A vida das mulheres negras no momento de seu desembarque é manifestada por uma mescla de superação e fé em sua ancestralidade e raízes. Filhas da nobreza transformadas em escravas por uma dominação colonizadora eurocentrista, que visa o reducionismo da figura do negro africano e de seus afrodescendentes, brasileiros ou não. O repasse do conhecimento oral traz à baila a figura monárquica de Ná Angotimé, Rainha de Daomé (atual Benin), fundadora da Casa de Minas, em São Luiz (MA); Anastácia, filha de uma princesa africana, que ajudou os escravos e se sacrificou e que um número considerável de seguidores a considera Santa; Teresa de Benguela, que liderou o levante revolucionário quilombola de Quariterê na regional do pantanal mato-grossense: Aqualtune, organizadora e figura de destaque ao lado de Ganga Zumba do Quilombo dos Palmares e Dandara, companheira e rainha de Zumbi. E ainda temos Tia Ciata, Stella. Menininha do Gantois, Carolina de Jesus, Marielle Franco, Elza Soares, Xica da Silva, Ruth de Sousa, Luiza Bairros, Maria Firmina dos Reis, Adelina, Francisca (chamada a Rainha dos Negros Muçulmanos), Antonieta de Barros, Antonieta de Barros, Dona Ivone Lara, Zezé Motta, Benedita da Silva... Uma lista quase infinda!
Infelizmente, a discriminação racial e de gênero ainda permeiam a história de nossas mulheres afrodescendentes em nossa sociedade, segredadas em nichos e guetos urbanos. É mais que oportuno que haja um resgate do papel transformador da mulher preta e parda em todos os âmbitos sociais e da importância da figura feminina negra formatadora em nossa cultura afro brasileira e de nossa história tradicional.
Devemos portanto, nos esforçar para que nunca esqueçamos da história destas mulheres maravilhosas que transcenderam as limitações do preconceito de raça e gênero e se colocam como transmutadoras sociais, pois um povo que nega a sua história, não se conhece não sabe de suas origens, dificilmente identificará os rumos para o futuro e para desenvolvimento.
Mulheres negras, uni-vos!
Professor @francoadrianooficial
(Referência: SCHUMAHER, Shuma; VITAL BRAZIL, Érico. M














