É curioso o que acontece: na astrologia, a Lua significa o Povo. E a Lua é, também, o feminino. Neste momento, a Lua se prepara para minguar (amanhã, 21/10); e agora mesmo, ela passa por Câncer, a quem rege. Câncer também representa o feminino, entre muitas outras coisas. Lua e Câncer são sobre outro tipo de força, a do receptor, a do vulnerável, e em nossa cultura: foi o que ficou oprimido, submetido, escravizado — o Povo/o Feminino.
Olhei o céu, há pouco, e vi que a Lua opõe-se a Plutão (Poder) e a Saturno (Autoridade), mas o destino está do lado dela: o Nodo Norte. A Lua em Câncer (a "cuidadora"), prontinha pra minguar, fura exatamente no meio, entre Plutão e Saturno, desafia (e re-clama) poder e autoridade (de quem, de fato, não os tem = o governo, e se, na sua ilusão os teve, está perdendo = o Nodo Sul é quem perde a briga, mas não sem espernear). E como o feminino autora, provoca, luta e desafia? em qualquer gênero, etnia, raça? Não com guerras. Ele cuida. #oPovoNaPraiaLimpando.
Cooperação, inter-depender, palavras da Lua e de Câncer.
A Lua-Povo dispara de outra forma: limpando o mar (o 'inconsciente'), dispara braços, não facas. Água, útero, o de onde se vem... a vida começa no mar. E a Lua é, justamente, sobre o inconsciente, o dentro, as entranhas de uma nação: seu Povo.
Prepara-se um útero, para parir o que? (Será que este Povo não quer se re-parir? A si mesmo? Oxalá).
Estudo o ciclo da Lua há tempo demais pra já ter visto que durante a minguação da Lua, muitas fichas finalmente batem no chão, pesadas. Uma decepção, uma ilusão, uma certeza, um insight, uma história, que se insinuaram na Crescente, ou se configuraram na Cheia — no Quarto Minguante: o gongo bate. O choque passa e fica uma verdade relativamente sólida, impossível de ser negada. Hoje, vi uma ligação clara entre a luta feminista e a luta do povo. A liberação do que está por baixo, espezinhado, começou. Pelos seus próprios braços.
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Ana Karina Luna é escritora, artista plástica, designer, terapeuta holística, taróloga/astróloga. São seus os livros: Saindo da Piscina de Éter - Poemas Ilustrados (Lua Negra Cartonera, 2017) e Maluquete Quer Dançar - Poemas & Geometrias (Lua Negra Cartonera, 2019). Contribui com artigos semanais para o Alagoas24Horas. @anakarinalua (Insta), @anakarina (FB)
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(Este texto também foi publicado no 'Alagoas 24 Horas’:
https://www.alagoas24horas.com.br/1253391/na-astrologia-a-lua-significa-o-povo/)
A luz vai vir daí: Povo limpando praias. Quem governa é o Povo, e governar é se responsabilizar. Pelo que é do Povo = pelo que é nosso. Já repeti, muitas vezes, que se as coisas funcionam em ditos "países de 1° mundo", é porque o Povo lá faz, mexe-se, cria associações, vai nas reuniões das câmaras — olha, xereta, impõe, participa, faz com as próprias mãos. (Eu vi com esses olhos que a Terra há de comer.) Engana-se quem acha que é o governo quem faz.
A relação entre governo e Povo (a qual vivemos aqui) é análoga a um casamento onde, depois de assinado o contrato, uma das partes diz, "Pronto, já casei, aqui está o dinheiro das contas, agora você faz o resto", vira pro lado e dorme. Gera, um casamento assim? Frutifica? Nunca se consuma... (Aí, vai o governo, e trai o Povo a torto e a direito, Povo que dorme em berço esplêndido. O Povo tem que assumir o governo, transar com ele sentado por cima, como uma Dama no poder, para não ser apenas fodido e submetido. Mas não, o Povo fica, do seu sono esplêndido, balbuciando reclamações do que o governo, mal-governado, não faz... Ele mesmo culpado, das mesmas coisas. E, assim, o Povo não transa. Alguém conhece um casamento assim? Eu, vários.)
O governo é espelho, ele fará o que o Povo faz.
Diz-se que o Povo é soberano, e é, porque é seu, o poder. Bacurau não é sobre uma fantasia. É sobre uma ideia real, fazível: a de tomar nas mãos o próprio destino. E muito melhor que facas (ou bombas) é o (auto)-fazer. Essa arma funciona como um veneno nos corredores de um governo. E assim é que, quando um Povo toma o seu poder soberano, o de Ele mesmo fazer, cria-se um torque no tecido do campo energético, e já que o governo é apenas representação, espelho, ele é energeticamente obrigado a seguir na mesma linha. E, assim, uma bruxa maluca vos fala.
Temos mais um ano e pouco dessa energia. Aproveitemos que a lição é dura e exagerada, mas clara. As bagaceiras que estão vindo à tona, não nos enganemos, sempre aconteceram e nada é novo. Apenas, agora, estamos sendo "brindados" com a sua límpida visão e isso nos choca, nos acorda do sono esplêndido. Estamos molestados, chateados, furiosos, queremos dormir em paz e o governo não deixa. É claro que também não queremos ver o nosso lado, neste casamento: onde falhamos, onde agimos tal qual o governo, onde somos omissos. Transborda-se, agora, e aparece, alva e branca: a relação entre um Povo e seu governo. O Povo se governa, e se ele se omite, se ele não ousa governar-se, se ele não dá o exemplo, ao governo que elegeu, o caos chamar-se-á desgoverno. A lógica é essa, a que não estamos entendendo. Pensar que é o governo quem manda é o reflexo do nosso pensamento mágico de que o parceiro é um "pai/mãe" pra nos cuidar. Não somos crianças.
O Povo É a 'primeira-dama' e Ele fode por cima. O Povo, nas praias, limpando.