após o início do namoro.
Ainda que normalmente procurasse se conter em prol da ordem, nem sempre podia dar um bom exemplo para os pais ou qualquer outro indivíduo. Um dos maiores exemplos disso era a relação que desenvolvia com Yukiyo, sua prima mais velha. Quando novo, pouco se recordava de momentos junto da garota, mas quanto mais velho ficava, mais próximo se tornava da garota. Costumavam jogar, ler e até ouvir algumas músicas juntos, como se compartilhassem uma conexão alimentada por anos de esforço. Sem o mínimo controle dos próprios atos ou dos da garota, se encontrou em uma posição completamente questionável. Jamais imaginou que estaria praticando incesto, tampouco, com uma garota tão jovem. Ainda que adorasse a companhia de Aya, a relação que possuíam poderia ser facilmente confundida com uma boa e velha amizade, o que era muito diferente quando estava com Yukiyo. Muitas vezes ao saírem juntos eram confundidos com um casal, e a garota adorava botar lenha na brincadeira, aprimorando sua encenação a cada vez que saíam juntos na rua. Não se via como um homem mulherengo ou superficial, e ainda assim não sabia explicar os motivos de não conseguir resistir aos encantos da mais nova, sempre que esta resolvia que era uma boa ideia correrem um risco aqui e ali. Trocando olhares, toques e beijos, e ápice foi quando ousaram compartilhar um pouco mais do que alguns simples toques. Não podia negar o quão divertido era tudo aquilo, mas também era irrefutável o quão arrependido se encontrava, algumas horas depois. O mais difícil era encontrar com Aya no dia seguinte, como se tudo estivesse bem, como se fosse ignorável o fato de que, naquela relação, o único mistério agora era os segredos que guardava.
Sem que precisasse confessar os próprios erros para Aya ou qualquer outro, a mesma testemunhava o “crime” sendo cometido ao vivo e em cores, e pouco pode fazer para confortá-la. Quando os próprios olhos iam de encontro aos dela, escondidos entre a pequena abertura da porta do quarto, estes fugiam antes que pudesse se mover. Interrompia o que fazia no mesmo momento, mas Yukiyo, de tão extasiada, se recusava em soltar-se do próprio corpo, ainda embolado nos lençóis. Apenas para que encontrasse a própria calça e sapatos pelo chão, minutos foram levados e, àquele ponto, já estava em completo desespero. Não tinha intenção alguma de causar toda aquela situação e lá estava, correndo com os cadarços desamarrados. Aya desaparecia no meio da neblina daquele dia frio, mas a conhecia bem e sabia qual era sua válvula de escape. Ainda que tivesse sido cruel com Aya, Kazuki não podia suportar deixar a situação como estava ou inventar algumas desculpas esfarrapadas. Montou na bicicleta e partiu do jeito que estava em direção à floresta, onde ela provavelmente estaria tirando fotos das flores refletidas nos lagos. Levou alguns minutos para chegar e encontrar as marca das rodas na terra úmida, e logo a frente sua bicicleta de qualquer jeito pelo chão. Naquele momento, julgou não conhecer Aya tanto quanto imaginou, já que, julgando pelo cenário, ela estava muito mais nervosa do que julgou que estaria. Os músculos se apertaram e o corpo se preparou para lidar com um confronto, como os que costumava assistir entre os próprios pais. Os olhos que esperavam uma expressão furiosa apenas encontraram o silêncio da floresta e o lago, com um movimento sutil. Se não fosse pelas pequenas bolhas de ar que, minuto ou outro subiam até a superfície, jamais perceberia que Aya, na realidade, estava debaixo da água. Quando tal ideia lhe veio em mente, nada além do próprio corpo pareceu funcionar direito. Paralisado, apenas mergulhou naquele lago esverdeado, procurando por qualquer parte do corpo da garota que pudesse agarrar, mas apenas podia sentir o musgo e algumas folhas, mergulhadas naquela imensidão de água. Demorou para que desistisse e subisse em busca de oxigênio, para que por fim desistisse de agir sozinho, para que buscasse pela própria bicicleta, a fim de procurar ajuda. Não tinha o próprio celular consigo por ter saído de casa em desespero, e agora, se encontrava em um desespero ainda maior. O trauma era tão grande, que nem mesmo podia entender a gravidade do que acontecia.
Quando finalmente encontrava alguém nas proximidades, pouco conseguia falar. Apenas algumas palavras sem muito nexo deixam os lábios, acabando por ficar em completo silêncio, avançando em direção do senhor, que parecia assustado.
Ainda que não se lembre de muitos detalhes, os dias seguintes nunca saíram da mente do garoto de vinte anos, que de hora em hora, era revistado ou interrogado por um novo policial de cara fechada, como se tivesse cometido um crime. Após noites gastas na delegacia, acabou por ficar sob custódia policial, pois uma testemunha no local afirmava ter avistado o casal entrando juntos na floresta, de onde Aya não voltou. As mãos suadas de Kazuki grudavam em tudo o que tocavam, e os olhos permaneciam congelados, como se não existisse mais alguém dentro de si. Sequer tinha ganhado um dia de folga para pensar sobre a perda, e estava sendo acusado de homicídio. De alguma forma, as pessoas achavam de extrema estranheza que a última pessoa a ter visto a garota tenha sido seu próprio namorado que, molhado, na cena do crime, estava completamente em choque. Sem muita demora, o caso foi tido como “encerrado” assim que, após muito ouvir e pouco considerar, Kazuki fora indiciado à prisão perpétua.
A prisão de Kazuki então separava a tão unida família Sumeragi. Uns tinham dúvida, outros, desespero. Tinha total apoio dos avós e dos pais, mas os tios e vizinhos pareciam questionar a inocência do jovem, que quase não tinha direito de se defender. Um garoto tão novo não poderia oferecer nada além de extremo arrependimento pelas próprias ações, sendo ou não responsável pelo crime. Por ter sido muito bem educado, sequer tinha coragem de erguer os olhos para responder os homens que lhe faziam perguntas, tampouco para encarar os olhos dos familiares que, do outro lado do tribunal, lutavam em busca de justiça com os melhores advogados de Hokkaido. Ainda que a família tivesse um ótimo status e uma boa condição financeira, a lei estava convencida e assim que o martelo foi batido, não existiu nada que impedisse o destino do garoto. Uma pessoa tão jovem sendo indiciada a pagar o resto dos dias na prisão, em uma cidade tão pequena como Gumyoji, fora motivo de primeira página em todos os jornais na manhã seguinte. A vergonha caiu sobre o nome da família e os negócios caíram drasticamente. Seus irmãos, tios e primos sofriam nas ruas o preconceito, o medo e o julgamento dos mais corretos e tradicionais aos mais jovens e inocentes. Todos temiam a índole daqueles que carregavam o nome Sumeragi.
Durante anos, Kazuki manteve a cabeça baixa, os passos curtos e a respiração suave. Evitava chamar qualquer atenção, de maneira que pudesse apenas observar e se adaptar à nova realidade, pois seria aquela a própria, pelo resto da vida.
Capítulo Quatro: Regelo.
Era um costume comum que os prisioneiros contassem os passos dos guardas, pois assim sempre sabiam qual porta se abriria, se alguém tinha algum telefonema, visita, se seria liberado ou, por fim, teria todo aquele sofrimento terminado. Em um dos incontáveis dias, os passos ecoaram pelo corredor, se aproximando em uma lentidão tão dolorosa, que naquele momento o mundo de Kazuki foi abalado. A porta da própria cela era aberta, e do outro lado, um guarda mau encarado pedia que, silenciosamente, se erguesse e aguardasse do lado de fora. Lhe custou muito para a aceitar que, após tanto tempo, ainda havia uma chance. Naquele mesmo dia, lhe fora informado que seria liberado e que membros da família estavam em um avião em direção à Tokyo. Vestiu as mesmas roupas com as quais chegara ali quatro anos atrás e suspirou longamente, em alívio. Tanto tempo havia se passado, que parecia nunca ter vivido. Todas as lembranças que possuía da vida antes da prisão, parecia uma mentira. Talvez tudo aquilo fosse um episódio de novela que assistiu de canto, durante um cansativo dia de trabalho na oficina. A sensação de alívio era tão grande, que poderia descrevê-la como dor. Kazuki esquecia dentro da própria cela a sua identidade, dignidade e tudo o que conhecia sobre o mundo real. Era como se viesse da lua e não soubesse como se misturar entre as pessoas, que facilmente podem notar que você não pertence à eles. A paranoia era algo que não podia evitar de obter dentre aqueles corredores acinzentados. O medo do desconhecimento era tão massacrante que quase não podia dormir, pensando que talvez alguém pudesse surgir da penumbra, com um caco de vidro tão pontudo, que sequer teria chance de debater sobre a própria inocência. É claro que, após tanto tempo, era mais fácil lidar com a culpa, o medo ou a ansiedade. A dor vinha, mas também ia.
Os primeiros meses foram difíceis. Muitos queriam entrevistas, todos tinham dúvidas e o respeito partia dos poucos que optavam pelo silêncio. Os Sumeragi que em tanto tempo se afundaram em luto, agora celebravam. Ainda que a inocência de Kazuki ainda fosse questionada por muitos, não havia qualquer prova que dissesse o contrário. Com seus vinte e quatro anos, Kazuki estava mudado. Maior, mais forte e certamente mais quieto, trazia junto de si uma conduta quase militar. Com o passar do tempo, os irmãos, primos e tios deixaram de estranhar o seu novo comportamento e os vizinhos se cansavam de comentar sobre o assunto, tudo parecia estar no lugar novamente. Pelo costume de expressar apenas o necessário, Kazuki dificilmente era questionado e, dessa maneira, a maioria das próprias paranoias permanecia apenas na cabeça, à sete chaves. Desde o momento em que fora liberado, não podia deixar de revirar todos os momentos desde a morte de Aya, até os dias atuais. Havia ganhado muita disciplina, mas muito tempo também fora desperdiçado e única coisa que ainda permanecia pregado em si, era o motivo de alguém ter mentido tão descaradamente para a polícia. Sabia bem que os Sumeragi sofriam alguns ataques da “concorrência”, mas jamais imaginou que alguém seria capaz de um ato tão covarde. Assistindo o próprio pai sofrer as consequência da prisão para os negócios da família, não podia impedir que aquele desejo tóxico de encontrar o responsável por tal mentira tomasse conta de si, mas também era impossível que solucionasse o caso, sentado em uma cadeira.
Dentro da prisão, ganhava o hábito de nunca ficar quieto, pois a falta de ocupação é o pior inimigo daqueles que desejam produzir. Com a câmera fotográfica em mãos, Kazuki, vestindo um capuz, partiu em um passeio pelo distrito de San. As ruas de Hakusan eram geladas e muitas vezes escorregadias, carregavam um ar misterioso e suspeito, como se carregasse mais história do que quaisquer outras. Gostava de caminhar, observar vizinhos, ouvir a natureza e testemunhar simples acontecimentos rotineiros, como se estudasse todos aqueles que cruzavam as ruas, abriam janelas ou comiam um petisco em lojinhas simplórias. Tais caminhas se estenderam por dias e até meses, onde de Hakusan estavam em Buzen e, logo, em Okaya. Nesses passeios, possuía outro nome, outra feição e comportamento. Naquelas ruas, Kazuki jamais se fazia presente. As pessoas que conhecia misteriosamente durante a noite, passavam a lhe fazer fiel companhia, até que aquela rotina se tornasse trabalho. Com a câmera sempre em um bolsa discreta e os olhos atentos, Kazuki era frequentemente aquele que ligavam quando precisavam de uma “mão”. Casos de mentira, traição e todos tipos de provas eram concretizadas pelas lentes impertinentes, acompanhadas pelo flash desestabilizador seguido do súbito desaparecimento de seu responsável. Kazuki era como um fantasma por aquelas ruas, e seus clientes não poderiam ficar mais satisfeitos. Sua paixão por fotos juntamente do desejo de expor a verdade, era o negócio perfeito para que, finalmente, fizesse parte de uma sociedade secreta. Sentias-se como um gato passeando em muros cheios de caco de vidro, pois era frequentemente contratado por criminosos e pessoas de todos os tipos de intenções, boas e más. Enquanto o dinheiro e o mistério existia, Kazuki se fazia presente e, dessa forma, passou aos poucos a se envolver nos negócios da Máfia. Sendo recomendado por contatos menores, o garoto passava a servir como um ombro amigo para a organização criminosa, frequentemente desmascarando aqueles que questionavam ou testavam suas decisões. Sem que percebesse, se tornava uma fonte confiável para o oyabun da Yakuza, e partir dali, tudo o que fazia era ajudá-los em pequenas tarefas. Ainda que muitos questionassem a índole daqueles homens, Kazuki acreditava que muitos destes eram mais confiáveis do que aqueles que, mantendo certa distância, oferecem a mão. A história dos seus anos na prisão era como uma história de ninar para os senhores da máfia, que de tanto burlarem as leis, sequer lembravam-se da sua existência. Quando notou, os pequenos bares, restaurantes e boates que serviam de ponto de encontro para os sub grupos, era o mais próximo que tinha de conforto, amizade e trabalho. Se há algum tempo não tinha nada, de repente parecia possuir demais. Sem que nem mesmo tivesse com o que gastar, passava a ganhar em excesso, frequentemente precisando de esconderijos para as notas prensadas em meio um elástico apertado.
O envolvimento que tinha com a Yakuza era mínimo, mas a confiança que partilhavam era genuína. Com o acúmulo de notas aumentando, o mínimo que podia fazer era juntar todo aquele bolo de dinheiro em um mala, a qual levava, todo início de semana até o escritório do pai. Não tinha uma relação amigável com o velho, mas haviam poucas coisas no mundo que Kazuki prezava mais do que uma boa relação de respeito com o homem. Amava a própria família e jamais se perdoaria pelos estragos que a causara, e a única maneira que podia se redimir era com aquela mala, que sempre retornava, uma semana atrás da outra. Nos primeiros momentos, o pai hesitou e questionou, para que só então compreendesse. Nunca se dispôs a explicar o que fazia, e Masazumi, jamais arriscou perguntar. Ambos tinham consciência e um enorme pesar nos olhos, mas como pai e filho, só o que viam era a importância de família acima de tudo e todos.