Início do século XX, Thomas Wake, responsável pelo farol de uma ilha isolada, contrata o jovem ephraim Winslow para substituir o ajudante anterior e colaborar nas tarefas diárias. No entanto, o acesso ao farol é mantido fechado ao novato, que se torna cada vez mais curioso com este espaço privado. Enquanto os dois homens se conhecem e se provocam, Ephraim fica obcecado em descobrir o que acontece naquele espaço fechado, ao mesmo tempo em que fenômenos estranhos começam a acontecer ao seu redor.
Robert Pattinson como Ephraim Winslow
Willem Dafoe como Thomas Wake
Valeriia Karaman como Sereia
Nesta experiência, dificilmente o espectador irá encontrar respostas para o que é apresentado no filme, o que realmente importa é a sensação de terror que nos choca a cada cena que se passa, a combinação de arte e e design de produção é perfeita, com cenas de tirar o folêgo e fazer suas mãos ficarem suando. A sensação de tensão é constante com a imprevisibilidade dos personagens, as roupas tem um aspecto bem caracteristico mofadas, sem falar nos móveis podres e a sensação do espaço ser menor do que aparenta.
Com diálogos inspirados em documentos históricos, de onde também foi construído os dialetos dos marinheiros, e suas referências literárias para ambientar a ilha, a relação do indivíduo com a ilha e o isolamentos, tudo isso retirado de Herman Melville e Robert Louis Stevenson, não houve falta de esforços por parte dos diretores em deixar o filme exagerado, aterrador e muito barulhento.
Na passagem dos dias, é mostrado as simples atividades que acabam se tornando um martírio, o que deixa claro a mudança que o isolamento e a humilhação causa, uma linha visual e tematicamente das obras de H.P.Lovecraft, que mostra as grandezas das entitadades e forças incontroláveis do céu, terra e mar. É claro a insignificancia do homem em contato com essas forças tendo como recompensa a loucura, fora as relações com deidades e simbologismo.
O final é bem enigmático, devo confessar que tive dificuldades em entender a narrativa, mas o simbolismo do momento só vem apartir do conhecimento de um lado histórico que é feito no roteiro, a mitologia romana e grega, as histórias de Ícaro e Prometeu. Ícaro sonhava em sair de creta pelos céus e ao voar perto do sol acaba caindo para sua morte, Prometeu era um titã que roubou o fogo sagrado a fim de dividir com os humanos, Zeus, revoltado e temeroso com as consequências de tamanho poder na mão dos homens, decide punir Prometeu, deixando o preso eternamente a uma rocha enquanto aves comiam seus órgãos.
O diretor Robert Eggers acerta mais uma vez com imenso talento, domínio e pretensão na história, fazendo O Farol ser um sucessor à altura de A Bruxa, quebrando o paradigma de que o ser humano é o ser mais poderoso sobre a terra, deixando claro que nossa existência é dominada pela terra o que fica claro na fotagrafia do filme, somos fracos e nossa fragilidade é tão aparente que se quer a naureza precisa fazer algo para que nós mesmo acabemos nos destruindo.
A realidade é sempre muito mais estranha que a ficção, por isso O Farol é inspirado em uma história bem real, o Farol de Smalls, localizado na península de Marloes, em Pembrokenshire, em Wales, a 13 km de Grassholm, foi palco de uma grande tragédia na virada do século XVIII e XIX, em 1776, James Douglass erguia o antigo farol na Ilha de Small, uma ilha pequena.
Thomas Howell e Thomas Griffith eram os dois patrulheiros no farol, uma forte tempestade atingiu a ilha, quando Griffith morreu, e não fica claro sobre o que foi, algumas fontes dizem que foi a partir de um estranho acidente ou uma doença que o atingiu derrepente, Howeel, não se dava bem com ele e não queria ser acusado de assassinar o homem, invês de jogá-lo ao mar, decidiu fazer um caixão e colocar o corpo lá quando o mesmo começou a apodrecer, o caixão ficou na varanda enquanto Howeel patrulhava o farol.
Mas devido a tempestade não terminar, o caixão acabou cedendo já que havia sido feito de uma forma precária, o corpo de Griffith ficou pendurado na varanda, Howell teve que trabalhar o restante do tempo sozinho, até que alguém fosse buscá-los para a troca de turno, mas com a tempestade acontecendo na ilha, era difícil para todos os barcos se aproximarem, além de Howell ter que trabalhar sozinho era obrigado a ficar vendo o corpo do companheiro observando o da casa.
Quando conseguiram chegar até a ilha, os amigos e familiares de Howell não conseguiam mais o reconhecer, tamanha a transofrmação que havia ocorrido com ele desde o início da tragédia, por causa desse acontecido as regras para os patrulheiros mudaram e os faróis passaram a contar com três trabalhadores até que foram completamente automatizados em 1980.
" O tédio transforma os homens em vilões."