ato i, scene i — the foreigner.
DATA E HORA: 12 de setembro de 2020 às 19:00 horas
LOCAL: sala de jantar privada, aqua shard
naquela manhã, você recebeu uma mensagem. uma pessoa muito querida te convidou para jantar sob pretexto de precisavam conversar. mesmo que você tivesse compromissos, não poderia ignorar o chamado. sua curiosidade o levou até ao aqua shard, um espetacular restaurante com enormes janelas onde londres se estendia até o horizonte. o maître lhe surpreendeu ao conduzi-le até uma sala privada.
delphine foi a primeiro a chegar, encontrando apenas uma mesa extremamente bem posta com um total de onze lugares. o que aquilo significava? era uma pegadinha, uma emboscada? aos poucos, cada membro da família chegaram e com eles uma tensão palpável.
então, exatamente às 19:00, o último componente daquela reunião abriu a porta.
SEOJUN’S POINT OF VIEW
Seojun entendia muito bem o porquê tinha de fazer isso. Ficar algum tempo observando essas pessoas fez com que o sul coreano pegasse um certo apego. Depois de ter sido ameaçado mais uma vez, Jun quase foi capturado por quem queria matá-lo e logo saiu do seu país natal para procurar mais a respeito daquela pessoa que o perseguia no seu sonho. A mulher parecia não ser tão mais velha que si mas ao mesmo tempo, tinha uma aura antiga, de quem estava no mundo há muito mais tempo do que diriam. Jun a encontrou em um país remoto, longe de tudo e de todos. E por algumas questões, ele poderia entender o porquê, afinal, quando descobriu que ela morava com um grupo de imortais, sabia que eles poderiam ser ratos de laboratórios perfeitos. E com isso, Jun precisava encontrá-los, não só por estar sendo perseguido mas também por precisar estar perto de gente. Haviam nove anos que estava trancado dentro daquela espelunca que poderia ser chamada de lar -- ou não.
Saber mexer com todo o tipo de tecnologia só o ajudava com algumas coisas, como por exemplo marcar um encontro com os dois grupos de imortais para dizer a eles que Seojun existia e que foram encontrados facilmente -- um pouco de mentira já que demorou anos. Por isso, quando o sul coreano resolveu dar as caras dentro daquela sala, ele soube que os olhares recaíram sobre si e então foi até a mesa no centro, o sorriso enorme no rosto e a atitude de sempre: arrogante.
“Eu achei vocês!” O pirulito ainda estava na sua boca, já que precisava sempre de algo doce no seu sistema para não morrer, mesmo que não morresse de verdade. “Meu nome é Moon Seojun e eu espero que vocês todos estejam entendendo o meu inglês porque na verdade eu só sei inglês e coreano, talvez eu me arrisque com japonês mas só sei algumas palavras.” Acabou por suspirar e continuou falando antes que alguém questionasse. “E eu sou um de vocês.” Foi nesse momento que pegou uma faca e cortou o pulso só para que todos pudessem ver suas habilidades de cura -- e também as caretas impressionadas. “E foi muito difícil encontrá-los justamente porque vocês não são mesmo amigos de tecnologia. Mas, não são completamente invisíveis… Obrigado por atenderem ao meu convite.”












