s:piece #5
merci de Sara Vaz
Ensaios porque gosto. então, antes de ir a única coisa que tinha era que era a sara, a tua sara, e uma folha de sala, que só li depois da peça. e é muito saudável ver espectáculos assim;) tu conheces os vídeos? so…uma banana pop!este é de longe o melhor dos três mercis, poderia ter sido só aquilo mais tempo. porquê? porque tem piada, é o único momento em que ela me parece tem controlo do que está a fazer. aqui, e no merci #2 com o plano muito lindo da língua nos “pintelhos” do candeeiro, à falta de outro nome mais técnico, que me fez muito lembrar, em versão solitária e mais fantasiosa, o célebre ovo do Tampopo https://www.youtube.com/watch?v=NqA-mP0MhZg&list=TLHycVjsk_4ts Isto também é meio culpa do Bas Jan Ader, ele faz isso muito bem, que acho que a Sara também lá estava, na coisa trágico-cómica, que verdadeiramente interessante e generosa para o espectador. O sonho funciona muito bem também, e a música que me parece também salva o merci 2 é muito boa!De quem é o tema? O caminho do horizontal para o vertical que o texto diz parece-me que é muito a chave do trabalho, porque o enuncia a partir do corpo deitado que se tem/quer-se levantar. A coisa do corpo também é outra discussão, que se salva de novo quando a Sara vem agradecer as palmas do público. Afinal havia um corpo por ali, que senti falta na cena. Ah, mas e tal é um vídeo-instalação, com uma lista de créditos no final, cinema expandido, mas apresentamos num espaço de teatro e performance. é bom a manipulação dos códigos de cada expressão e de brincar com as expectativas do espectador, mas não devia ficar só aí. O Arkadi Zaides, que também teve neste Temps d´Image e no Alkantara deste ano, fez uma coisa incrível na peça Archive https://www.youtube.com/watch?v=UFsh5RAX8cM. Mas enfim, ele é o primeiro a dizer que vem da linguagem coreográfica. E a Sara não é bailarina também? Eu sou suspeita eu sei, tenho o olho mais treinado para o corpo do que para o ecrã, mas por exemplo, no primeiro merci acho o texto diz qualquer coisa sobre costas, tipo ela beija as costas e depois ele diz que sente o beijo nas costas, qualquer coisa assim. isto funcionou muito bem, porque o corpo aparece no texto e não o vemos na imagem mas vemos na mesma. O convite à participação do espectador, quando lemos as perguntas no ecrã e depois a resposta através do som da voz dela, está bem sacado, mas não chega efectivamente. talvez as colunas tenham que estar atrás da plateia, ou qualquer outra solução mais imersiva. Ou então em algum momento da peça sermos convidados a ir para palco, e circular pelos ecrãs. Mas isto é toda outra cena. Outro espectáculo que me lembrei foi de um outro que o Toninho e o Mark também levaram ao Temps d´Image 2012, que era um gajo da nova dança alemã: va Wolf. lembrei-me por causa do fim, justamente, porque não esperava que a sara estivesse ali e viesse agradecer ao público. ela entra em cena no fim, porque o fim é ainda espectáculo, e com esta cia alemã foi o oposto. existem bailarinos em cena o tempo todo mas não fazem o final, o palco fica vazio, a luz sobe, a música continua e mais alta acho e ficamos ali, desconfortáveis, até o fim chegar à consciência de cada um de nós, e lá vamos saindo da sala. Como é óbvio eu gostei da peça, senão nem sequer estava a escrever isto!renasci um bocadinho e a Sara está de parabéns pela docu-ficção, que é uma coisa muito difícil de fazer, e apesar de me ter atravessado mais uma atmosfera documental que ficcional, a verdade é que o espectáculo te deixa nesse sítio, um drama da separação que é universal, mas por causa da maneira como o inventa, se torna a tal farsa, só dela. E bem entendi que é um díptico e que haverá cenas dos próximos capítulos e que é um truque fundamental esse de deixar o futuro suspenso!













