Me lo dicevi anche tu
La vita va vissuta
E invece io la penso
- Brunori Sas
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Me lo dicevi anche tu
La vita va vissuta
E invece io la penso
- Brunori Sas
Na tua cabeça
O que define um longo dia?
Foi a pergunta que martelou a minha cabeça em um final de tarde, pois a sensação de lentidão rodeou sobre mim.
Como resposta, o ócio surgiu como possibilidade, mas logo afastei a possibilidade. Já vivi dias do tipo e alguns deles passaram que eu mal vi.
A bem da verdade é que ruminar certos pensamentos indesejáveis traz tal sensação. Não há tempo que passe no desconforto. Um minuto pode dar a sensação de dez e assim vai.
Vomitá-los é a melhor maneira de visualizar e tomar para si os rumos do espaço e tempo.
— A.M.G (7.9.2024)
Desapego
O desapego é difícil.
Me mudei recentemente e, desencaixotando minhas coisas, descobri que meu quarto é um sebo. E olha que são só as coisas do meu quarto (o único espaço que tenho aqui que posso chamar de meu).
Lembro que no desenho “Caillou” eles faziam uma venda de garagem com os objetos que não precisavam mais. Pena que isso não acontece no Brasil. Seria muito útil pra mim que tenho problema em postar coisas nas redes sociais para vender.
O problema é que eu gosto das minhas coisas. Não quero me desfazer delas. Acho que todas as coisas que eu amo tem um espaço no meu quarto.
Acho que as coisas aqui acumuladas são como um rascunho, como um container cheio de memórias inacabadas... Os objetos são apenas uma parte dos momentos que compõem as memórias.
Mas são palpáveis. São memórias palpáveis.
Sou uma colecionadora de memórias felizes, mas também de sentimentos, de sentidos. E consigo sentir a memória quando toco em meus objetos guardados. Mas a rinite não entende isso. Nem o bolso. Muito menos o espaço onde se acumulam as coisas.
Ontem a noite (escrevo isso de madrugada) me dei conta de que faz dez anos que meu pai me deu um violão de presente de aniversário. Dez anos. E eu nunca aprendi a tocar. Tentei aprender sozinha, mas desisto rápido das coisas que precisam de esforço.
Quantas memórias, quantos momentos felizes foram privados de alguém que realmente gostaria de um violão em mãos... Mas eu sou egoísta demais para vender um instrumento que não me tem serventia porque meu pai ausente me deu no meu aniversário de quatorze anos para suprir a falta que ele fazia num período de luto pela morte da minha avó.
Será que é egoísmo mesmo?
Por que guardamos ingressos de shows? Por que compramos lembrancinhas bregas de viagens que em dez anos vamos nos enjoar e guardar numa caixa e em vinte anos vamos nos perguntar porquê compramos aquilo?
Mas, ao mesmo tempo, quando pegamos aquilo nas mãos, automaticamente voltamos para o momento do primeiro encontro ou vivido com aquilo.
Sei lá, só acho difícil me despedir do palpável indispendível.