pós-feira dos sentidos.
A varanda da casa de Liv estava iluminada por uma luz alaranjada, dessas que pareciam existir só em noites como aquela: silenciosa, tardia e carregada demais. Aaron ficou parado por alguns instantes na sacada, as mãos no bolso da calça jeans escura, encarando o próprio tênis como se ele fosse dizer se aquilo era ou não uma má ideia. Provavelmente era. Eram quase onze horas, ela provavelmente estava dormindo. Ele tinha acabado de sair do turno no bar e, ao invés de ir pra casa, como fazia todas as noites, pegou o caminho até ali, sem pensar muito ou planejar o que ia fazer. Era como se algo o puxasse, uma força silenciosa, insistente, que ele não conseguia entender. Só sabia que tinha a ver com ela. E por mais que algo dentro dele quisesse ceder a isso, Aaron empurrou o impulso para um lugar mais fundo. Cauteloso. Sempre cauteloso. Não era do tipo que pulava de cabeça. Não sem saber se o chão era fundo o bastante. Mas impulsivo o suficiente para aparecer ali sem avisar. Blackwell bateu na porta com os nós dos dedos, um som baixo, contido. Quando Olivia apareceu — para sua surpresa — os olhos ainda adaptando à luz da noite, Aaron levantou o olhar devagar. Sem pensar muito bem no que dizia, soltou, um tanto irônico: “Estava entre vir aqui ou conversar com a parede do meu quarto. A sua companhia me pareceu levemente, assim...só um pouquinho, um tantinho menos hostil.” Brincou, o sorrisinho de canto aparecendo rápido, como se dissesse não leva a sério, mas leva um pouco. @oliviafb

















