TUDO PODE, NADA PODE
Certo para uns, errado para outros. A liberdade em si parece ser, em sua essência, uma faca de dois gumes. Somos capazes de fazer tudo aquilo que desejarmos. Se faremos ou não, bem, isso depende da geografia e do meio social nos quais nos encontramos. Por mais desconhecidos que sejamos, sempre somos desconhecidos na multidão que, com seus milhares de olhos e ouvidos, nos vigia ininterruptamente. Dia e noite. Sempre.
Posso gritar até perder a voz? Claro que sim, mas o que todos aqueles olhos e ouvidos fariam? Chamar-me-iam de louco, certamente. Talvez me prendessem ou quem sabe até me internassem em um hospício. E tudo isso por quê? Simplesmente por ter tido vontade de gritar? Onde está escrito que não se pode gritar? Quem disse que não é permitido fazê-lo? O pior é que não está escrito em lugar nenhum e ninguém jamais falou nada. Todos sempre se calaram em silêncio catatumbal. Silêncio de cumplicidade. Silêncio que condena. Assim é a sociedade. Nada fala. Age sempre em silêncio como uma legião de agentes secretos.
Já em uma ilha deserta, onde não houvessem olhos e ouvidos nos patrulhando, poderíamos gritar até perder a voz? Claro que sim. Por quê? Estaríamos sós. Seríamos, então, livres? Não, pois estaríamos atidos ao universo restrito da ilha deserta.
Tudo pode ou nada pode?











