E então ele a encostou na parede. Agarrando seu queixo e levantando-o, perguntou:
- É isso? Você chega e diz que acabou? – Seus olhos estão brilhando, mas ele se recusa a deixar as lágrimas descerem.
- Sim. Quero dizer que acabou, que não há mais nada, que... – Ela suspira pesadamente, sabendo que aquela seria uma discussão demorada. – Não existe mais possibilidade de nós...
Ele a cala com sua boca. Nesse beijo, ele demonstrou seu amor, sua paixão, seus sentimentos. Ela, por outro lado, apenas correspondeu, sabendo que se demonstrar qualquer coisa, sua muralha irá ruir e acabará com seu plano.
- Você não vai me deixar. Não pode desistir só por isso, não pode ser tão... tão fraca.
- Fraca? Você acha que eu sou fraca? Sabe quantos já disseram que não iam me deixar, mas no final me largaram? Eles, sem exceção, brincaram com meu coração. Eles atiçaram os meus sentimentos pra depois me deixarem de escanteio, com um coração todo partido. É só uma questão de tempo até você se esquecer de mim também. – Uma lágrima escorre por seu rosto, desmanchando a máscara que ela criou com a maquiagem.
- Você... você acha que eu a esqueceria? Você é inesquecível amor, você... – Ele se surpreende com o tapa que levou.
- Não me chame de amor! Não me faça promessas vazias, não me jure coisas que não pode cumprir! – Ela começa a chorar, e soluça tão forte que seu peito chega a doer. Talvez não seja só pelos soluços que eu esteja sentindo essas dores, ela pensa. – Pra quantas você já disse essa frase? “Você é inesquecível, você é meu amor, você você você...”
- Não acredito que você pensa isso de mim. Eu nunca chamei outra garota de amor, nunca falei que ela era inesquecível, porque nunca foi verdade! – Ele começa a se exaltar, a raiva tomando conta da sua mente. – Você acha que eu sou como os outros? Que eu gosto de brincar com os sentimentos de uma menina? Bom, se você acha isso é porque certamente não me conhece!
Chorando, ela começa a correr em direção à sala, e ele a segue. Agarrando-a pela cintura, ele a faz se virar e encará-lo.
- Eu nunca chamei outra garota de amor, nem de bebê, nem de nenhum jeito sem ser pelo nome! Eu te chamo assim porque eu te amo, porra! Será que pode entender agora?
- Ah, é? E o que te faz achar que me ama? Meu corpo? Minha boca? O que? Tem muitas garotas perfeitas por aí, por que você acha que eu deveria acreditar que você me ama? – Ela começa a tremer, e sente como se todo o seu corpo fosse se quebrar. – Não sou uma modelo pra você ficar desfilando por ai, eu não tenho jeito de...
Ele a olha, incrédulo, e a agarra com mais força. Abaixando seu rosto para ficar na altura do dela, ele começa a cuspir as palavras pra ela.
- Você acha que eu só estou com você pelo seu corpo? Ou pela sua boca? Eu te amo pelo que você é, não por sua aparência! Sei que vai parecer clichê, mas é a verdade! Você é muito mais que esse seu sorriso lindo, muito mais que esse cabelo preso de um jeito engraçado e perfeito ao mesmo tempo, muito mais que esses olhos castanhos que eu tanto amo. Você é essa garota que ama ler sob a sombra de uma árvore, que adora tirar fotos de tudo e de todos, que é tímida, que coloca os fones de ouvido e começa a dançar e cantar, que adora jogos de luta e não consegue jogar sentada, que mata zumbis mas tem medo do jogo, que ama animais mas tem alergia, que ama bebês e fala com eles daquele jeito engraçado... Você tem muita coisa que não percebe. – Ele encosta sua testa na dela e começa a acariciar seu cabelo. – Você é especial de um jeito único, do seu jeito. Eu te amo por isso, por ser quem você é.
- E você reparou nisso tudo? – Ela fecha seus olhos e começa a deixar que o amor dele a preencha. – Parece ter notado muita coisa em mim.
- Eu notei muitas coisas mais. Você mexe no cabelo quando está nervosa, você fica quente e vermelha quando está com vergonha, você sonha em um dia ter um tigre de estimação, você não pensa no que fala, você sempre tenta ajudar os outros, você gosta de ver filmes e chorar, você...
- Ok, eu entendi. Você reparou em muita coisa, e tem mais. Mas agora é minha vez de falar. – Ela respira fundo e deixa as palavras saírem, sem nem pensar nelas. – Você tem um sorriso que encanta a todos, e deixa muitas meninas babando por você, coisa que não me agrada muito. Você sempre fica me observando e deve achar que eu não percebo. Você tem um cheiro tão bom e um abraço tão quente que me hipnotizam, e eu preciso ficar abraçada com você... Seu toque é tão delicado e carinhoso, mas ao mesmo tempo demonstra desejo e paixão. Você adora jogar videogame, e quando perde fica com um biquinho. Você fica muito lindo enquanto dorme, e mais lindo quando acorda. Seus beijos são a melhor coisa do mundo, e eles me deixam fora de sintonia... Quando estamos longe, me sinto perdida; quando você me toca, sinto que finalmente achei o meu lugar. Já sonhei e imaginei várias vezes nós dois no altar, você tão lindo de terno e depois na nossa lua de mel. Depois, nós moraríamos numa casa com um cachorro, então teríamos filhos. Após alguns anos, nós dois estaríamos sentados numa cadeira de balanço na varando, olhando nossos netos brincarem no jardim. – Ela o observa com seus olhos brilhando, as lágrimas já secas.
Ele a olha como se fosse o centro do universo. Levantando-a do chão, ele a beija como se ela fosse o ar que ele respira. Ela o agarra como se soltá-lo pudesse matá-la.
- Só tenho uma coisa a dizer depois disso, amor. – Ele sorri, com a ideia surgindo em sua mente.
- Qual coisa, amor? – Ela olha fundo em seus olhos, como se pudesse ver a alma que vivia atrás daqueles lindos olhos, e toca sua testa na dele. Alisando seu cabelo, ela encosta sua cabeça no ombro dele e aspira profundamente o cheiro que ela mais ama.
- Você quer ser minha esposa?
Com um sorriso, ela segura o rosto do amado entre as mãos e o beija. Um beijo terno, lento, apaixonado. Enroscando as mãos nos cabelo dele, ela sussurra uma única palavra.