Ele voltou a se concentrar na tal tão temida “matéria nova”, mas chegou a bocejar de tédio ao ler a primeira linha. Ah, ele odiava história. Sempre se perguntava qual era a lógica de estudar o passado. Para aprender com os antigos erros? Não rola, não rola. Livros de história eram coisas do demônio e apenas disso ele tinha certeza. Afinal, o que mais ensinava a construir bombas atômicas, métodos de tortura mais do que eficientes para os seres humanos, “irmãos”? O que mais ensinava a ter a ideia absurda de dominar o mundo, querer fazer do mestiço do mundo uma coisa suja, matar inocentes para chamar atenção, a querer se rebelar contra países apenas por eles não seguirem os mandamentos da sua religião? Ora, pois, pois. Religião também é uma bosta e... — Licença, professora. — Gabriel olhou para a porta da sala e viu uma garota que o encarava fixamente, mas que depois que percebeu que ele também a encarava, voltou a falar. — Será que podia emprestar um pouco de giz? — Claro. — Respondeu a mulher de cabelo oleoso que mexia discretamente em um celular – outra coisa que ele não entendia: por que os professores podem e os alunos não? — Pode vir aqui pegar. — Ela deu um leve tropeção ao entrar e seguiu até à mesa, encarando o chão. Gabriel pode perceber que era o único dos trinta e três alunos que encarava a menina com leve interesse. Não era nem gorda nem magra, era boa. Usava moletom mesmo que fosse uma manhã quente. Ele se perguntou se ela apenas o usava para chamar atenção dele. Não era querendo se achar nem nada, mas parecia que todas as meninas daquela escola queriam chamar sua atenção. Era como se fosse um alienígena muito, muito interessante. E, cá entre nós, ele era mesmo. A menina saiu da sala lançando um olhar tímido para ele; ele simplesmente sorriu para ela, o que causou-lhe uma reação pré-desmaio, o que o fez rir. Dias depois do ocorrido, Gabriel percebeu que a tal menina era a mais nova amiga de sua irmã. Isso o fez achá-la bem mais interessante, uma vez que as outras meninas a evitavam, apenas por ela ser mais borrões do que floreios. A cada dia, ele tentava se lembrar de onde a conhecia. Até que lembrou-se que ela era amiga de uma ex-ficante. Já até conversara com ela uma vez, muito de alto. Ele percebeu que não conseguia parar de pensar nela duas semanas depois. Fossem por suas piadas sem graça, por seu sorriso, seus tombos impossíveis, ou apenas ela mesmo. Ela era diferente das outras. Ela não tentava chamar atenção dele, ela era apenas ela mesma. Talvez fosse o tipo certo de garota que ele vinha procurando nas erradas... Não. Ele não procurava nenhum tipo de relacionamento no momento. Novo demais, inexperiente. Talvez ele a fizesse chorar por ser hiperativo e explorador. Mas ele não queria fazê-la chorar. Estava disposto a mudar pela garota de nome estranho.
Quando Gabriel se apaixonou por Makenna - (Os Insensíveis 4)















