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Brincadeiras durante a gravação #napontadospes #10fatossobrenos ✌
Na Ponta Dos Pés - Capítulo 5.
Se você não leu os outros capítulos clique aqui. Cap 5: +16
É, eu sobrevivi. Mesmo após o vergonhoso acidente de tentar ficar na ponta dos pés – sério o que eu tava pensando? – Eu sobrevivi. E cá estou, morrendo de tédio com uma tala enorme que cobre praticamente todo o meu pé sentada no sofá comendo chocolate. Na verdade, acho que o chocolate é a única coisa que eu preciso. È doce, gostoso, quente e não fala. Chocolate é simplesmente perfeito, pelo menos pra mim.
Lucas não me liga mais e nem me manda um “Oi” no chat do facebook, acho que ele superou. Já eu...Bom eu não tenho nada pra superar a não ser a falta dos presentes dele, é, isso eu vou sentir falta. Francamente, não tem nada de interessante na merda da televisão. A única coisa boa é o chocolate mesmo. Tá entendo? TUDO É CHOCOLATE. Eu sou chocolate. Eu quero morrer num caixão marrom cor de chocolate. Eu quero morrer com MM’s ao meu redor e não flores. E também quero sair dessa cidade ou melhor, desse ovo de codorna cozido porque só faz calor aqui. Enquanto me perco em pensamentos, a campainha toca e porra, qual o problema das pessoas em tocar a campainha quando estou comendo chocolate? È meu melhor momento. E já sei o que fazer a respeito, colocarei uma mini placa, “Momento chocolate não entre” quando estiver comendo e pronto, problema resolvido.
- Entra – digo esperando que a porta esteja realmente aberta
- Oi – é o Lucas
- O que tá fazendo aqui? – me arrumo no sofá
- Queria te ver, sinto sua falta Anna.
- Ah. – e foi a única coisa que pude dizer
- Eu te quero de volta. – ele senta ao meu lado
- E se eu não quiser?
- Te faço querer. – ele tira o chocolate de minhas mãos e me empurra
Do nada ele está em cima de mim, sinto sua respiração ofegante em minha orelha e suas pernas gigantes sobre as minhas. Não consigo sair, ele me prendeu.
- Me solta Lucas, agora. – digo em tom severo olhando fundo em seus olhos
- Eu te quero. – sussurra em meus ouvidos
Seu hálito é quente e acende um pavio dentro de mim que nem eu mesma sabia que existia, ele provoca um arrepio que vai do começo das costas até as pontas dos pés. E então me lembro, meu pé.
- Meu pé tá machucado, por favor, saía de cima de mim. – ele levanta um pouco e me olha nos olhos
- Não tá doendo, consigo ver em seus olhos. – e se abaixa de novo indo pro meu pescoço
- Eu sei que você quer – sussurra e sinto mais uma vez seu hálito quente me banhar, me fazendo arrepiar por inteira.
Não consigo arranjar palavras, não consigo falar, eu o quero. Para meu espanto eu o quero tanto quanto ele me quer. E não quero mais lutar. Passo as mãos pelo seu cabelo puxando-o pra mim e o beijo de um jeito que nunca fiz antes. De um jeito apaixonado apesar de não estar.
Ele se move num vai e vem descontrolado sobre mim, gemendo e arfando enquanto tenta desesperadamente tirar a camisa. Eu o ajudo. Seu peitoral é definido e malhado pelo incrível que pareça.
- Lucas, você é gostoso. – murmuro
Foi como acender uma bomba, ele explode em pura excitação e se pudesse, teria rasgado minhas roupas. Eu o ajudo novamente com um pouco de dificuldade por conta do pé mas consigo, logo estamos os dois pelados embalados em um só ritmo. Conforme ele entra eu arfo e puxo seus cabelos. Isso o deixa louco de tal forma a aumentar a intensidade.
- Quero você pra mim. – ele murmura em meus ouvidos
- Eu não quero você. – digo
E então ele explode em completa fúria, aumenta ainda mais a intensidade a ponto de me fazer sentir certa dor. Mas eu gosto, estamos fodendo, não de forma fraca, não da forma comum como leite e café. De uma forma gostosa e rápida.
- Mas eu quero mais. – sussurro em seu pescoço
- Eu vou te dar mais Anna. – uma estocada mais forte e gemo – Bem mais. – e mais uma
Ele me sustenta com seus braços em minhas costas e logo estou sobre seu colo, ele me preenche, não sai de dentro de mim e isso é bom, excitante, quase não consigo respirar e então ele chega ao auge e eu junto. Explodimos os dois como uma bomba final.
Desmonto sobre ele e ele sobre mim, nos olhamos, nossos olhos estão quentes assim como o resto do corpo e então finalmente ele sai de dentro de mim.
Ele não diz uma palavra e muito menos eu, pega suas roupas, as veste e vai para porta.
- Você vai ser minha. – e sai
Suspiro, que porra que acabou de acontecer? E me deito sentindo meu pé latejar e querendo seu corpo encima de mim novamente.
Na Ponta Dos Pés - Capítulo 4.
O quão irritada uma pessoa pode ficar? Bem, eu posso ficar muito irritada. Tipo, muito mesmo. E eu não estava apenas irritada, eu estava irada, furiosa, bufando. Cara, eu odeio criança, odeio ter que limpar coisa de criança e odeio o fato de ter que falar como criança para que a criança entenda.E outra, em toda a droga da minha vida eu nunca planejei ter filhos e agora do nada eu tenho que cuidar de um filho que nem se quer é meu? Tenha santa paciência viu. - Vim buscar a Bianca. – disse a moça da escola - Ah sim, o pai dela nos avisou, Liz né? – sorriu - É – dei o sorriso mais falso do mundo E então eu a vi, Bianca. Era uma menina bonita, baixinha com bochechas rosadas e muito meiga, acho que ela meio que me seduziu com sua fofura. - Oi menina – disse - Oi – sorriu - Eu sou a Liz e seu papai me pediu pra te buscar. – sério que eu disse “papai”? - Ele me disse – respondeu com a voz fraca - Vamos então? – estendi a mão - Sim – pegou Fomos a maior parte do caminho em silencio até que resolvi ligar o som e cara, tava tocando música clássica, tipo, porque uma emissora toca música clássica em pleno 2012? Levantei a mão para mudar mas fui meio que interrompida. - Porque vai mudar? – perguntou - É chata, se não acha? - Não – sorriu – Eu amo música clássica. - Ah, é? - É. Eu faço balé. - Ah – voltei ao passado em um flashback – Eu fazia antes. - Então você sabe dançar? - Não, não sei nem ficar na ponta dos pés. - Eu também não sabia, mas aprendi. - Você é pequena, é fácil. - Nem tanto. – respondeu Até que pra uma criança de oito anos ela não era burra e muito menos infantil. - Chegamos. – abri a porta do carro pra ela - Que bom. Caminhamos até meu apartamento em silencio mas eu só pensava em vê-la dançar....Será que ela conseguiria mesmo ficar na ponta dos pés? Dei uma olhada pra ela. Não era magra mas também não era gorda, era meio termo sabe? Nem muito gorda mas nem muito magra e era bonita e era pequena... Quando eu fazia balé eu era uma orca e gigante e isso dificultava muito conseguir ficar na ponta dos pés. - Posso te ver dançar? – perguntei entrando no apartamento - Ahaaaaaam. Fui até o som na esperança que estivesse tocando música clássica ainda e estava. Acho que era o dia internacional da música clássica e eu não sabia disso. Olhei pra ela e ela sorriu e então se levantou. Precisei sentar pra acreditar. Seus pés praticamente formavam um arco torto de tanta flexibilidade. Ela conseguia perfeitamente ficar na ponta dos pés e ainda rodopiar, era incrível. Senti inveja, claro que senti. Eu sempre quis poder fazer isso, eu sempre quis poder ficar na ponta dos pés. - Tenta também. – pediu ela - Não, eu não consigo. - Teeeeeenta. - Ok – sorri Fui até onde ela estava e me posicionei ao seu lado. - Tem uma teoria. – ela disse - Qual? - Minha professora diz que você precisa pegar todas as suas forças, tudo que há de bom na sua vida e meio que passar pros seus pés, porque o que é bom te sustenta. – essa garota tinha mesmo oito anos? - Ual, ok. – flexionei o pé - Tudo de bom. – lembrou ela - Vamos lá. – pensei em minha mãe e em minha família, pensei na minha melhor amiga e em todos os momentos que eu fui feliz e fiz força. A partir do momento que tentei ficar na ponta dos pés, meu pé entortou e cai. Cai feito um galho seco, feito as folhas de uma árvore no outono. Meu pé doía tanto que pensei em chorar se é que eu não estava chorando. - Não é na primeira vez que a gente consegue. – disse sem se importar com minha dor - É – dei um sorriso doloroso – Eu nunca consegui, nem antes e nem agora. - Consegue ficar em pé? - Não consigo fazer mais nada além de sentir dor. – respondi sincera - Vou ligar pro meu pai então. – sorriu - OK mas... – comecei - Relaxa, não vou contar que isso aconteceu porque você tava tentando ficar na ponta dos pés. – ela definitivamente não tinha oito anos - Obrigada. – sorri - Mas não terminamos aqui. – respondeu e pegou o telefone - Você que pensa. – murmurei com raiva de tudo Porra. Eu não conseguia fazer algo que uma criança conseguia, eu me sentia um nada, um lixo. Mas tudo bem, tudo vai ficar bem. Só que não.
Na Ponta Dos Pés - Capítulo 3.
Talvez Lucas tivesse razão, talvez eu fosse realmente otária. Porque eu terminei com ele mesmo? É, eu não sei. Acho que não aguentava mais sustentar algo que não me levaria a lugar nenhum, que não me faria sentir nada...Que não me mudaria, que não deixaria borboletas no meu estomago (como eu sou brega, meu Deus). Mas sério, acho que to melhor. Tipo, é indiferente sabe? Tanto faz estar ou não estar... Mas tem uma diferença, pelo menos com ele eu não me sentia tão sozinha, ele sempre me ligava e sempre me levava aos lugares que tinha medo de ir sozinha, e agora? Agora é hora de enfrentar os medos, agora é hora de crescer Liz. É pra frente que se anda. Naquela manhã de segunda eu só queria ficar debaixo das cobertas comendo chocolate sem fazer nada, apenas dormir e esquecer de tudo, esquecer do mundo. Mas não, eu tinha que trabalhar, tinha que ir pro inferno do trabalho. Aquela droga. Na real, preciso mudar de vida, preciso sair dessa cidade minúscula cheia das mesmas pessoas com as mesmas caras e os mesmos gostos que talvez até falem das mesmas coisas. Acho que São Paulo... É, São Paulo seria bom porque é tipo uma Nova Iorque, nunca dorme. Eu ficaria bem lá, cercada de gente nova a todo instante, quem sabe até não encontrava um novo amor pra vomitar borboletas no meu estomago. É, vou tentar. Após me atrasar vinte minutos cheguei no trabalho. Meu chefe nunca reclamava porque eu sempre deixava tudo adiantado, tipo, tudo mesmo. - Liz – disse Mary, a secretária. - Oi Mary, que é? – dei um sorrisinho - O poderoso quer falar contigo. – sorriu - Eita, sério? - Aham. – fez que sim com a cabeça Gelei. Eu nunca tinha sido chamada por ele antes. Caminhei até lá com o coração acelerado, será que o filho da puta ia me despedir? Bati na porta. - Entre. Entrei, ele estava sentado na grande cadeira de couro virado para a vista da janela. - Você gostaria de ir pra São Paulo? – perguntou ele - É... – fiquei sem reação - Vamos, me diga! Sim ou não? - Sim, claro que sim. – dei um sorriso que ele não podia ver - Combinado então. - Nossa, muito obri... – e então ele se virou - Você dizia alguma coisa? – colocou o telefone no gancho Quis voar naquele velho gordo e espremer toda aquela gordura como se fosse um limão. Desgraçado. - Nada, o senhor me chamou? - Sim, quero que faça uma coisa pra mim. - O que? - Fique com a minha filha está noite. - Eu? - Sim Liz. – ele sabia meu nome - Porque eu? O senhor não pode contratar uma babá? - Não confio em babás e você trabalha a muito tempo aqui, confio em você. - Então tá mas... – comecei - Pegue ela no Ideal ás seis e vá pra casa, ela se chama Bianca. E ah, boa sorte. – pegou o telefone - Ok. – sai Eu.Vou.Matar.Esse.Velho. - Como foi Liz? – perguntou Mary - Não é da sua conta. – bufei e fui pra minha sala
Na ponta Dos Pés - Capítulo 2.
Um dia desses estava eu sentada no meu sofá curtindo uma barra de chocolate maravilhosa até que algum infeliz resolveu acabar com toda a minha felicidade e tocar a campainha. Mas que legal. Como eu sou sortuda. Como eu sou feliz. Como eu sou amada e adorada por todos. - Entra. - Oi amor. - Oi – sorri - Ual, que cara. - Não tenho outra Lucas. - Tá naqueles dias? – disse fazendo gestos com as mãos - O que seria “Naqueles dias”? - TPM, ou sei lá. - Não. É só que... Desde quando inventaram o celular as pessoas o usam. - O que tem haver? - Caralho, você é muito burro. - Calma Liz, eu não entendi poxa. – fez bico - Custava ligar e avisar que estava vindo? - O que ia mudar? - Ia mudar que eu poderia ter tido a chance de dizer pra não vir. - Quer que eu vá embora? - Pra falar a verdade, sim. - Você é muito otária. – foi em direção a porta. Levantei do sofá e cheguei lá antes dele. - Otária? – sorri – Eu sou otária? Pode repetir, por favor? - O-t-á-r-i-a. – disse dando ênfase - Sai. – abri a porta - Com prazer. – saiu - E se tu se arrepender depois, não venha me procurar. - Eu nunca te procurei Lucas. Eu nunca te amei. - Isso é tudo? - Sempre foi. - O que sempre foi? - Sempre foi nada. - Nada? - Nada. - Ok. – se virou - OK. – respondi ao vento.
Continua..
Na Ponta Dos Pés - Capítulo 1.
Eu estava tããão nervosa, vocês nem imaginam o quanto, sério... Tipo assim, numa escala de 10 á 1000 eu estava á 1 milhão. Era minha primeira apresentação aos seis anos e sim...Eu ainda lembro muito bem, deve ser porque foi um total fiasco. Tropecei na árvore que na verdade era o Diego e puf, lá se foi minha carreira de dançarina de balé clássico. Bom, tanto faz, eu nem levava muito jeito mesmo... Nem na ponta dos pés eu conseguia ficar! Também né... Era praticamente uma baleia. Mas eu gostava de dançar, me sentia leve, me sentia livre...Era como se a música clássica me completasse, mas...Nem sempre o melhor é persistir no erro. Hoje sou mais tranquila, trabalho de secretária numa cidade do interior chamada Tatuí... Não conhece né? Ninguém conhece! Mas vou ajudar, pensa num ovo. Pensou? Agora pensa em algo menor que isso, tipo um ovo de codorna! Pensou? Ótimo, essa é a cidade que eu moro. Mas eu sou feliz aqui, na medida, é claro. Tenho uns amigos que dão pra se contar numa mão, mas que são verdadeiros e um namorado que eu não amo. É, é isso mesmo que você tá pensando, “Nossa, ela tá com o cara, mas nem ama ele?”. Vem cá, entre ficar com alguém legal que você não ama e sozinha comendo chocolate eu prefiro ficar com alguém legal que não amo e tenho certeza que você também. Hoje é sábado, daqui sei lá quantos minutos meu nãoamado (lê-se namorado) vem me buscar. Ele é cheio dessas surpresinhas, na maioria das vezes ele nunca me conta pra onde vai me levar mas eu acabo gostando no final. Pra falar bem a verdade, acho que ele também não me ama, a diferença é que ele não me diz...Já eu, sou mais sensata, digo logo que não amo e pronto. Se tiver que acabar que acabe...Acho que é até melhor assim! Um relacionamento em que ambos não se amam mas se suportam, é mais fácil, não tem sofrimento, não tem nada. Apenas o companheirismo e a fidelidade, que tem que ter sempre independente de tudo. Opa, a campainha tocou! Deve ser ele. - Entra, a porta tá aberta. – gritei - Oi meu amor. – sério, isso é meloso demais pra mim - Eu já disse que... – comecei - Tá, não sou acostumado a não ser fofo – ele riu – Vamos começar de novo. – voltou prá trás da porta. Tocou a campainha de novo. - Entra! – gritei rindo – A porta tá aberta. - Oi Liz feia! – riu mais ainda - Liz feia? – sorri – Esse combina comigo. - Ah, quando você vai aumentar essa auto estima em? - Quando você me pagar uma plástica. - Você não precisa disso. – se aproximou - Você que pensa. – nos beijamos
Continua...