𝗢𝗠 𝗠𝗘𝗚
Onde tudo começou
Ele era um garoto normal. Pelo menos, era o que dizia a si mesmo toda vez que se via caçando próximo à floresta que havia perto de casa. O garoto definitivamente tinha algo de diferente de, pelo menos, noventa por cento de todos que conhecia: ele era um meio-vampiro.
A verdade é que Kayn era o resultado de um teste promissor de genética humana. Ele foi solicitado ao Sr. Lovecraft, grande cientista e pesquisador, conhecido mundialmente por suas criações, e Kayn era mais uma delas. Seus pais não podiam ter filhos biológicos e por isso, o Sr. Lovecraft recolheu amostras de seus sangues e fez um experimento que virou Kayn. A intenção era que o garoto não tivesse o comportamento e a essência de um vampiro, mesmo sendo filho de um grande e renomado. Porém, quando Kayn nasceu logo puderam perceber que o bebê havia uma fome incontrolável e devastadora e que não se comportava bem durante o dia, como se aquele não fosse o seu habitat natural. A confirmação às dúvidas do casal se veio quando, após sumir durante a noite, Kayn apareceu lavado de sangue e haviam animais mortos pela floresta: era a necessidade de sangue que o garoto precisava suprir.
Após essa data, os pais do garoto começaram a excluí-lo. Kayn por diversas vezes viu a sua mãe chorar escondida, questionando aos céus o motivo de estar recebendo aquela punição. Kayn não entendi as lamurias da mãe quando, na verdade, a maldição pairava somente sobre a cabeça dele. Era Kayn quem carregava aquele fardo e ele era o único que sabia como era ter que lidar com as necessárias caçadas noturnas. O garoto se lembra, também, de ouvir sons a quilômetros de distância, como batidas de carros, discussões de pessoas, crianças normais correndo e pássaros batendo asas. Os sons, no início, eram confusos e se misturavam, parecendo que formavam uma única onda sonora, mas o garoto, com o passar do tempo, foi criando uma espécie de audição seletiva, podendo filtrar o que gostaria de ouvir e o que seria capaz de ignorar. Mas uma coisa era certa: ele não conseguia controlar o seu olfato aguçado, que sempre buscava pelo cheiro de carne fresca ou de sangue. Era como se um demônio se agitasse dentro dele e o fizesse entrar em transe, numa espécie de confusão mental. O garoto já havia feito mal a muitos animais comuns mas não por vontade, pois se Kayn pudesse escolher ele jamais os machucaria, mas era algo além do corpo. O seu corpo se esquentava e a loucura era cometida: tarde demais para qualquer passo atrás. Ele era aquilo e não podia evitar. Mas ele estava decidido a aprender a se controlar.
Por conta do seu isolamento e da falta de carinho dos pais, Kayn precisou sempre arrumar uma forma de se divertir e assim ele fazia, vezes sozinho, vezes com criaturas fantásticas que apareciam como se fosse para conversar com o garoto. Todos os bruxos sabem que uma boa parte dessas criaturas são perigosas, mas ali, de frente com o garoto, elas eram inofensivas. Kayn sentia que era compreendido por elas: eles eram aberrações, de uma certa forma.
Certa noite, um velho sábio, de barba ruiva, apareceu em seu sonho e lhe deu uma profecia, que o garoto carrega sempre em seu pensamento. Ele sempre quis se livrar de sua família e aquela profecia serviu como um impulso para o garoto e, por conta disso, quando recebeu o convite de Durmstrang, foi imediatamente. Hoje ele é aluno do nono ano e sabe que seu futuro será brilhante: a profecia lhe revelou.
Kayn sempre aproveitou de seus momentos livres para desenvolver suas habilidades e capacidades, o que, para a sua idade, já poderia ser considerado como avançadas. Além desse tipo de desenvolvimento, ele também costumava ler livros e todos os tipos de informativos possível. Qualquer coisa que tivesse letras, Kayn lia. Qualquer coisa que tinha imagem, Kayn interpretava. Ele sempre gostou de exercitar o seu cérebro e se tornou, desde muito cedo, um leitor compulsivo. Talvez ele pudesse ser o aluno matriculado em Durmstrang que mais leu livros em sua vida.
Ele acreditara, naquela fase de sua vida, que poderia ser um grande meio-vampiro. Talvez pudesse lecionar, em alguma escola de bruxaria, as aulas de Poções. Ele não sabia do que se tratava a profecia, ao certo, mas sabia que coisas boas – para ele – estavam por vir.
Um dia ele se livraria e se vingaria de todo o descontentamento que sua família lhe causou.














