Vaga-lumes
ㅤㅤㅤㅤ— Ali! Olhe com atenção. — Pedia Oliver apontando para um vaga-lume preso numa tela de ferro. — Está vendo? ㅤㅤㅤㅤO homem amarrado em uma cadeira giratória não se pronunciou, no máximo alguns grunhidos desesperados e olhares amedrontados; naquela situação não precisava necessariamente falar, sua respiração desenfreada expressava suas lamúrias por si só. ㅤㅤㅤㅤ— Responda! — O assassino puxou com força e rapidamente o fio de nylon que tinha envolto no pescoço da sua vítima, afinal, aquilo tinha sido apenas um... Encorajamento para uma resposta. Mais grunhidos foram ouvidos, porém dessa vez com o adicionar de cabeça balançando positivamente, o que dava a entender perfeitamente a sua resposta. — Uma maravilha, não? — Oliver perguntou mais para si mesmo do que para qualquer um ali. ㅤㅤㅤㅤEnquanto o pobre inseto se debatia para sair dali, tentando enganar a morte, o açougueiro já sorria ao saber daquele destino: tragado por mais uma armadilha da vida. Mal sabia da sorte imensa que tinha o vaga-lume; ele não estava amarrado em uma cadeira com um assassino furioso e nervoso ao lado, muito menos iria ser torturado – pelo menos não do jeito que seria mais apreciado. Com passos largos Oliver apressou-se em ligar o interruptor ao lado; passou pelo frágil corpo do inseto uma carga de 220 volts, deixando no final um leve odor de queimado apenas. ㅤㅤㅤㅤ— Viu? Não tem nada com o que se preocupar. Suas chances de sair com vida daqui são as mesmas desse lindo inseto.









