Vesti o meu vestido preto favorito, aliás a noite era especial. Eu nunca pensei que apenas um encontro com um menino desconhecido mexeria tanto comigo. A verdade é que eu nunca achei que eu conversaria e passaria um dia com um estranho que acabará de conhecer no metro. Mas é que de uma forma meio louca ele tinha alguma coisa que me chamava atenção, não digo apenas a sua beleza, que era muito nítida, mas era algo dentro dele que mexia com todo meu psicológico. — Oi Patrick. — Me aproximo da mesa onde ele estava sentado, em um restaurante no meio da cidade onde a gente havia almoçado a algumas horas atrás, um lugar bonito e muito aconchegante e com comida vegetariana, é claro. — Oi Lívia, você está lin-da. — Ele gagueja — Obrigada, você também não está nada mal. — Na verdade ele estava incrivelmente lindo, ainda mais do que hoje cedo. — Se isso foi um elogio, obrigado. — Pode considerar como um elogio. — Sorrimos. — Que indelicadeza a minha, não te convidei ainda para sentar. — Ele puxa a cadeira do outro lado da mesa a sua frente. — Sente-se por favor. — Obrigada. — sentei-me logo a sua frente como ele havia pedido. — Mas então, o que vai querer comer? — Na verdade, não costumo jantar. — Sorri. — Mas pode pedir um suco de laranja, já está ótimo. — Uma menina tão magra, ainda por cima vegetariana, não costuma comer nada a noite? Assim vai ficar doente. — Ele faz uma cara de insatisfação, mas sorri. — Já estou acostumada, sou magra por natureza mesmo, não tem nada a ver com minha alimentação. — Nossa, me desculpa se a ofendi, não foi minha intenção Lívia. — Tudo bem, desculpa pela minha grosseria também, apenas odeio que me chamem de magra. — Na verdade odiava quem se entrometia na minha vida, ninguém tinha nada a ver com isso, mas com Patrick parecia tudo diferente, não conseguia ficar brava com ele, muito menos odia-ló. — Eu entendo, perdoe-me. — Mas então, não viemos aqui para falarmos do meu estado físico, certo? — Sim, certíssimo. — Ele ri. — Pois então, me conte mais sobre o seu curso de gastronomia .. Da onde surgiu essa ideia de vir pra cá? — A história é meio longa, quer mesmo me ouvir? — Claro, temos uma noite inteira para isso. — Sorri. — Então, eu sempre gosto de cozinhar, desde de bem pequeno. Eu ficava olhando minha mãe cozinhar, com isso foi despertando em mim uma curiosidade em aprender a fazer aquilo, que antes para mim era mágica. — Sorrimos. — Ao longo do tempo, já fui me virando e fazendo meu próprio almoço, jantar, tudo. O resto já sabe né? Depois nunca mais parei e quando terminei a escola, logo entrei em uma escola de gastronomia que tinha sido inaugurado a pouco tempo na minha cidade. Fui me destacando nas aulas, no final, fui o número 1 da escola e ganhei uma bolsa de 1 ano na Europa e aqui estou até hoje. E em pouco tempo já estarei voltando para o Brasil. — Nossa, você é incrível né? — Quando ele acabou de falar toda aquela história, fiquei impressionada, nunca imaginava vendo no Patrick tanto talento. — Eu? Nem um pouco, só faço aquilo que gosto. — Me senti um nada depois que falou isso tudo. — Disse eu rindo. — Não sei nada de você ainda, mas, uma coisa eu sei que você faz muito bem. — Não sei o quê, mas o que acha? — Você tem o dom de ser toda linda, que com um único sorriso me faz ficar encantado por você. — Para, não faço isso. — Tento disfarçar a minha timidez desviando o olhar. — Não paro, não estou falando nenhuma mentira. — Sei sei, vamos mudar de assunto agora, o que acha? — Já que insiste né? Vamos então. Mas do que quer falar agora? — Não sei, você que decide agora. — Quero saber agora sobre você, o que a senhorita faz por aqui? — Essa deixamos para próxima, tem um jantar pela frente ainda a sua espera. Antes dele falar, chega o garçom com meu suco e com um macarrão ao molho branco, prato favorito de Patrick. Mas antes de comer, ele diz: — Não pense que vai se escapando de mim, que da próxima vez, quero saber tudinho sobre a senhorita. — Ta bom menino chato. — Sorrimos. Dali, eles acabam de jantar e vão saindo. — Ei, antes de ir, pode me passar seu telefone, para marcarmos alguma coisa? — Ah claro, só um minuto. — Eu pega um pedaço de papel na minha bolsa e anoto meu número e entrego a ele. — Pronto, aqui está, estou te aguardando. — Pode deixar, vou te ligar. — Ele sorri. Ao nos despedir ele me abraça e pude sentir cada contorno do seu corpo colado ao meu e aquilo me fez estremecer. Mesmo assim ignoro e ele pega um táxi que passa logo em seguida. E eu permaneço lá, e vou embora poucos minutos depois. Mas aquele abraço que Patrick tinha me dado eu poderia ter sentido algo diferente. Como apenas em um dia um menino poderia estar despertando algo em mim? Eu não conseguia tira-lo dos meus pensamentos, ele me fazia bem, mesmo o conhecendo apenas a algumas horas, eu sabia que ele era diferente.
2° Capítulo - Talvez o que ele desperta é um sentimento novo. Maria Clara Nogueira, (In Your Heart, I'm Home) and João Victor Oliveira, (Minha Namorada Perfeita)















