closed starter - @stellesawyr local: chalé de Circe.
Flashback.
Sentia-se um animal bestializado pelo grupo que havia a resgatado e, querendo ou não, ela era. Quando notou que o grupo não estava rumando para o C.C Spa & Resort, manifestou uma explosão emocional perigosa, fez uma das semideusas da equipe de refém e ameaçou lançar seu corpo ao mar vezes o suficiente para ser tratada como uma inimiga. E eles deixavam muito claro que sua presença naquele barco tornou-se repudiada, que estava ali por ordens de Quíron, por um possível risco que ela poderia viver na ilha. E, dos piores incentivos, ouvia que, dentre as filhas de Circe, era a mais selvagem. Estava em fúria. Suas mãos só foram desamarradas quando a equipe atravessou a fronteira do acampamento, acessando a praia para que todos descessem da embarcação e se apresentassem para Quíron. Mesmo impressionada, mantinha-se em uma ira completa. O centauro fez curtas apresentações sobre o local, arguiu que ela se adaptaria e que a presença das irmãs seria essencial. Assim que Lipnía ouviu sobre suas irmãs, seus olhos brilharam com um fio de esperança, um acalento familiar que pudesse trazer satisfação depois de ser enganada e amordaçada. Seus pés quase correram na direção da porta do denominado "chalé de Circe", empurrando a estrutura de madeira com o baque, caminhando pelo local com os pés descalços, um vestido transparente que flutuava com a passagem de ar, sentindo o perfume inebriante e familiar das poções e dos venenos que tomava o local. Era como uma viagem para casa, um passeio pelos caldeirões da deusa da magia, repletos de mistérios e feminilidade. Até que viu, atrás de uma fumaça esverdeada, um semblante familiar. "Você?" Murmurou em um rosnado baixo, esbanjando a rouquidão adquirida após dias com a boca lacrada por uma fita adesiva. "Você está aqui?" Era inaceitável, era ultrajante. Recordava-se que Estelle, quando feita de refém pelos piratas junto de Alice e Lipnia, optou por fazer amizade com os sequestradores. Lili era violentada diariamente enquanto Elle recebia benefícios pelo comportamento manso e adequado. A fúria da traição se tornava cada vez mais latente conforme se aproximada do caldeirão onde Estelle preparava uma poção. Cogitou despejar o líquido no chão, lançar o conteúdo na direção de Estelle e acertar sua cabeça com a primeira coisa que visse pela frente. "Sua... víbora! É aqui onde você se esconde depois de tudo que fez? Percebeu que eles estavam te levando para uma prisão ou o quê? Enquanto nós sofríamos para te defender você se juntou à eles, você aceitou se entregar."
Atualmente.
Lipnía selecionava com a ponta dos dedos as folhas mais relevantes que havia encontrado entre os escritos mágicos que havia escrito com a irmã. Feitiços, receitas de poções e venenos, rituais especificamente detalhados. Todos em um amontoado de folhas amareladas pela maresia das ilhas em que viveram. O dedo encontrou um ritual em específico, escrito com a letra de Alice. O título estava rabiscado, mas era fácil identificar sua utilidade: revitalização mágica. Posicionando o papel sobre a mesa, virou-se de costas para os armários, coletando os ingredientes que necessitaria para o êxito de sua ação. Ramos de alecrim e de vincas de Madagascar, velas e um frasco com um conteúdo viscoso amarelado. Ao ouvir a porta se abrir atrás de si, olhou, por cima do ombro, a irmã se aproximando, notando a curiosidade estampada em seu olhar e, antes mesmo de deixá-la questionar, se apressou em responder. "Revitalização. Precisamos nos recompor magicamente o quanto antes." Um sutil sorriso surgiu no canto dos lábios enquanto reunia todo os materiais na superfície de madeira. "Na biblioteca de nossa mãe existia uma sessão para a magia temporal. Foi onde eu desenvolvi meu poder..." Introduziu a justificativa enquanto destampava o frasco de vidro e despejava seu conteúdo no caldeirão, subindo um cheiro cítrico peculiar. "Lá, em grande parte dos escritos, era recomendado que praticantes da magia não fizessem feitiços relacionados ao futuro. Era algo perigoso, principalmente por ser o campo das Parcas." Alcançou um novo frasco, dessa vez um tom de vermelho quase negro. "Pois eu acho que uma certa bruxinha inexperiente achou ser capaz de fazer isso."












