Agora era definitivamente um sinal externo, não qualquer falha ou reflexo nos radares. O sinal antes fraco e intermitente vinha constante e Scarlet cortava os motores e deixava a Rainha Vermelha apenas vagar, já quase fora do cinturão de asteróides, enquanto vasculhava a imensidão à sua volta, atrás do ponto de origem.
- Nave-Mãe, temos um sinal de socorro… pela ID, uma antiga fragata à deriva. Tentando intercept-
- … zzzzZZZT negat… rrrrrrrzzz… bzzzt… prossegrrrrrrrr- A resposta vinha cortá-la, mas era como se a interferência tivesse aumentado. Scarlet sorria, sabendo que com a transmissão tão ruim, Comando sequer poderia vê-la.
- Comando, o sinal está péssimo! - Era até difícil conter o cinismo à voz. - Vou rodar diagnósticos das comunicações, enquanto busco o S.O.S. - Diminuía o volume da transmissão, sabendo que continuariam tentando veementemente fazê-la entender a ordem de ignorar a fragata. No entanto, realmente iniciava diagnósticos nos sistemas de rádio. Era estranho, pois estava quase fora da zona de corpos à deriva.
Foi quando viu mais um, completamente diferente dos outros. Era talvez um pouco maior que a Rainha, mas à distância os sensores ainda não podiam precisar-lhe a massa. Parecia tão danificada que Scarlet perguntava-se como ainda haveria a quem resgatar. Com as mãos, se impulsionava para longe dos painéis e sorria ao iniciar quase uma dança, os dedos acionando o panorama tático da situação.
Câmeras ao longo do casco e sensores diversos iam acendendo-se e aos poucos mapeando hologramas em 3 dimensões do entorno da nau avermelhada. O trajeto não seria dos mais simples, até a fragata, repleto de gelo e destroços.
- Nave da Confederação Terrestre Caribdis, consegue me ouvir? Aqui é N.C.T. Rainha Vermelha, em posição para interceptar. - Alcançava o painel de navegação e o trazia para si, deixando os retransmissores às pontas dos dedos desenharem o trajeto ao longo do holograma. Sons às caixas de seu capacete indicavam que os motores estavam novamente prontos para disparo.
Sorria a satisfação de agir na liberdade às suas vontades… e em gravidade zero.
Observava a grande presa de metal avermelhada de longe, com a Lupin agora ancorada à superfície de um grande asteróide, para evitar detecção. Notava quando a temerária Scarlet desligava seus foguetes e deliciava-se em ver quando alterava, mais uma vez, sua rota. Quando os foguetes mais uma vez disparavam, o calor derretendo alguns cristais de gelo, o reflexo do casco da nave dando a curiosa impressão de que atrás da Rainha Vermelha esvoaçava uma capa.
A sonda retransmissora instalada dentro dos destroços da fragata trazia a voz da capitã e o pirata sorria, ligando apenas o áudio.
- Aqui fala Caribdis… que bom que veio, finalmente… Scarlet.
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