Não vou dizer que não dói
Me agarrei tanto em você, nos beijos nas expectativas, na esperança. Qualquer migalha que você jogava pra mim, deixava o meu dia radiante. Um vídeo seu tocando piano ou palavras fofas me deixavam com um sorriso bobo no rosto por dias. Me segurei tanto nas minhas esperanças de dar tudo certo, que nem percebi o quanto iria sofrer quando tudo acabasse. E acredito que eu esperava que acabasse de uma forma fenomenal, sem ser do jeito que foi. Nosso último beijo, ouso dizer, foi o mais chulo de três anos de relacionamento. Mas tudo bem, afinal, acabou. O que eu poderia fazer? Tentei manter esse relacionamento vivo por três anos e cansei de tentar ressuscita-lo no minimo uma vez por mês.
Nem cogitei dizer que não dói, oh, como dói. Às vezes acredito que teria sido menos doloroso se você tivesse me esfaqueado ou me dado um tiro, talvez até uma daquelas mortes horríveis que já conversamos sobre seria melhor do que a dor que hoje sinto. É como se eu levasse uma estaca no peito toda vez que eu penso em você com outra pessoa, beijando uma boca que não a minha, pegando numa bunda que não a minha, acreditava que não existia dor maior do que essa, então um dia você veio conversar comigo sobre romances atuais, que não nos dois juntos. E doeu mais. Logo depois, soube de você com outra menina e como num passe de mágica passou a doer mais. Imagino se ver você com outra pessoa vai doer ainda mais. Bem, não sei se quero descobrir.
Às vezes me ponho a pensar, será que você leva ela nos mesmos lugares que ia comigo? Tem as mesmas manias que tinha comigo? Será que você bagunça o cabelo dela que nem bagunçava o meu, me lembro de ficar horas desembaraçando o cabelo e você rindo de mim. Vocês passam horas conversando por whatsapp ou por facetime? Lembro até a época que você estava sem celular e passávamos horas conversando por facebook. Será que o seu beijo com ela é o mesmo que você tinha comigo? As piadas são parecidas? Sua mãe gosta dela? Ela já deixou seu pescoço roxo do jeito que eu já deixei? Você é verdadeiro com ela? Derruba todas as barreiras que você coloca pro resto do mundo, do mesmo jeito que fazia comigo?
Não posso ser hipócrita e falar que fiquei em casa por dias a fio chorando, por mas que as vezes eu tive uma vontade enorme de fazer isso, nem sei como levantei da cama. Bem, algumas horas eu fiquei sim sofrendo, sofrendo pelo nosso fim, sofrendo por não ter mais você na minha vida, sofrendo pela sua boca não estar junto a minha. Mas então, eu me levantei, coloquei meu melhor sorriso no rosto, passei horas escolhendo uma roupa, dancei na frente do espelho, me maquiei correndo por que estava atrasada (você é a única pessoa que eu conheço que é mais atrasado do que eu) e então sai. Bebi, dancei, rebolei, desci até o chão, fumei (como você odiava quando eu fumava), ri, bebi mais e sim, beijei outras bocas. Foi sim emocionante e o mais emocionante que beijar essas bocas, foi descobrir de quem elas eram no dia seguinte, tendo só o nome da pessoa descobrir o máximo que eu conseguir sobre a pessoa e que missão divertida! Deixar pescoços roxos e ficar com o meu roxo. Sim, me diverti.
Mas ainda não posso dizer que não sofri. Eu me entreguei de corpo e alma pra você, pra depois ficar com meu coração destroçado. Um dia eu vi em algum lugar “sempre serei assim : profundamente coração.” Essa é quem eu sou, eu pulo de cabeça e com você não foi diferente, mas a queda foi a pior possível. Mas está tudo bem, por que agora eu estou seguindo em frente, estou indo embora, vou sorrir e acreditar que amanhã vai ser melhor, por que sei que vai. Ainda dói e não sei quando vai deixar de doer. Mas por ora, vou sorrir por que a gente aconteceu, vou parar de chorar por que acabou. Tínhamos uma data de expiração desde o início e a postergamos o máximo possível e fico feliz por termos feito isso, por que sem isso, não seria quem sou hoje. Isso faz parte de mim, da minha história; ajudou a construir quem eu sou.