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Estive pensando sobre como é preciso ter coragem pra cortar laços. Pra admitir que o que antes nos fazia bem, hoje já não faz mais.
É necessário muita força para dar o primeiro passo. Para entender e aceitar que a partir dali nada mais será como antes. Que um lugar ficará vazio na mesa.
Nos prendemos muito a memórias. Deixamos que tomem conta e ditem nosso destino. Imagina que louco estarmos completamente submissos a algo que aconteceu há tempos. Algo que jamais se repetirá, mas que ainda assim nos assombra dia após dia e nos faz viver cegamente esperançosos, baseando nosso futuro num passado morto com alguém ou algo que já não está mais alí.
Um dia seremos pó. Seremos meros fragmentos nas memórias de outrem. Seremos um minúsculo grão de areia na infinitude do universo de uma pessoa. Seremos nada mais do que uma finíssima e quase imperceptível fibra de algo que antes era o mais resistente e inquebrável laço.
–Parada-estelar
Essa pandemia serviu para nos fazer valorizar cada pequeno momento e toda a simplicidade da vida.
Nos fez ver o quão importante é o abraço e o poder de cura que ele exerce em cada um de nós, desde que estejamos com aqueles que amamos.
Bate aquele desepero quando penso que não pertenço a nenhum lugar do mundo.
Parada-Estelar
Estou cansada de pessoas vazias. Estou cansada de ser tão vazia quanto elas...
Parada-estelar
Eu fico na esperança de que alguém me note, que olhe nos meus olhos e descubra que não se imagina sem mim, alguém que me faça sentir amada.
Parada-estelar
Quem disse que eu ligo quando fala que não quer mais me ver? Quem disse que me importo quando você some por dias sem sequer ligar pra dizer que está bem? Acha que sofro quando vejo que todos são importantes pra você, mas eu sou apenas "aquela garota que vive mandando mensagens"? Está certo então, pois ligo por saber que não sou tão importante pra você, me importo quando some assim do nada e me dói muito, céus, como dói ser só mais alguém insignificante em sua vida, mas isso tudo não é o bastante pra fazer desaparecer todo o amor que sinto por você, pois tudo aquilo que é puro e verdadeiro é mais forte que qualquer barreira que possa existir nesse mundo e posso te garantir uma coisa... Não desisto assim tão fácil.
Parada-estelar
O que faria se não tivesse mais poder sobre seu corpo? Como reagiria se soubesse desde o início que tais momentos trariam desgraça à sua vida? O que diria se sua paz lhe fosse roubada assim, tão rápido quanto um tiro de fuzil que lhe invade o peito e lhe toma o ar? todo o ar.
Controle? O que seria isso? Seu corpo nem mais reage às respirações profundas, mal consegue contar até 10. Os soluços impedem, tudo fica difícil e inalcançável.
É isso! Tudo fica inalcançável. O ar se torna rarefeito, as mãos já não têm mais firmeza, apenas suor e gelidez.
O mundo que até então, de tão vasto e quase que infinito não passa de uma ilha, uma finita e minúscula Ilha na imensidão do oceano que se perde, torna-se cada vez menor enquanto é engolida por toda a água salgada e perigosamente serena.
Dor. Não é palpável como parece ser mas ainda dói como se assim fosse. Indescritivel, insuportável, de lhe fazer querer arrancar os cabelos e rasgar a própria pele.
Não existe espaço para gritar. De sua boca já não sai mais nenhum ruído, sua voz se perde entre o nó na garganta e a respiração falha, mas seu coração bate. Bate ferozmente como uma escola de samba na Avenida em noite de carnaval.
Falando em samba, o que dizer da sensação de se estar preso em uma caixa minúscula feita sob medida, onde pés inquietos e marretas e martelos dão um show sobre seu caixão? Não há como impedir. Não existe escapatória. Não existe controle. Não existe paz. O ar se foi com tiro e a ilha se perdeu no mar. É como se nunca tivesse existido.
E sim, essa ideia sempre lhe passaria pela cabeça. E se nunca tivessem existido? E Se nunca precisasse fugir? E se nunca existissem esses pés inquietos? E se nunca precisasse fugir se eles simplesmente deixassem de existir?
O som do desespero (parada-estelar)