O fundo do poço é solitário e triste.
Já faz algum tempo que não saio, que não bebo e que não vejo os amigos. Velhos amigos. Acredito que quando se recusa muitos convites, eles vão parando de chegar.
A caixa de mensagens está cada vez mais vazia, perdi o contato com a família e a rotina tem se resumido a uma série de atividades realizadas no piloto automático. A casa está silenciosa, ligo a TV apenas para o som preencher o quarto, a programação não me prende.
Não tenho mais interesse, prazer ou essência, sinto como se meu corpo estivesse anestesiado. Nada tem feito sentido e ainda se fizesse, não sei se eu perceberia.
Passei metade da minha vida acreditando ser daqueles tipos de pessoas que já haviam se acostumado com a solidão, que não se importam com nada, nem com ninguém, como se isso fosse a receita para manter a sanidade e/ou ser feliz.
Só agora me dei conta do quão triste e melancólico é estar sozinho, em não ter "o que", ou com "quem" compartilhar.
A autopiedade se tornou minha companhia. É deplorável, eu sei.
Palavras-Sucintas.











