Com licença senhor, já ouviu a palavra do Rappa Mundi hoje?!
"Branco, se você soubesse o valor que o preto tem, tu tomava um banho de piche, Branco, e ficava preto também! Não te ensino minha malandragem, nem tampouco minha filosofia - por quê? - Quem dá luz a cego é bengala branca e santa Luzia!"
MILNOVECENTOSENOVENTAESEIS! Um ano mais do que V1D4 L0K4 (eu assisti a Retrospectiva 96 e o baguiu é loko memo) é presenteado com essa peça rara: cheio de singles, adaptações, tumultuações, explosões e "Pescador de Ilusões", "Rappa Mundi" é SENSACIONAL MEUUUU (rs, serião, é bão o negócio).
Vou ser bem sincero, por muito tempo ignorei esse álbum por bobagem, acabava sempre ficando no "LadoB LadoA", "O Silêncio Q Precede o Esporro" e no "Nunca tem Fim". O "Sete Vezes" fui pegar pra ouvir esses dias, gostei pra caramba e entrou na lista também, mas o "Rappa Mundi" sempre foi ficando de lado. No fundo, eu acho que ouvi de qualquer jeito, não gostei e ficou por isso mesmo, ou é porque tinha "Pescador de Ilusões" e eu nem achava ela tudo isso.
E AI EU OUVI, GOSTEI, E DECIDI ESPALHAR A PALAVRA DESSE ÁLBUM.
Meio que pra me redimir e tals.
"Rappa Mundi" além de ser de 1996 é o segundo álbum d'O Rappa, a formação ainda contava com Marcelo Yuka na bateria, Falcão nos vocais, Xandão na guitarra, Lauro Farias no baixo, Marcelo Lobato nos samplers e 'tecladis', Dj Rodriguez e Dj Zé Gonzales nos scratchs.
De todos, eu achei ele o álbum mais simples e mais complexo. Simples no sentido de que o básico (guitarra, baixo, bateria) tá ali, bem preenchido e fazendo sua parte, MAS nunca deixando de ter uma complexidade pra dar espírito pro negócio; tem melodia pra cacete, todas as músicas tem alguma coisa que te prende.
AS MUSIQS:
“A Feira” abre o álbum com firmeza, tem uma pegada bacana, acho que todo mundo conhece. (Uma vez, quando a gente foi jogar RPG no Claudio paramos numa pizzaria pra comprar mantimentos; do lado, num barzinho, tinha um casal de músicos cantando essa música; ele tava cantando e ela ficava no backing vocal, engrossando a voz e falando “PRESSÃO” que nem um caminhoneiro. Tava muito feito. Mas a música é boa =D)
SE LIGA NO CLIPE DE MISÉRIA S.A (1996)
(ai o Falcão de cabelo curto)
Eu particularmente gostei muito de "Ilê Ayê", achei uma puta letra com gingado; o trecho lá em cima é daqui ó.
Nesse álbum tem duas adaptações animais, "Vapor Barato" da Gal Costa e "Hey Joe" do Jimi Hendrix, com a participação do Marcelo D2. As duas ficaram muito fodas, "Hey Joe" eu bato palma porque deixou a música mais lenta e faz uma puta crítica à violência ("Também morre quem atira"); "Vapor Barato" foi o contrário, deu uma acelerada, mudou o ritmo e meteu umas distorções boas. FODA.
"Pescador de Ilusões" ganhou um outro fôlego com o lançamento do Acústico MTV (2005), mas foi aqui, NOVE anos antes que ela foi lançada (eu tenho a impressão, IMPRESSÃO, que esse álbum passou desapercebido, mas acho que é só impressão minha). "Eu quero ver Gol" é uma música que eu gosto, ela fala do Rio e de suas praias de uma forma sincera, sem exaltação, é bacana isso.
Pra terminar eu gostaria de falar de "O Homem Bomba" e "Tumulto", se você parar pra ouvir essas músicas vai ver que nossos problemas não são novos e em 1996 eles já estavam lá; nessa época eu tava escondendo fósforo acesso atrás da cortina pra minha vó não ver, então tem muita coisa que essas músicas trazem. E é sério quando eu disse que eu vi a retrospectiva de 96 pra escrever isso aqui, tem tanta tragédia que achei melhor não trazer nada.
E não podia deixar de dizer que "Óia o Rapa" além de ser uma música muito boa pro encerramento, ainda tem um bonus para um repeteco.
"Uma Ajuda", "Eu não sei mentir Direito" e "Lei da Sobrevivência" são músicas ótimas, queria escrever um pouco sobre elas também, mas seu eu fizesse, você ia escutar o álbum pra quê, né? (mintira num escrevi porque ia ficar gigantesco essa porra, bjs)
É isso galere, bjuns.














