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Caption Zane’s rant :0
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Eu me exponho demais. O que sinto. Faço questão de dizer, tirar de dentro, transbordar em um papel seguro. Mas confesso seu pouco me constrange, me afasta. Eu nunca fui copo raso, sempre estou cheia demais, e tem hora que me parece vergonhoso deixar escorrer no papel.
O ameno não me basta.
01
Se eu fechar direitinho os olhos, ainda consigo enxergar o momento exato em que você apagou as velas, fez um pedido, me olhou e sorriu. Engraçado como a memória escolhe guardar certos instantes como quem protege uma chama do vento.
Hoje é seu aniversário, e eu me peguei voltando a esse momento sem nem perceber. Talvez porque algumas pessoas tenham esse jeito raro de permanecer. Não necessariamente ao lado, mas dentro. Há presenças que mudam de forma com o tempo; deixam de ser rotina, deixam de ser conversa, deixam de ser encontro. Mas continuam sendo parte daquilo que a gente enxerga, sente e leva para a vida.
Acho bonito pensar que o amor também faz isso. Nem sempre insiste em ficar. Às vezes, ele apenas existe, silencioso, transformado em lembrança, em aprendizado, em um sorriso que aparece sem pedir licença quando uma data como hoje chega.
Espero que a vida continue te encontrando com a mesma leveza daquele sorriso. Que os seus pedidos encontrem o caminho certo, mesmo quando você esquecer exatamente quais foram. Que nunca lhe faltem motivos para apagar velas, fazer planos e acreditar que sempre existe um novo começo esperando por você.
Parabéns. Que este novo ciclo seja gentil com quem você é hoje, e generoso com tudo o que ainda vai se tornar.
A resposta é tão simples quanto a pergunta. As vezes eu sinto que exponho demais, sinto demais, falo demais, e o silêncio não me cabe, nem dentro de mim e muito menos no que espero de volta.
Falar sozinho cansa.
Como é possível algo ser tão devastador e permanente? É contraditório que algo nos leve por inteiro e, ainda assim, permaneça exatamente no mesmo lugar.