Será que eu ainda moro aí dentro de você
do mesmo jeito que você mora aqui em mim?
- As cartas que eu não escrevi.

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Será que eu ainda moro aí dentro de você
do mesmo jeito que você mora aqui em mim?
- As cartas que eu não escrevi.
Ela...
escreve para se transbordar em palavras.
para não se afogar
nos próprios pensamentos.
- lezazi
Quem dera..
Quem dera pudéssemos, como num passe de mágica, nos transformar naquilo que o outro gostaría que fôssemos.
Quem dera pudéssemos dormir gordinho e acordar sarado. Dormir chato e acordar divertido. Dormir sem saber fritar um ovo e acordar um chefe de cozinha.
Quem dera pudéssemos ir pra cama com um amontoado de defeitos, já endurecidos pelo tempo e pela rotina estressante de dar conta de si mesmo, e acordar cheio de qualidades inspiradoras.
Quem dera.
Quem dera fôssemos capazes de pensar 3 vezes antes de dizer ou fazer besteiras. Tomamos atitudes impensadas, dizemos palavras que mantivemos em segredo e sentimentos escondidos aparecem ferindo o peito e o ouvido de quem estiver ao redor.
Quem dera as pessoas fossem capazes de entender nosso momento de raiva. Nossa melancolia. Nosso grito. Nosso medo.
Quem dera.
Quem dera conseguíssemos dizer pro outro que, na verdade, acordamos todos os dias pretendendo ser melhor. Não apenas pro mundo, mas também pra nós mesmos.
Que queremos tomar a decisão mais assertiva possível e, mesmo assim, quase sempre dá errado.
Que se metemos os pés pelas mãos, é apenas por não conseguirmos ser tão perfeitos quanto o outro esperava (e merecia) que fôssemos.
Mas o que o outro precisa entender é que ninguém é perfeito… MESMO. E digo mais: ninguém é tão perfeito que não possa ter um defeito (grave) escondido por baixo da tampa.
E ninguém é tão defeituoso que não possa ter uma qualidade que o torne apaixonante.
Somos humanos… por isso o sol nasce todo dia, pra que Deus possa nos dar uma segunda chance pra tentar ser melhor de novo.
E errar.
E tentar.
Até que o defeito empedrado vire um peso de papel sobre o passado.
- lezazi
Passamos muitas horas da nossa vida tentando achar respostas. Tentando entender o motivo das coisas acontecerem. Geralmente as coisas ruins. As boas a gente aceita rápido, sem questionamentos. A felicidade do momento tapa as dúvidas.
Mas hoje aprendi que existe um número certo de acontecimentos, pessoas e realizações no espaço da nossa existência. Uma coisa se vai para que a outra possa chegar. Não dá pra ultrapassar esse limite. Hoje aprendi a aceitar as coisas ruins da mesma forma que aceito as boas. Tudo precisa caber na minha vida. Não é como uma panela aberta que transborda se encher demais. É uma panela com tampa. É somente aquilo e pronto. As pessoas se vão para que as novas possam chegar. E assim vamos encaixando e aprendendo que não há resposta para essas perguntas. É simples: Aceite-Comemore-Receba.
- lezazi
As melhores e mais bonitas flores têm lá seus espinhos. É fato. Eles estão lá. É da natureza delas. Ou a gente arranca e molda a flor do jeito que queremos, ou encaixamos os dedos nos lugares aonde não estão os espinhos e corremos o risco de dar uma fincadinha de vez em sempre.
As flores são como nossa alma… nossa essência… nós. As pétalas são como nossas qualidades e os espinhos nossos defeitos. Algumas vezes não podemos arrancá-los da gente, ou de outra pessoa, mas podemos tentar levá-los da melhor maneira possível. Aprender a não tocá-los pra não ser espetado.
Se não quisermos correr esse risco basta comprar flores artificiais. Essas não te espetam nem morrem. Mas não têm cheiro, não têm a certeza de que tudo é real, nem te traz um sorriso cada vez que olha pra ela.
Amar é se espetar ás vezes… e ter consciência que mesmo assim vale a pena.
_ lezazi
Operação tapa buracos
Eu era parte de um plano. Parte da sua operação tapa buracos. Eu era uma compradora de bois, de galinhas e vacas. Uma descascadora de abacaxis. Chupadora de mangas.
Fui guardiã dos seus ecos. Fui ouvidos, mãos e colo. Muitas vezes deixei minhas coisas de lado, meus segredos e minhas necessidades, só pra estar por perto caso precisasse.
O plano era me fazer amar, fazer eu me apegar e dar o que eu tinha de melhor, enquanto as coisas não voltavam ao SEU normal.
Pra rir depois? De novo? O que as pessoas ganham rindo das dores alheias? Fazia parte do plano me deixar acreditar de novo que eu podia confiar em alguém? Eu aprendi que não. Aprendi que todo mundo quer te usar pra tapar algum buraco na vida. E que isso cansa. E que dói. E que sentir essa mesma dor de se decepcionar tantas e tantas vezes, começa a te deixar um pouco dormente. Mas que, por mais que tente, você não endurece. Na verdade, amadurece. E começa a entender que precisa deixar de depender tanto de amar. Depender de amor. Mendigar. De se fazer ver descartável. Ninguém se importa se você esburacou seu próprio coração, dia após dia, deixando que te torturassem, só pra tapar os buracos de outro coração.
Quando as pessoas olham pra alguma estrada com o alfalto lisinho, elas não pensam no pixe que tapou aqueles buracos.
E já dizia o poeta: “Você começa a precisar de outros lugares, outras pessoas e bebidas mais fortes.”
- lezazi
Ás vezes o amor é uma guerra.
- letzazi
Sempre há um porém.
- lezazi