Janelas
Eu vi o Sol entrar. Eu vi o rei saltar na luz e me cegar ao amanhecer. Ele raiou e me banhou. Ele adentrou o meu quarto e o reflexo em meus lençóis brancos de seda tocaram minhas pernas trêmulas e marcadas.
Levantei a segurar e me cobrir, e arrastei pelo chão a dignidade que havia jogado fora pela noite. Eu quero agarrar e ir com ele. Posso ir?!
Quero brilhar ao entardecer e estar na memória de alguém. Quero ser foto e ser quadro. Quero dar idéias e dar vida. Quero ver o amor feito pela grama, secar o choro que escorreu no rio. Quero estar acima de todos e abaixo de um.
Me deixa ser?!
Me esconder na chuva, sumir no frio.
Vou invadir janelas. Invadir janelas. Vou abrir janelas. Mais não vou fechar.















