DIAS DIFÍCEIS
A cobertura midiática em torno da academia Genesis foi fervorosa pelo resto da semana. O incêndio desencadeado pelo ataque tinha sido gigantesco e durou até a manhã de sábado, restando apenas a carcaça dos prédios e um cenário de destruição em seu interior, o que resultou na comoção pública em torno do perímetro. Curiosos, jornalistas, policiais e bombeiros se aglomeraram em torno dos edifícios por horas e horas até que recebessem alguma notícia que explicasse a catástrofe, mas o grande interesse real de todos ali era saber qual era o estado dos mutantes atacados. Quantos morreram? Muitos feridos? Exterminados?
A verdade é que por dias nenhum deles teve sossego. Mesmo com a proteção reforçada em volta do bunker, qualquer um que ousasse por os pés para fora dos portões era abordado por um repórter e seu cinegrafista buscando uma entrevista inédita sobre os momentos de terror vividos. Para evitar mais um desastre televisionado, um mandado oficial emitido pela Casa Azul criminalizava qualquer indivíduo que assediasse as vítimas. Depois do terceiro dia, ninguém mais transitava por pelo menos dois quarteirões de distância da área interditada.
No entanto, isso não impediu que o episódio fosse amplamente discutido pelos veículos de comunicação. Desde jornais impressos e televisionados, programas de rádio e entretenimento, questionavam-se se aquele realmente tinha sido o fim da Nova Era, já que a informação de um general de alta patente presente no ataque tinha sido capturado e condenado à prisão perpétua pelos crimes realizados foi vazada por insiders. Muitos dos terroristas foram abatidos pelos estudantes e pelo exército nacional que fazia a segurança da academia durante o momento. As baixas foram gigantescas para ambos os lados e as reportagens sobre os mortos eram repetidas de hora em hora, mas apenas como sensacionalismo acima da tragédia.
Entre os alunos, restou apenas a desolação por perderem muito. Por sorte, nenhum deles tinha sido capturado ou pior, morto, mas ainda era uma sensação de desconforto olhar os edifícios, antes imponentes, agora totalmente danificados. Os dias posteriores ao ataque tinham sido confusos e estressantes; todos passavam as noites em sacos de dormir, dividindo espaço entre dormitórios e enfermarias improvisadas. Foi complicado.
Uma força tarefa foi montada para recuperar o que fosse possível dos escombros, utilizando poderes e qualquer técnica que ajudasse. Vários alunos participaram. Uma parcela considerável dos objetos, pertences e acessórios e pesquisas foram recuperados, mas era de partir o coração o estado de calamidade do que restou.
Com os dias passando e a angústia aumentando, a pergunta reprimida parecia esmagar o ambiente. Para onde eles iriam agora?









