Era um loop infinito. Uma fita de moebius...
Arrebentou... tá no chão. Jaz... só.
Um impulso de vida não concretizado. Sangrando sonhos... por quanto tempo, não sei...
Como se estanca isso?

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Era um loop infinito. Uma fita de moebius...
Arrebentou... tá no chão. Jaz... só.
Um impulso de vida não concretizado. Sangrando sonhos... por quanto tempo, não sei...
Como se estanca isso?
O caminho do meio...
Em que parte do caminho cedi o direito de ser intenso e tomar impulso?
Será possível que todo ser humano é uma solução insolúvel? Aquele X que você nunca acha e tem que se contentar em aguardar que alguém lhe diga? Onde está esse professor escroto, que não aparece pra me dar uma constante que seja, no meio de uma linha enorme de incógnitas?
Eu não vejo que cedi demais. Alguém em algum lugar deve estar rindo disso, mesmo. A quem quer que seja, que satisfação estúpida.
E por quê uma equação precisa de outra? Sabe as chances do X de ambas ser remotamente parecido, quanto mais igual?
De onde se tirou que o resultado final é subtrair do outro, ao invés de somar-se a...?
Tantas perguntas. E a solução passa por um incômodo divisor nulo. Me divido por zero. Por nada.... não pertencer aos reais.
Inexisto?
Oco
- Quem te quebrou? - Ninguém. - Então por que você é assim? - Assim como? - Quebrado. - Eu não sou. Você que acha que pode me consertar. - ...
Sustenido
A alcova inteira tremia ou era eu? Nossa, o quão pouco isso importava! Mas era explosão e a carne sentia. Onde eu estava começava a importar cada vez menos e eu só pensava em quando. Dimensões do tempo, contração e expansão... cada segundo fugaz em sensações intermináveis. Cada toque já ousando ser memória, queimando e se gravando na pele.
Ela me olhava de volta como quem não tinha a chance de estar pensando o mesmo e eu escondia meu olhar dela ao morder-lhe o ombro com força. Um grito em meio aos gemidos. Mais do meu avanço sobre o corpo e da invasão, para chegar até o ombro, do que dos dentes em si. Me arranhava... cada vez mais forte, como a minha punição por ser mais bicho que gente, ali. Mas aquelas unhas me puxavam num claro pedido.
A alcova tremia sim, balançava... ou era a cama? Um mergulho na imensidão de lençóis e travesseiros e suor e gozo. E tudo vibrava. Ela vibrava ao meu redor e eu me perdia, sem lembrar quantas vezes já havia explodido em clímax junto com ela. Cada beijo sôfrego reacendia nervos que pareciam ter se exaurido instantes antes.
Não haveria descanso senão no desmaio... e mesmo assim, logo um dos dois acordaria... roupas já fora do caminho, ambos escorrendo do cheiro forte. Saliva, suor e prazer.
O despertar era o meu... sentia cada marca daquelas unhas pulsando à pele e isso só aumentava a fome. Erguendo sobre as patas, felino e predador, me deixando mover sobre ti... sua respiração agora plácida, em meio a sei lá que sonho. Na pouca luz lá de fora, me fio no cheiro do teu sexo... lambendo os lábios... no mergulho pra te devorar.
Sua respiração entregava o clímax, tão perto... e de um suspiro se tornava susto. Das teias do sono, sem a certeza de onde estava... e logo susto se tornava gozo, à força. Dúvida se tornando entrega... tuas mãos vindo buscar minha cabeça e você me olhava... pedia. Implorava.
Enterrando minha boca em ti, pra ir explodindo até o próximo desmaio.
"You'll rescue me, right?" Ele abria suas asas o maior que conseguia e começava a correr. Era um salto e tanto. Mais pra um mergulho. Seus olhos tinham apenas vislumbres do que gritava daquelas sombras e descobriu que não tinha medo. Seria bem fácil. O desmoronar de reinos para o surgimento de tudo à volta, novo. Ciclos. Sempre o universo se desfazendo em ciclos. À termodinâmica, fato que tudo vai se acabando em cada desmoronar. Um dia, nem elétrons girarão. Não tinha o que temer mais do que o fim do mundo, e tinha visto o suficiente desses. Causado alguns. Queria. De verdade, queria muito. Trazer luz àquele lugar seria algo de primoroso, belo, memorável. Tudo aquilo o que vive, pulsa. Fraco ou forte. E fazer pulsar mais forte é dar do próprio sangue. Queimaria tudo. E consumiria aquele lugar até que só cinzas restassem. E nem sempre ressurge a fênix, não é mesmo? O que sobrevivesse talvez precisasse ser erguido. Bem quando fosse embora, quando precisasse dar as costas. E levaria consigo, pra sempre, os gemidos dos que deixara pra trás. Seria só um salto. As asas abertas respiravam mais que ele. Mas pedras não saltam. Mais uma rachadura e aquele sangue corria grosso feito lava. Quente. "You'll rescue me, right?"
Re-Zero
Ele ecoava passos por aquele lugar ermo e tentava entender pq justamente ali. De todos os cantos do mundo, jamais pareceria digno de nota. E ali estava.
Não. Não estava pq não poderia estar. Era uma coisa de passagem, mesmo, e ele tinha certeza q ficar não seria opção, no final das contas. Aceitava ser transeunte, como (nossa!) tantas vezes. Percorria nada mais que uma nota da tapeçaria de cordas de violão que toca o universo à existência. Provavelmente um bemol, tão raro num mundo saturado de sustenidos.
Mas não entendia a nota q era dele, tocar. O bardo apenas buscava uma nova história. O bardo sempre o faz… Era livre pra existir assim, de sobressaltos por canções alheias. Mas sempre entendia tons. Sempre sabia o correto, a tocar.
"A letra é fenomenal, mas a melodia não te parece errada?" Não. Nunca parecera antes. O ritmo agora o incomodava, mas estava lá, igual. E nossa, tinha algo a reaprender!
Pra se aprumar, o Tolo no entanto decidiu alcançar uma outra corda. Mudar algo, ele tbm. Fazer rir… Se nada mais, faça rir. Porque pra isso não tinha uma fórmula. Era fluido como uma gargalhada surpresa e sincera.
A maior arma do Tolo é ser zero. É caminhar pelos arcanos maiores arrancando pedaços de cada um para si.
O caminho nunca tem volta, porque não é o mesmo caminho depois que você o passa. E você definitivamente não é o mesmo caminhante.
ANGELS WON'T DANCE Oh, won't you come dance with me? It's no dance you know... We dance 'till world's end. We dance' till it's enough. I promise only you're gonna spin. Throw you through pain... We dance 'till life stilled. We dance 'till senses gone. Can't tell if you'll hear the song. Haven't heard it myself... We dance 'till no breath. We dance 'till made one. Oh, won't you come dance with me? Oh, won't you come lay with me? We dance 'till feet bleed. We dance 'till hearts stop.
Inércia
Preparado para tudo. Sempre. À prova de acasos, de inesperados, de "vai que..." O caos de não saber o que espera no dobrar da esquina e de não ser o outro. Pra isso se faz planos. Pronto para o pior cada vez pior, você se protege. Contingências de contingências. O que quer que venha. Cenários, encenações, cada "e se..." É preciso controle. Preparo. Pronto para o pior cada vez pior, você se arma. Guarda energia e olha o mundo lá fora, cheio de coragem para enfrentá - lo. Agora sim, nada pode te parar. Cada passo tão calculado. Pronto para os piores piores, você espera. Protegido, armado, contingenciado... parado. Sem pensar se no abrir da porta, tudo não poderia, simplesmente, dar certo. À prova do acaso. À prova de vida. Mas, pelo menos, sem más surpresas... Você somente existe.
Segunda-feira
Ela observava aquele confronto de longe, imaginando o que o levara àquilo. Um grunhido de surpresa continha - se na respiração presa, quando um golpe passava a centímetros do pescoço do guerreiro.
- Por quê se contém? - Deixava o vento, travesso, levar aquelas palavras em soprares, até ele. Não entendia por quê não se entregava à fúria e simplesmente deixava aquilo acabar. O horror que tentava assolá - lo, todo presas, lâminas, garras… Por vezes ousava tomar forma, como se pudesse intimidar o oponente.
Ela, tão distante, via aquele ser. O homem ousara invocar seus demônios, como se precisasse daquilo, como se tivesse algo a provar. - Por quê não acaba logo, com isso? - Havia algo de tão intenso, mas novo… ele estava diferente.
***
Sentia - se retesado, como mola, tamanha energia querendo explodir de si e inundar a planície. Mas deixava o oponente por vezes avançar. Sentia cada movimento e deixava - se mais reagir do que agir. As palavras ao vento lhe desenhavam um sorriso ao canto dos lábios.
Era todo equilíbrio, a mente traçando aquele combate, pé ante pé sobre o fio da navalha. Não prolongava aquilo intencionalmente, sentia os golpes que não desferia como se acumulando - se nos músculos. O caos a um passo. Tão perto e óbvio. Estraçalharia aquele ser e metade da planície com ele.
Mas não era inevitável. Não essa batalha. Sentia - se como um felino afiando as garras e ria sozinho, quando a segunda pergunta lhe chegava aos ouvidos. Quase descuidava - se e era aproveitando esse momento que a besta ousava jogar - se sobre o guerreiro. Um membro medonho de garras (dentes?) Que tentava rasgar - lhe o peito.
O salto de lado era acompanhado do golpe certeiro. Punha toda a força naquele braço, deixando as garras surgirem e arrancava o membro medonho daquele ser, jogando - o ao chão. Continha um urro vitorioso, sabendo q ainda era só o começo.
- Esse terno é novo, ora bolas! - As palavras a levavam a gargalhadas… ele era ainda um adolescente fantasiado de adulto, confrontando metáforas estapafúrdias.
O primeiro golpe fora apenas o começo.
Stars Align - Lindsey Stirling (Original Song):
Pela floresta - III
- leia aqui a parte I -
- leia aqui a parte II -
Agora era definitivamente um sinal externo, não qualquer falha ou reflexo nos radares. O sinal antes fraco e intermitente vinha constante e Scarlet cortava os motores e deixava a Rainha Vermelha apenas vagar, já quase fora do cinturão de asteróides, enquanto vasculhava a imensidão à sua volta, atrás do ponto de origem.
- Nave-Mãe, temos um sinal de socorro… pela ID, uma antiga fragata à deriva. Tentando intercept-
- … zzzzZZZT negat… rrrrrrrzzz… bzzzt… prossegrrrrrrrr- A resposta vinha cortá-la, mas era como se a interferência tivesse aumentado. Scarlet sorria, sabendo que com a transmissão tão ruim, Comando sequer poderia vê-la.
- Comando, o sinal está péssimo! - Era até difícil conter o cinismo à voz. - Vou rodar diagnósticos das comunicações, enquanto busco o S.O.S. - Diminuía o volume da transmissão, sabendo que continuariam tentando veementemente fazê-la entender a ordem de ignorar a fragata. No entanto, realmente iniciava diagnósticos nos sistemas de rádio. Era estranho, pois estava quase fora da zona de corpos à deriva.
Foi quando viu mais um, completamente diferente dos outros. Era talvez um pouco maior que a Rainha, mas à distância os sensores ainda não podiam precisar-lhe a massa. Parecia tão danificada que Scarlet perguntava-se como ainda haveria a quem resgatar. Com as mãos, se impulsionava para longe dos painéis e sorria ao iniciar quase uma dança, os dedos acionando o panorama tático da situação.
Câmeras ao longo do casco e sensores diversos iam acendendo-se e aos poucos mapeando hologramas em 3 dimensões do entorno da nau avermelhada. O trajeto não seria dos mais simples, até a fragata, repleto de gelo e destroços.
- Nave da Confederação Terrestre Caribdis, consegue me ouvir? Aqui é N.C.T. Rainha Vermelha, em posição para interceptar. - Alcançava o painel de navegação e o trazia para si, deixando os retransmissores às pontas dos dedos desenharem o trajeto ao longo do holograma. Sons às caixas de seu capacete indicavam que os motores estavam novamente prontos para disparo.
Sorria a satisfação de agir na liberdade às suas vontades… e em gravidade zero.
***
Observava a grande presa de metal avermelhada de longe, com a Lupin agora ancorada à superfície de um grande asteróide, para evitar detecção. Notava quando a temerária Scarlet desligava seus foguetes e deliciava-se em ver quando alterava, mais uma vez, sua rota. Quando os foguetes mais uma vez disparavam, o calor derretendo alguns cristais de gelo, o reflexo do casco da nave dando a curiosa impressão de que atrás da Rainha Vermelha esvoaçava uma capa.
A sonda retransmissora instalada dentro dos destroços da fragata trazia a voz da capitã e o pirata sorria, ligando apenas o áudio.
- Aqui fala Caribdis… que bom que veio, finalmente… Scarlet.
[nota: todas as imagens utilizadas nessa série são de uso sob licença Creative Commons, parte do Pepper Project]