Tinha que ser...
De alguma forma que eu desconheço, você conseguiu se aproximar de mim. Eu, que nunca fui de fazer amigos, sempre fechada, conheci você. Que também não é de fazer amigos e é fechada. A princípio achei que não fosse durar, odeio admitir que até torci para que isso acontecesse, afinal, eu não queria me apegar a mais uma pessoa e depois ter que me mudar e deixa-la para trás.
Mas parece que a vida tinha outros planos. Para os que como nós, acreditam em Deus, Ele escreveu em linhas ainda não escritas. Eu sempre me senti deslocada, mesmo entre minhas amigas. Sempre fui a que tinha overdoses de sentimentos, a que não liga de dançar em público, seja na rua ou nas festas, a da risada escandalosa, a dramática e sensitiva que não sabe lidar bem com momentos desesperadores.
E então no meio do cubo mágico que é a minha vida, você aparece e coloca em ordem um lado. Eu passei a ter uma companhia para sofrer comigo, seja ouvindo sertanejo e se lamentando pelos idiotas ou apenas me ouvindo quando tudo tinha desandado. Passei a rir de situações que antes me faziam chorar, rir até minha barriga doer, até perder o fôlego e os olhos lacrimejarem. Eu voltei a ouvir músicas e dançar pela casa, pela minha, pela sua, na rua, no shopping, em qualquer lugar onde estivesse fazendo barulhos.
Você não se afastou quando eu tive meu primeiro chilique, nem quando te contei meus segredos sórdidos. Apenas sorriu e disse que me entendia. Quem é o louco que me entende? Que sabe exatamente o peso de cada sentimento, bom ou ruim, que eu carrego? Que sabe a dor do abandono e dos planos frustrados, do poder da raiva?
Que esses cinco meses, virem cem anos, que as risadas as três da manhã, das danças no chão do seu quarto, os pulos no hall dos elevadores e as outras coisas idiotas que fazemos juntas multipliquem e se elevem a enésima potência. Porque a nossa amizade simplesmente tinha que ser.










