Hokkaido, uma terra onde a neve não é apenas um fenômeno natural, mas uma presença silenciosa. Quando o inverno chega, a paisagem se transforma. Não é apenas uma mudança de temperatura, é como se o tempo parasse e tudo se tornasse uma tela em branco, esperando por uma história a ser escrita.
Sempre que saio pela manhã, caminhando entre as árvores cobertas de neve, sinto que algo me observa. Não é uma sensação desconfortável, mas sim uma presença distante, como se os ventos gelados carregassem fragmentos de memórias antigas. Em cada floco que cai, parece haver um eco, um suspiro que me chama para algo que eu não posso compreender completamente.
Há algo nesse silêncio que me conecta com um passado esquecido, ou talvez não tanto. Lembro-me das noites em que as estrelas brilhavam de forma incomum, quase como se estivessem tentando me contar um segredo. Naquelas noites, o vento não soava apenas como o frio, mas como um murmúrio distante.
E então há a neve. Ela cai, branca e pura, cobrindo cada rastro, cada sinal de quem já passou. Mas eu sei, de algum modo, que ela não apaga as histórias, ela as esconde. E talvez, por um momento, seja esse o propósito dela: nos forçar a lembrar o que esquecemos, a ouvir os ecos que o tempo nos fez ignorar.
Às vezes, enquanto caminho, me pergunto se talvez a neve não seja apenas um manto de gelo, mas um véu que cobre verdades mais antigas, guardadas nas entranhas da terra. Verdades que só podem ser reveladas ao que busca mais do que o visível. E então me pergunto se a minha busca, por mais que seja silenciosa, não é a busca por mim mesmo.














