"Estamos condenados a civilização. Ou progredimos ou desaparecemos". Os Sertões (1902) Capítulo: O Homem Euclides da Cunha (1866 - 1909)
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"Estamos condenados a civilização. Ou progredimos ou desaparecemos". Os Sertões (1902) Capítulo: O Homem Euclides da Cunha (1866 - 1909)
Pessoas, lindas do meu coração. Que já leram Os Sertões, me ajude com a sua honrada impressão de leitura. Gostou? Achou difícil ler? Recomenda? #euclidesdacunha #ossertoes #livrosemaislivros #literaturalatinoamericana #literaturabrasileira #amolivros #amoler (em Maceió, Brazil) https://www.instagram.com/p/B0HZjBXDRog/?igshid=20wjxwuj889f
Os Sertões
A TERRA "Ao sobrevir das chuvas, a terra, como vimos, transfigura-se em mutações fantásticas, contrastando com a desolação anterior. Os vales secos fazem-se rios. Insulam-se os cômoros escalvados, repentinamente verdejantes. A vegetação recama de flores, cobrindo-os, os grotões escancelados, e disfarça a dureza das barrancas, e arredonda em colinas os acervos de blocos disjungidos -de sorte que as chapadas grandes, entremeadas de convales, se ligam em curvas mais suaves aos tabuleiros altos. Cai a temperatura. Com o desaparecer das soalheiras anula-se a secura anormal dos ares. Novos tons na paisagem: a transparência do espaço salienta as linhas mais ligeiras, em todas as variantes da forma e da cor. Dilatam-se os horizontes. O firmamento, sem o azul carregado dos desertos, alteia-se, mais profundo, ante o expandir revivescente da terra. E o sertão é um vale fértil. É um pomar vastíssimo, sem dono. Depois tudo isto se acaba. Voltam os dias torturantes; a atmosfera asfixiadora; o empedramento do solo; a nudez da flora; e nas ocasiões em que os estios se ligam sem a intermitência das chuvas -o espasmo assombrador da seca."
Euclides da Cunha