já que a menina marcela agora tem fics traduzidas em uma terceira (e linda) língua, vamos aproveitar para pedir um prompt :D tombrax + hornsea + "ahah nossa, daqui uns anos você vai parecer aquele trouxa ali" (plot twist: it's tom maior).
Minha escrita é poliglota eu sou um NOJO
Não era um dia para ir à praia, mas ainda assim lá estavam eles. Fazia um dia nublado de Dezembro, os ventos fortes e gelados que vinham do mar revolto fazia quase impossível que conversassem, tal era sua violência. A figura dos dois homens solitários andando pelo litoral de Hornsea certamente poderia ser cômica: os dois usando pesados casacos, os braços cruzados para evitar que o vento entrassem em suas roupas, os sapatos sociais (caros, feitos de pele de dragão) deixando profundos sulcos na areia endurecida pela chuva anterior.
Andaram durante muitos minutos em silêncio, pois Abraxas sabia que a razão para que seu amigo tivesse insistido tanto por aquela caminhada fora para ficar algum tempo perdido em seus pensamentos, mas ainda assim com alguém em sua companhia. Finalmente, atingiram uma formação rochosa quase no fim da praia. Abraxas sinalizou para que se posicionassem atrás da maior pedra no local, de modo a se protegerem do vento e das partículas de areia que começavam a se levantar uma vez secas.
“Nossa, nunca tinha percebido esse lugar!” Abraxas exclamou, sua voz ecoando levemente pelas pedras que circulavam o local que acabaram de entrar. Não havia muito espaço entre as rochas: apenas um espaço mais ou menos circular, grande o suficiente para talvez três homens adultos, que era fortemente protegido dos ventos pelas rochas pontiagudas e escorregadias. Havia marcas nas pedras, indicando que em algum ponto o mar chegara a cobri-las o suficiente para ser impossível chegar ali sem nadar, mas isso fora há muitos e muitos anos - agora, não passavam de pedras perdidas no meio da areia. “Finalmente posso ouvir minha própria voz. Acho que uma tempestade vem ai, se levarmos em consideração todo esse vento.” Abraxas completou, se virando para Tom, que havia se recostado contra uma das rochas.
“Acho que sim. Creio ter ouvido no rádio, mais cedo, que uma tempestade estava subindo em nossa direção.” Tom disse, cruzando os braços. Seus cabelos estavam desgranhados e seu rosto e nariz tingidos de vermelho. Abraxas sentiu um sorriso se abrir em seu rosto, mesmo contra sua vontade.
“Então deveríamos voltar logo.” Ele falou, uma mão cobrindo os lábios para que o amigo não percebesse.
“Por que está sorrindo?” Tom inquiriu, franzindo o cenho.
Abraxas pensava em qual desculpa dar (não poderia dizer “ora, te achei adorável com as faces coradas), quando notou, por entre os vãos das pedras, às costas de Tom, um homem alto caminhando na direção deles.
O jovem se surpreendeu - acreditou que eles seriam os únicos loucos o suficiente para andarem pela praia naquele clima. Contudo, lá estava outro louco. O homem tinha a mesma postura que os amigos adotaram ao andar na praia, momentos mais cedo: os braços cruzados, os ombros um tanto curvados como que para forçar o corpo contra o vento usando a própria gravidade. Seus cabelos, negros como o de Tom, ainda que ligeiramente mais longos, também balançavam no vento forte, escondendo e mostrando na mesma frequência a face pálida e os olhos escuros.
“Veja, Tom! Aquele homem é você, só que vindo do futuro!” Abraxas tentou mudar de assunto, apontando por entre as rochas. Tom nem mesmo se virou.
“Não mude de assunto. Por que estava rindo?” Ele perguntou de novo, seu olhar ainda em Abraxas.
“Estava rindo porque…” Abraxas começou, olhando novamente para o homem que se aproximava rapidamente, em direção às mesmas rochas que eles estava. Agora podia ver seu rosto claramente: tinha uma expressão cansada, mas uma beleza aterradora. Apesar das rugas e de algumas sardas, Abraxas não pode deixar de notar a semelhança surpreendente entre o homem e o amigo em sua frente. “Aquele homem se parece MUITO com você. Poderia ser realmente…?” Ele não terminou, apenas lançou um olhar para Tom, semicerrando os olhos. Teria o amigo realmente mexido com um Vira-Tempo no futuro e acabado nessa praia? Poderia estar vindo pedir ajuda? “Tom, você está metido com Vira-Tempos?” Abraxas completou de repente. O amigo bufou, finalmente descruzando os braços.
“O quê?” Disse, sua voz descrente.
O homem finalmente atingiu a formação rochosa e entrou, aparentemente como se soubesse que eles estavam ali. Tom finalmente se virou para encarar o recém chegado. Abraxas não pode ver sua expressão, mas seus ombros se enrijeceram.
“Ora, é você.” Ele disse simplesmente.
O homem sorriu (seu sorriso, Abraxas notou, era diferente do de seu amigo).
“Eu segui as pegadas. Seu avô disse que tinha saído para andar.” A voz, Abraxas notou, era praticamente a mesma - talvez um tom mais rouco. “Aparentemente esse vento não é de uma tempestade normal, mas de um furacão que está se aproximando. Então, resolvi buscar vocês.”
Tom finalmente se virou, suspirando. Sua expressão estava um tanto irritada.
“Abraxas, esse é Tom Riddle. Meu pai. Devemos ir.”
Abraxas encarou ambos, sem saber o que dizer. Simplesmente os seguiu, em silêncio, até em casa, dessa vez ele próprio perdido em seus pensamentos.