— vá achar seu irmão, ok? depois disso podemos quebrar a pinhata. — assegurou ao filho que saltitava de um lado para o outro em agitação, denunciando os efeitos de toda aquela quantidade de açúcar nas veias. — e vê se bebe um pouco de suco de maçã! — falou alto, mas o pequeno já estava longe demais para ouvir qualquer coisa que tinha a dizer, deixando tomás sozinho com um grande suspiro de cansaço. quando o som da campainha ecoou no interior da casa, tom deu uma olhada ao seu redor e buscou identificar quais dos coleguinhas dos gêmeos ainda não havia chego, considerando que a festa havia começado há pelo menos duas horas. a agitação não o permitiu espiar quem era através do olho mágico, abrindo a porta de uma só vez. — pessoal, gelo é lá no... — do outro lado do batente, entretanto, não estava nenhum entregador de gelo ou criança atrasada, mas alguém que tomás não esperava ver por ali nem em mil anos. — miguel. — disse, como se precisasse confirmar a si mesmo de que o que via era real. os segundos seguintes foram compostos pela total surpresa do mais novo, que mantinha a expressão franzida em confusão, choque e descrença.
— vem, vem! entra aí, o show do mágico vai começar. — tomás puxou o irmão para dentro da casa segurando-o por um dos pulsos. — shh! — sussurrou, pedindo que o homem mantivesse o volume o mais baixo possível enquanto as luzes se apagavam, dando início ao espetáculo do animador infantil. o mais novo caminhou para os fundos da grande sala de estar, guiando miguel consigo para que pudessem conversar em outro ambiente, a fim de não perturbar o entretenimento das mais de vinte crianças que sentavam em seu piso. — jamie tá nessa fase de mágica desde que viu um documentário na televisão onde tiram um coelho da cartola, há semanas ele tenta tirar o herman de um boné de baseball sem sucesso. — comentou de forma passageira, supervisionando a atração que estava prestes a começar. — herman é a iguana verde dele. — a necessidade de esclarecer do que se tratava surgiu após a expressão confusa que surgiu no rosto do irmão, bem como de todos quando tom contava que um dos filhos de seis anos tinha uma iguana como animal de estimação. — inclusive, toma cuidado por onde você senta, ele gosta de se esconder de vez em quando… — o homem começou a olhar ao seu redor, conferindo se o animal não estava por perto, checando se o filho não havia deixado o bicho escapar mais uma vez. — sabe de uma coisa? por que a gente não vem aqui fora? é melhor. — as sobrancelhas franzidas denunciavam certa agitação do garcía, que fazia seu melhor para não apavorar o irmão logo de cara. tomás e miguel nunca tiveram um relacionamento exatamente tranquilo e se aquela era a oportunidade de superar todo o drama que tinha entre ambos, então não seria um show de mágica e um réptil que iriam atrapalhar tudo.
nos fundos da casa onde grande parte dos adultos se encontravam, longe dos gritos estridentes das crianças sempre que o mágico achava uma moeda de chocolate atrás das orelhas de alguém, seria um espaço mais apropriado para conversarem, apesar do grande número de convidados. junto ao pequeno bar improvisado tomás alcançou duas garrafas de cerveja, rapidamente apresentando o irmão mais velho aos demais que estavam presente enquanto pedia a anastasia que tomasse conta da atividade das crianças enquanto conversavam. — ahm… — o caçula girava ao redor do próprio eixo, buscando um lugar onde pudessem se sentar e compartilhar a bebida com calma. — você se importa? — perguntou conforme se ajeitava em um dos balanços pendurados numa das árvores do quintal, convidando miguel a sentar-se ao seu lado. — as novas cadeiras do pátio só chegam na próxima semana, eles andam levando mais tempo do que o normal pra trocar o estofado. taylor manchou o antigo com tinta. — a justificativa buscava ao mesmo tempo amenizar o silêncio estranho que vez ou outra pairava entre os dois e dar conta da situação imprevista em que tinha se metido, com tomás sentido a necessidade de explicar-se da melhor maneira possível a fim de deixar miguel confortável e mais, feliz. desde sempre tom sentiu que a maneira de aproximar-se do irmão fosse, talvez, colocando-se à disposição para o que precisasse; uma herança da infância, onde o mais novo sonhava em poder participar das mesmas atividades que o irmão mais velho que tanto gostava, além do mais sentia-se terrivelmente nervoso em recepcionar miguel após tantos meses desde a última vez que haviam se falado. — aceita? — estendeu a cortesia da cerveja ao outro, estampando um sorriso meio sem jeito nos lábios. — eu não sabia que você tava por aqui, senão teria enviado o convite da festa… — novamente, o péssimo hábito de tomás de desculpar-se por tudo. — tenho certeza que os gêmeos vão adorar te ver. — dessa vez o sorriso parecia mais espontâneo e contente. — tá tudo bem? — o mais novo se deu conta de que não fazia ideia do que o outro fazia por ali, não que sua presença fosse um problema, ao contrário, mas miguel não era dessas coisas...
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