Veja, tudo começou na faculdade de Química. Entre alguns experimentos nos quais eu tinha que esperar 10 min. pra continuar, eu saia e fumava. O fato de sair do laboratório e ver o céu, as árvores, as pessoas passando, o pássaro voando; tudo isso era um alívio pra mim. Era um tempo de respiro. Depois que terminei Química, tive meu filho, e por não fumar na frente dele, comecei a associar o tempo que fumo com minha válvula de escape pra mim e meus pensamentos. Sempre que saio pra fumar, meu marido toma conta do pequeno, então não me preocupo com nada. Por isso, fumar era um ato que me dava liberdade.
Mas já faz algum tempo que estou sufocada de atividades e o ato de fumar pra me libertar está tomando um tempo valioso. O tempo que preciso pra organizar as coisas. Agora vou tentar usar meu espaço de liberdade pra me organizar. Vou fazer o possível pra isso se tornar um hábito. Pois “Nós nos transformamos naquilo que praticamos com freqüência. A perfeição, portanto, não é um ato isolado. É um hábito” [Aristóteles]