Museu Afro Brasil - CRÍTICA
Apesar de ser difícil encontrar o Museu Afro Brasileiro no Parque Ibirapuera, devido à falta de indicação, nos primeiros minutos dentro do museu já é perceptível que a procura vale a pena. Não exagero ao afirmar que esse é, a meu ver, o melhor museu que há na cidade de São Paulo. Tanto devido à temática, quanto a estrutura, tamanho, acervo, e informações contidas nele.
O museu ocupa três andares de um espaço enorme. No acervo permanente encontram-se livros, engenharias, pinturas, adereços e objetos, todos criados por artistas negros e enaltecendo a cultura afro-brasileira. Na parte de “Design e Tecnologia no Tempo da Escravidão”, a qual não consegui identificar se fazia parte do acervo permanente ou temporário, há muitos instrumentos de trabalho confeccionados e utilizados por negros escravizados na época da escravatura. Além disso, há o espaço de “Arte Antiga e Contemporânea” em que são encontrados muitos vestuários, peças de cabeça e tecidos de origem africana, além de apresentar a religiosidade do povo afro-brasileiro, tanto a cristã, quanto as religiões de origem africana, e mostrar obras de artistas da atualidade que representam a afro-brasilidade. Por fim, há a carcaça de um navio negreiro, que traz tanta curiosidade quanto um aperto no coração, pois é impossível não imaginar tantas pessoas sendo transportadas de maneira desumana naquilo que um dia foi um navio. Esse eu considerei o ponto alto do passeio. Ao redor da carcaça, nas paredes, há imagens de negros escravizados e, mais uma vez, sinto o aperto no coração.
Mesmo com a intenção de aproveitar cada detalhe do museu sem preocupações, passei todo o trajeto procurando imagens, objetos ou o que fosse que remetesse à temática infância. Encontrei algumas representações de crianças negras em fotografias e pinturas, além de alguns objetos, como bonecas. Mas duas coisas tomaram minha atenção. A primeira é a fotografia “Punição com palmatória” (c. 1860-1865) em que mostra uma mulher branca dando palmatórias em um menino negro, provavelmente filho de escravos dessa mulher. A outra é uma parte do museu dedicada às amas-de-leite. Elas eram mulheres negras, geralmente escravas, que cuidavam dos filhos das mulheres brancas as quais elas trabalhavam. Como a principal função delas era a amamentação, as amas-de-leite eram mulheres que tinham seus filhos pequenos e, sendo assim, era muito comum que essas crianças negras fossem, obrigatoriamente, colocadas em segundo plano pela mãe para que ela cuidasse do filho de uma mulher branca, deixando de lado, assim, o afeto e a educação de seu próprio filho. A pintura do acervo que mais me marcou foi a “Mãe Preta (estudo)” (1918) de Lucílio de Albuquerque, que mostra uma ama-de-leite amamentando uma criança branca enquanto seu filho está deitado no chão. Ao fim deste post, há um vídeo gravado e editado por mim com as imagens relacionadas à infância, mostrando a parte das amas-de-leite e as duas imagens citadas aqui.
O Museu Afro Brasileiro é de extrema importância. Ele leva uma identidade ao negro brasileiro, mostrando toda a pluralidade que há nessa cultura, a importância dela para o nosso país e a força que os afro-brasileiros tinham em tempos piores, dando resistência aos que, ainda hoje, enfrentam o racismo.














